quinta-feira, dezembro 28, 2023

A desleal concorrência dos vereadores na disputa eleitoral

 em 28 dez, 2023 8:09

Adiberto de Souza

Não é fácil a vida do candidato sem mandato. Durante a campanha fica visível a concorrência desleal imposta pelos vereadores. Eles contam com toda a estrutura parlamentar e partidária, enquanto os novatos, na maioria dos casos, enfrentam a disputa com a cara e a coragem. A legislação em nada favorece os neófitos: da distribuição do fundo eleitoral às emendas parlamentares, tudo é feito para garantir a perpetuação de quem já está no Legislativo. Segundo a cientista social e antropóloga Rosana Pinheiro Machado, as estruturas dos partidos são completamente engessadas, hierárquicas e prontas para eleger certas figuras e talvez para trazer um (único) novo nome. Ressalte-se que os vereadores têm a seu favor as vantagens oferecidas pelo mandato e os bilhões do fundo eleitoral para gastar na campanha. Já os candidatos sem mandatos precisam usar dinheiro do próprio bolso para ter alguma chance na disputa com os concorrentes privilegiados. É muito por isso, que as eleições não conseguem renovar, de forma considerável, as Câmaras Municipais. Certamente isso voltará o ocorrer nas eleições de 2024. Quem viver, verá!

Dobrando os bolsonaristas

O ministro Márcio Macêdo (PT) garante que eleitores de Jair Bolsonaro (PL) começaram a perceber a eficiência do governo do presidente Lula (PT). Entrevistado pela Folha de S. Paulo, o petista sergipano disse que “uma série de coisas está acontecendo e é natural que as pessoas vão assimilando as mudanças”. Segundo Macêdo, os avanços gerados pelo governo Lula quebram a resistência dos bolsonaristas: “As pessoas estão vendo que não tem discriminação contra ninguém e que as políticas públicas estão sendo direcionadas para resolver os problemas da população”, discursa Márcio. Ah, bom!

Coisa antiga

Espalhar notícias falsas nas campanhas eleitorais é coisa muito antiga. Novo mesmo só o nome dado à mentira política: fake news. Na campanha eleitoral de 2002, aliados do saudoso ex-governador João Alves Filho anunciaram, com estardalhaço, que o governo de Sergipe iria construir uma refinaria de petróleo na Barra dos Coqueiros. Tinha até nome: Atlântico Sul. Era tudo conversa mole para engabelar os tolos. Homem, vôte!

Propaganda enganosa

E os políticos, em sua maioria, não se cansam de divulgar ações positivas dos próprios mandatos. Gastam recursos públicos para propagandearem falsas verdades. Os distintos relacionam uma série de atividades parlamentares – muitas sem qualquer importância – e concluem dizendo que vivem suando a camisa em defesa do povo, principalmente dos mais pobres. Estranho seria se estes políticos admitissem que seus mandatos são medíocres, só beneficiam eles, os familiares e alguns poucos agregados. Arre égua!

João Alves homenageado

A Prefeitura de Barra dos Coqueiros inaugurou, ontem, o monumento em homenagem ao saudoso ex-governador de Sergipe, João Alves Filho, idealizador da ponte ligando aquele município a Aracaju. Segundo o prefeito Alberto Macedo (MDB), a homenagem simboliza a importância daquela obra para a Barra dos Coqueiros, impulsionando o progresso econômico, social e turístico. Entre outros, prestigiaram a inauguração a ex-senadora Maria do Carmo Alves (PP) – viúva de João – o ex-deputado federal José Carlos Machado (PL), o ex-senador Antônio Carlos Valadares, familiares e amigos do homenageado. Legal!

Vereador covarde

Comenta-se nas esquinas de Sergipe que o PT vai expulsar de suas fileiras o vereador Adelmo Gonçalo, o “Placa”, que espancou a esposa em plena festa na Câmara Municipal de Cristinápolis. Apesar de as agressões físicas terem sido filmadas, o parlamentar petista jurou que apenas estava apartando uma briga entre a esposa e outra mulher. Tomara que realmente direção do PT informe a “Placa” que a porta da rua é a serventia da casa. Desconjuro!

Balaios de gatos

A falta de ideologia política e as mudanças na regra eleitoral colocaram no mesmo balaio políticos das mais diversas tendências. Foi-se o tempo em que o suplicante filiado a um partido não passava nem pela porta do adversário. Era assim com a turma da UDN e do PSD. Hoje, a maioria dos políticos está mais preocupada em se eleger, não importando se, para tanto, tenha que mudar o discurso. Esse negócio de “ideologia, eu quero uma pra viver”, caiu em desuso, ficou restrito à música do imortal Cazuza. Marminino!

Privatização condenada

A informação passada pela Petrobras de que a empresa Carmo Energy não honrou o pagamento de 296 milhões de dólares previsto no contrato de venda do Polo Carmópolis, em Sergipe, deu discurso ao senador Rogério Carvalho (PT). Segundo o petista, “as privatizações para engordar o caixa da Petrobras e distribuir mais dividendos, como foi a do campo de Carmópolis, gerou desempregos e empobrecimento do Estado. Falta competência técnica a várias empresas como esta, que adquiriram ativos da Petrobras, para produzir petróleo”. A Carmo Energy comprou o ativo em dezembro de 2021, por 1,1 bilhão de dólares, mas só pagou uma parte. Misericórdia!

Violência juvenil

Quase um terço dos estudantes entre a 5ª e 8ª séries do primeiro grau já sofreu maus tratos. Segundo pesquisa divulgada pela ONG Plan Brasil, 28% dos jovens entrevistados foram agredidos. Os mais atingidos são os meninos. De acordo com o estudo, 12,5% dos estudantes do sexo masculino foram vítimas de agressão, número que cai para 7,6% entre as meninas. A sala de aula é apontada como local preferencial das agressões, onde acontecem cerca de 50% dos casos relatados. Terrível!

Política desigual

Quase um século após a conquista do voto feminino, as mulheres continuam com pouca representação na política. Embora representem quase 50% dos filiados de todos os partidos, elas ficam com apenas 30% das vagas nas chapas proporcionais, isso mesmo porque os “donos” das legendas são obrigados a respeitar o percentual mínimo imposto pela lei. É preciso condenar o surrado argumento de que “elas naturalmente não se interessam ou não sabem fazer política”. Isso não passa de um preconceito a ser combatido por todos. Alguém já disse, com razão, que a presença feminina contribui para se alcançar a igualdade de gênero, algo essencial na sociedade machista em que vivemos. Crendeuspai!

Corda de caranguejos

Não acreditem muito nessa conversa de que os pré-candidatos da situação permanecerão unidos seja qual for o escolhido para disputar a Prefeitura de Aracaju. Os fuxicos propagados pelos apoiadores dos fidalgos deixam claro que se o prefeito Edvaldo Nogueira (PDT) e o governador Fábio Mitidieri (PSD) não souberem tanger o gado, a boiada estoura tão logo eles anunciem o nome do indicado para disputar a sucessão municipal. Portanto, diferente do que tentam fazer acreditar algumas lideranças, os pré-candidatos governistas se assemelham mais a uma corda de caranguejos, que ao ser desatada, esparrama crustáceos pra todos os lados. Aff Maria!

Bolsonaro não vem

Não passa de fake news a informação de que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) virá a Sergipe logo após o período de descanso numa pousada em Alagoas. O desmentido é do deputado federal bolsonarista Rodrigo Valadares (União). O parlamentar conversou com a assessoria do fidalgo que afastou qualquer hipótese de o ex-presidente dar com os costados em Sergipe por estes dias. Então, tá!

Recorte de jornal

Publicado no jornal aracajuano O Tempo, em 20 de dezembro de 1945.

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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