quarta-feira, dezembro 27, 2023

O passado de André é um obstáculo à candidatura de Yandra

 em 27 dez, 2023 8:30

Adiberto de Souza

Festejada por aliados políticos, a pré-candidatura de Yandra de André (União) a prefeita de Aracaju terá como o principal obstáculo o passado do pai dela. Será difícil convencer os aracajuanos de que, caso a fidalga fosse eleita, André Moura (União) não seria, de fato, o prefeito da capital. Para quem não lembra, André foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a oito anos de cadeia por peculato, desvio e apropriação de recursos públicos, além de associação criminosa, com base em denúncias de graves irregularidades na Prefeitura de Pirambu. Até os políticos governistas se posicionam contra uma possível candidatura da moça. É o caso do senador Alessandro Vieira (MDB): “Não há possibilidade de eu injetar minha energia, meu esforço, num projeto que entregue o cofre de Aracaju para André Moura”, alerta. Antes, Vieira já havia dito que “André é candidato a uma vaga no presídio”.  Não fosse isso, também há no governo quem ache a moça sem qualquer experiência política para administrar Aracaju. Aliás, estes recorrem a uma frase do ex-jogador e hoje senador Romário para negar apoio à pré-candidata, lembrando não ser possível que “ela tenha entrado no ônibus agora e já queira sentar na janela”. Pelo visto, antes de enfrentar os adversários, Yandra de André terá que acalmar os aliados do pai. Misericórdia!

“diploma” falso

O Sindicato dos Radialistas de Sergipe cassou o registro profissional de Alex Henrique Souza Ferreira, sob a alegação que o distinto usou um certificado falso de conclusão de ensino médio para se registrar junto ao Ministério do Trabalho e Emprego. A Rádio Capital/FM de Itabaiana, onde o agora ex-radialista trabalha, será comunicada da decisão e, caso não o coloque no olho da rua, o Sindicato levará o caso à Polícia, alegando exercício ilegal de profissão. Além de manter um programa na emissora, Alex Henrique é vereador em Itabaiana. Marminino!

Turismo amador

Aracaju tem se solidificado como uma cidade que os turistas usam apenas como passagem para outras capitais nordestinas. Ontem, o Bom Dia Brasil, da Rede Globo, deixou isso bem claro. Uma reportagem sobre a ocupação hoteleira para o réveillon na região entrevistou uma turista que disse ter passado algumas horas na capital sergipana antes de seguir viagem para Natal e João Pessoa. Isso ocorre porque os hotéis de Aracaju cobram os olhos da cara e, com raras exceções, o serviço de bares e restaurantes é péssimo. Assim também já é demais também!

Plantando verde

Esse período do ano é propício para se “plantar” informações, nem sempre verdadeiras, sobre futuros acordos e prováveis rompimentos de alianças partidárias. Assim como no pôquer, o blefe é muito comum entre os políticos, treinados em jogar verde para colher maduro. Com o quadro totalmente indefinido, a disputa eleitoral em Aracaju estimula o disse-me-disse entre as lideranças e os cabos eleitorais. O certo é que a maioria dos partidos só vai fechar acordos na última hora das convenções, marcadas para o meio do próximo ano. Até lá, tudo que se diga terá tanto valor quanto uma cédula de R$ 3,00. Home vôte!

Pulou a cerca

O prefeito de Malhador, Assisinho, trocou o PL pelo PSD. A assinatura da ficha de filiação do gestor ao novo partido foi prestigiada pelo governador Fábio Mitidieri (PSD), que aproveitou a passagem pelo município para participar de duas inaugurações promovidas pela prefeitura. Nas eleições passadas, Assisinho votou contra Mitidieri no primeiro e no segundo turnos por orientação de seu líder político e ex-prefeito de Itabaiana, Valmir de Francisquinho (PL). Aff Maria!

Bateu em retirada

Contrariado com a perda do comando do PSB em Sergipe para o grupo comandado pelo governador Fábio Mitidieri (PSD), o ex-senador Antônio Carlos Valadares endereçou carta ao presidente nacional da legenda, Carlos Siqueira, renunciando a 2ª Secretaria do PSB. A queixa dos Valadares foi principalmente porque Siqueira nem ao menos os informou que o vice-governador Zezinho Sobral estava se filiando ao PSB para comandá-lo em Sergipe. Antes de Vavá, Valadares Filho já tinha batido asas do partido pelo mesmo motivo do pai. Ambos ainda não decidiram sobre o novo endereço partidário. Ah, bom!

Balanço positivo

O prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira (PDT), fez um balanço positivo da gestão em 2023. Entrevistado por uma emissora de TV, o pedetista citou uma série de obras inauguradas e iniciadas este ano, com destaque para a Maternidade Lourdes Nogueira. O gestor também destacou o empréstimo de R$ 500 milhões, feito ao banco dos Brics, para a execução do programa Aracaju Cidade do Futuro. Segundo ele, este será o maior pacote de obras da história da cidade. Edvaldo falou ainda sobre os investimentos na educação e em mobilidade urbana. Então, tá!

Pesquisa sem valor

É perda de tempo analisar pesquisa eleitoral para vereador. A euforia de alguns pré-candidatos à Câmara de Aracaju com o resultado de uma recente consulta popular não passa de encenação. Diferente da disputa majoritária, onde se elege o candidato mais votado, na eleição proporcional é preciso saber primeiro quais partidos alcançaram o número mínimo de votos. Só depois se chega aos eleitos, com base no coeficiente eleitoral. Portanto, este tipo de pesquisa serve apenas para que os pré-candidatos saiam por aí divulgando uma informação irreal, visando angariar a simpatia dos eleitores desinformados. Crendeuspai!

Há vagas de empregos

A quem interessar possa: serão abertas vagas para empregos bem remunerados no Tribunal de Contas de Sergipe. Por conta da troca da Mesa Diretora, muitos comissionados do TCE deverão perder a “boquinha”, abrindo espaço para novas contratações. Eleita para substituir o conselheiro Flávio Conceição, a nova presidente Susana Azevedo iniciará sua gestão de dois anos em janeiro próximo, devendo substituir muitos ocupantes de cargos em comissão. E não será difícil ser indicado para cargos que pagam mais de R$ 16 mil/mês: basta ter o QI de quem indica. Arre égua!

Cadê a gororoba?

Ganha uma mariola de goiaba quem souber quando realmente será implantado o prometido “Prato do Povo”. Desde o meio deste ano que o governo Mitidieri (PSD) promete encher a barriga de 4,6 mil miseráveis, só que até agora os coitados ainda não receberam nem uma cuia de farinha. Outro dia, a Secretaria Estadual de Ação Social informou que a gororoba seria distribuída agora em dezembro, mas parece que só no próximo ano. Segundo o governo, mesmo quando o programa for efetivado, aos sábados e domingos os famintos continuarão dependendo da caridade alheia para tirar a barriga da miséria. Só Jesus na causa!

 Recorte de jornal. 

Publicado no Sergipe Jornal, em 30 de dezembro de 1927.

INFONET

Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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