domingo, agosto 29, 2021

Só há ruído sob Bolsonaro porque instituições são fortes, diz cientista político

por Joelmir Tavares | Folhapress

Só há ruído sob Bolsonaro porque instituições são fortes, diz cientista político
Foto: Divulgação/Palácio do Planalto

Porta-voz de uma das principais consultorias de análises de risco do mundo, Christopher Garman, 51, tem levado a seus clientes uma avaliação menos alarmista sobre a possibilidade de uma ruptura institucional no Brasil, mas feito alertas pouco otimistas sobre a situação econômica.
 

"No fundo, um quadro institucional tão robusto é que gera tanto ruído assim", diz à Folha de S.Paulo o cientista político e diretor para as Américas na Eurasia Group, ao comentar a escalada autoritária do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e a guerra declarada por ele a outros Poderes.
 

"Em países onde as instituições não são tão fortes, não se gera ruído, e isso é ruim", afirma ele, minimizando o receio corrente de que os atos bolsonaristas de 7 de Setembro deem vazão a tendências golpistas do mandatário.
 

Para Garman, Bolsonaro ainda tem chance de se fortalecer para as eleições de 2022, mas depende fundamentalmente de elementos que podem afetar neste ano sua popularidade para cima ou para baixo, como a criação do Auxílio Brasil e a iminente crise energética.
 

Cético quanto à possibilidade de uma terceira via competitiva, o analista diz que "importa menos o nome" para uma candidatura alternativa e mais um espaço político para que o projeto decole -o que hoje, avalia, não existe.
 


 

PERGUNTA - Como alguém que analisa o Brasil há 20 anos, o sr. considera o cenário atual atípico? CHRISTOPHER GARMAN - Certamente, é um momento dramático. As expectativas econômicas estão começando a mudar nas últimas três semanas, e 2022 parece um ano mais difícil hoje do que parecia um mês atrás. Não sei se é [um quadro] tão incomum, porque o Brasil tem lidado com vulnerabilidades macroeconômicas e incertezas do manejo fiscal, de forma crônica, nos últimos cinco a dez anos.
 

A crise de confiança na economia advém da crise política, atribuída em grande parte ao presidente? A posição belicosa, a retórica do presidente contra o Judiciário e o questionamento sobre a validade do voto eletrônico colocam uma camada de incerteza institucional que exacerba a preocupação do mercado sobre o lado fiscal. Se a gente tivesse só um ruído institucional do presidente, sem o debate do teto de gastos, o mercado não reagiria dessa forma, não.
 


 

P. - Vê risco de ruptura institucional?
 

CG - Acho que esse risco é muito baixo, abaixo de 5%. Até vejo o Brasil como um país com instituições democráticas bem robustas em relação a seus pares na região [da América Latina] e outros mercados emergentes. Até se pode argumentar que temos tanto ruído neste momento precisamente porque as instituições são fortes.
 

Se você comparar outras lideranças, de direita e de esquerda, com o perfil como o do Bolsonaro, de ser contra o sistema, com [Rodrigo] Duterte, nas Filipinas, [Recep Tayyip] Erdogan, na Turquia, e até mesmo Andrés Manuel López Obrador, no México, diria que eles têm mais controle sobre o sistema político. Com isso, não geram tanto ruído, porque não há tantos freios e contrapesos.
 

A razão de nós termos no Brasil um debate tão grande é porque o governo não consegue controlar o Judiciário, que é independente, e não tem maioria no Congresso, logo tem que formar maioria. A mídia é autônoma e faz um embate com o governo a despeito de críticas. Temos um sistema federativo altamente descentralizado, em que os governadores de estado não só detêm grande controle das forças de segurança, quanto de atributos de serviços públicos e tributação.
 

E, entre os militares, acho que há muito incômodo dos generais da ativa de quatro e cinco estrelas em ter a sua reputação fisicamente associada com o governo Bolsonaro. Uma coisa são os generais palacianos, que tomam parte das dores do presidente. Outra coisa é embarcar em uma aventura. Acho muito improvável. Não é um risco relevante que estou colocando para os nossos clientes.
 


 

P. - Há algum risco mais grave associado às manifestações de 7 de Setembro?
 

CG - O momento é altamente polarizado e há uma briga institucional ferrenha entre o Executivo e o Supremo. O presidente foi eleito em parte como fruto desse ambiente de desconfiança das instituições perante a opinião pública. Ele alimenta essa briga, questiona as regras do jogo. Em um ambiente tão polarizado como este, existe risco de violência, sim, mas eu não acho que chegará ao ponto de representar um risco de ruptura institucional ou democrática. Nenhum lado tem capacidade de se sobrepor ao outro.
 

Acho que vivemos um momento crônico em que a percepção de quebra institucional vai sempre estar maior do que ela de fato é. No fundo, um quadro institucional tão robusto é que gera tanto ruído assim. Em países onde as instituições não são tão fortes, não se gera ruído, e isso é ruim. Significa que um lado está dominando o outro.
 


 

P. - O sr. tem dito que Bolsonaro pode recuperar a popularidade e as chances eleitorais em 2022 se forem bem-sucedidos o Auxílio Brasil e a reforma do Imposto de Renda, duas pautas que travaram no Congresso. Mantém a avaliação?
 

CG - O mau manejo da crise sanitária é a principal razão que levou à queda de aprovação do presidente ao longo do último ano. Pelo meu raciocínio, com o fim da pandemia, daqui a seis meses, a retomada da economia tende a levantar a taxa de aprovação do presidente.
 

E o que adicionaria [popularidade] seria o novo Bolsa Família de um lado e a tabela do IR de outro. Hoje o caminho para a recuperação do presidente parece mais difícil do que três ou quatro semanas atrás. Mas o que está realmente prejudicando o governo é o cenário de menor crescimento somado à inflação em alta. E crise hídrica também é motivo de enorme preocupação.
 


 

P. - Mas é possível falar em controle da pandemia nos próximos seis meses?
 

CG - É claro que a variante delta ainda é um grande ponto de interrogação, mas eu diria que a barra para implementar restrições e lockdowns é alta. Se o padrão hoje está mostrando que as taxas de hospitalização e morte estão bem baixas, acho difícil que o Brasil tenha uma nova onda de restrições de mobilidade.
 


 

P. - da terceira via dizem que um derretimento maior de Bolsonaro favoreceria um candidato alternativo a ele e a Lula. Quais são as chances?
 

CG - Um mês atrás, eu daria 10% de probabilidade para a chance de um candidato de terceira via chegar ao segundo turno. Achava muito difícil perante o ex-presidente Lula, com uma base consolidada na esquerda, e um presidente [Bolsonaro] com perspectivas de se recuperar. Aí é muito difícil haver um espaço. Hoje eu colocaria a probabilidade em 20%.
 

Ainda temos um presidente com vantagens e que acho que deve ter alguma recuperação. Ele perdeu o favoritismo, mas ainda tem alta probabilidade de chegar ao segundo turno, porque possui uma base de 25% [do eleitorado].
 

Vê possibilidade de haver um candidato de terceira via que una forças e partidos? Ele já surgiu? Não, não tem. Muita gente está focada na capacidade de união de forças e em um nome bom. Acho que o mais importante é ter espaço para um candidato de terceira via. Importa menos o nome. Tudo vai depender do índice de aprovação do presidente. Se ele cair um pouquinho mais e não recuperar nada, aí o espaço começa a se abrir.
 

O nome pode ser Ciro Gomes (PDT), que foi o terceiro colocado em 2018? Acho difícil, porque ele ainda tem uma associação com um eleitorado mais de esquerda, e o Lula toma esse espaço. Difícil ele herdar eleitores que votaram no Bolsonaro.
 


 

P. - Qual é a impressão dos clientes da consultoria em relação a uma possível volta de Lula? Querem ouvi-lo? Há preconceito?
 

CG - O mercado sempre está aberto a conversar. A grande preocupação está no lado fiscal. A principal âncora fiscal hoje é o teto de gastos, e o ex-presidente Lula e a cúpula do PT têm um consenso de que esse teto tem que acabar e de que precisamos aumentar gastos para ampliar o crescimento.
 

A mensagem que os investidores recebem é que será um governo que vai aumentar gastos e tributos, em um contexto em que a carga tributária já está muito elevada. Isso preocupa e gera muita inquietação. Acho que, se ele for eleito, não vai ser totalmente irresponsável, de populismo da esquerda, radical. O ex-presidente Lula tem um DNA pragmático. Sempre foi pragmático, como liderança sindical e no governo.
 


 

P. - Dá para cravar um percentual de chance de Lula vencer?
 

CG - Diria que, em um segundo turno entre Bolsonaro e Lula, Lula teria ligeira vantagem, hoje. Mas é muito cedo.
 

O que estamos falando é que o perfil da recuperação da economia é que vai pautar esse resultado. Se o cenário econômico ficar pior do que o projetado pelo mercado, com inflação disparada e uma crise hídrica mais grave, tudo isso pode levar a uma queda maior de aprovação do presidente.
 


 

P. - Impeachment tem chance de passar?
 

CG - É muito difícil impichar um presidente com uma taxa de ótimo/bom na casa de 23%, 25%. Ele tem uma base orgânica na sociedade. E deputados vão ficar com receio de impichar um presidente que ainda possui uma taxa de apoio considerável. Estamos a praticamente um ano da eleição e o presidente está bem mais forte do que os dois últimos presidentes que sofreram impeachment [Fernando Collor e Dilma Rousseff].
 


 

P. - Suas avaliações podem soar otimistas em um momento em que outros analistas e o meio político apontam cenários mais catastróficos. Como responde ao questionamento de que vocaliza uma visão do mercado financeiro?
 

CG - Nossa empresa de consultoria sobrevive por acertar o cenário mais do que errar. Nossa credibilidade deriva exclusivamente de ter um diagnóstico do cenário preciso, isento e sem viés. Os clientes não querem uma defesa do setor, querem um diagnóstico para saber o que vai acontecer.
 

No passado, já fomos acusados de ser petistas, quando apostamos em uma reeleição da presidente Dilma Rousseff em 2014, a partir da leitura das pesquisas eleitorais. Quando colocamos uma probabilidade mais elevada de impeachment mais cedo do que outras consultorias, aí disseram que tínhamos um viés mais conservador.
 


 

RAIO-X
 

Christopher Garman, 51
 

Com cidadania brasileira e americana, é mestre em ciência política pela Universidade da Califórnia e bacharel pela Grinnell College. Atua como diretor-executivo para as Américas na Eurasia Group (empresa de consultoria e análise de risco). Antes, foi analista político sênior da Tendências Consultoria Integrada. Pesquisa temas relacionados à gestão macroeconômica e seus impactos políticos em mercados emergentes, além de possuir estudos comparativos sobre eleições com foco na América Latina

Bahia Notícias

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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