sexta-feira, agosto 30, 2019

O papel da liderança no ressurgimento da engrenagem da máquina governamental

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Uma grande frase do filósofo Mario Sergio Cortella
José Luís C. Zamith
O voto legitima as ações prometidas pelo governante e o empodera para que, após a posse, inicie a implementação das esperadas medidas para resolver os problemas da população. E no espectro de ferramentas para alcançar os objetivos, um dos componentes fundamentais era relevado a segundo plano: o servidor, o funcionário responsável por fazer a máquina andar.
Após a garantia do governador de que os salários dos servidores seriam pagos em dia, mesmo dentro do contexto financeiro atual do Estado, restabeleceu-se a tranquilidade no dia a dia das famílias do funcionalismo público. Mas, além disso, a gestão estadual precisava de algo mais para romper a inércia. Um desafio assumido por mim, enquanto secretário responsável pela governança do governo.
LIDERANÇA – Minha formação de fuzileiro naval alicerçou, como uma de minhas premissas, que não é possível conduzir ninguém para um objetivo se não há liderança. Assim, tendo como norte a chefia do governador, passei a colocar em prática as ferramentas, que forjaram minha formação ao longo da carreira, dentro do meu ambiente de responsabilidade.
Uma de minhas maiores preocupações era como tomar diversas medidas impopulares, como cortes orçamentários, retirada de privilégios, mudanças de local de trabalho, cobranças de horário, padronização de funções e parametrização de gratificações, de forma a não imobilizar ainda mais uma máquina que já não andava.
Precisava olhar o todo, mas fundamental era começar de um jeito que trouxesse resultados satisfatórios para a minha secretaria, já que somos o centro nervoso do governo.
AS MUDANÇAS – No meu “quintal”, o início foi impactante. Comecei pela mudança de local de trabalho, organizando pessoas que estavam espalhadas em vários equipamentos do Estado – pagando aluguel – e concentrando em um só local, o Complexo do Palácio Guanabara.
Os prédios, que antes eram ocupados por 500 servidores, passaram a receber quase dois mil funcionários diariamente, a serviço da Secretaria da Casa Civil, Secretaria de Governo e Secretaria de Desenvolvimento Econômico.
Mexi no enraizamento das pessoas, mas, em contrapartida, busquei melhorar o local de trabalho com algumas medidas, entre elas, acelerar a implantação de um restaurante, com valor acessível, para que os funcionários não precisassem se deslocar e pagar os valores praticados por restaurantes da Zona Sul da cidade.
DIÁLOGO FRANCO – Iniciei também aquilo que considero primordial para uma liderança: transparência e diálogo aberto com os servidores da minha pasta. Diante de qualquer problema, assumi de frente a interlocução e a explicação funcionário a funcionário, dizendo como seria a solução e quanto tempo mais perduraria o problema.
Ao começar a lidar de frente com os servidores, fui surpreendido ao descobrir que essa era uma prática inédita. Antes, secretário de Estado era um ser de uma “corte”, que não se dirigia aos seus “súditos”. Algo surreal e inimaginável para quem pretende ser um dos guias dentro de uma organização.
Ao me aproximar dos servidores da ponta, com um ‘bom dia’, um sorriso, ou uma explicação de ‘para onde o governo se encaminha’, notei uma carência enorme nas pessoas em serem ouvidas.
“NOSSO GOVERNO” – Estabeleci um canal de comunicação, que aos poucos, fez com que as pessoas se sentissem parte da nova gestão. Ouvi muito no início: “o governo de vocês” e hoje, o que mais escuto é “o nosso governo” – um discurso em que as pessoas se colocam como protagonistas desta administração.
A valorização das pessoas, pelo simples fato de realmente serem vistas e ouvidas, foi o pilar fundamental dos resultados que estão sendo alcançados e um componente ímpar na liderança. A partir dessas mudanças, decidi que não poderia mais ficar sentado na minha cadeira, precisava “conhecer o chão da fábrica” e participar da rotina dos nossos colaboradores.
LINHAS DIRETAS – No Palácio Guanabara são realizadas inúmeras reuniões. Por ter funções estruturantes na gestão estadual, minha equipe coordena vários encontros em que é necessária a participação de diversas secretarias.
Aproveitando a oportunidade de aproximação, passei a abrir ou fechar as reuniões, explicando como era o novo governo, qual era a estratégia adotada, as restrições necessárias, e tudo o que o servidor precisava ouvir da boca de um gestor, em vez de ter esse conhecimento apenas pelos jornais, como sempre foi de costume.
Sempre termino as minhas falas com um ‘muito obrigado’. Não custa nada e é a mínima recompensa que podemos dar pelo esforço do trabalho diário.
VISITA SEMANAL – Além disso, estabeleci uma visita semanal a todos os meus subordinados diretos, para pelo menos desejar um bom fim de semana e agradecer a contribuição. Cabe ressaltar que a secretaria que comando funciona com mais de mil servidores. No início, com meu histórico militar, vários vieram me indagar se o que fazia era inspeção. Entretanto, com o passar do tempo, nas poucas semanas em que não tive oportunidade de cumprimentá-los, por causa da agenda apertada, ouvia o comentário: “O Sr. não foi lá na sexta, hein!”.
Por último, tomei a decisão de ligar, diariamente, para os aniversariantes do dia. De segunda a segunda. A praxe era o envio do cartão, mas achei que isso seria muito impessoal. Se todos estão me vendo de perto, como um servidor comum – o que realmente sou – nada mais natural do que pegar o telefone e cumprimentar o meu colaborador de forma pessoal.
Tenho feito isso há mais de um mês e o feedback é muito engraçado. Num primeiro momento, as pessoas não acreditam que seja eu, mas o fim da conversa é quase uma renovação de compromisso entre nós, para que continuemos trilhando o caminho certo.
NOVA ENGRENAGEM – A liderança não perpassa apenas pelo relacionamento. É muito mais. Entretanto, fiz questão de focar este artigo na relação com os servidores, porque isso me saltou aos olhos como um dos principais problemas a serem trabalhados para o restabelecimento da engrenagem. Liderar pessoas é estar próximo, entender o seu subordinado e fazer com que ele compreenda que aquilo que é solicitado é algo que precisa ser feito para beneficiar tanto ele quanto outras pessoas. E isto não custa um tostão.
Com a valorização dos servidores e as mudanças no relacionamento diário, conseguimos um aumento de mais de 25% na performance da Secretaria de Estado da Casa Civil e Governança, em comparação a todo o ano de 2018. Aos poucos, estamos avançando e mudando uma prática enraizada em órgãos públicos. Ainda há muito a se fazer e teremos muitos percalços a enfrentar. Contudo, no meio de uma complexidade enorme que é a administração pública, é possível avançar com simplicidade, determinação e comprometimento.
José Luís Cardoso Zamith é Secretário Chefe da Casa Civil e Governança do Estado do Rio de Janeiro

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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