quinta-feira, agosto 29, 2019

Despesas do TJ-BA somam R$ 249,70 por habitante, segundo relatório do CNJ

Quinta, 29 de Agosto de 2019 - 00:00


por Mauricio Leiro
Despesas do TJ-BA somam R$ 249,70 por habitante, segundo relatório do CNJ
Foto: Reprodução / CNJ
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) publicou nesta quarta-feira (28) às informações relativas à atuação do Poder Judiciário brasileiro no Relatório Justiça em Números. O documento está em sua 15ª edição e se refere a dados de 2018, quando o Tribunal de Justiça da Bahia teve uma média de despesas de R$ 249,70 para cada baiano. Considerando apenas os servidores ativos, o valor chega a R$ 193,40. Já o Tribunal do Trabalho (TRT5), gasta no total R$ 74,10 por habitante e R$ 54,90 sem contar com os inativos. O Tribunal Regional Eleitoral tem um custo mais baixo: consome R$ 20 por habitante e R$ 17,20 não contando os inativos.

Elaborado continuamente desde 2005 pelo Departamento de Pesquisas Judiciárias (DPJ), o Justiça em Números traz dados de 90 órgãos do Poder Judiciário, excluídos o Supremo Tribunal Federal e o Conselho Nacional de Justiça, que possuem relatórios à parte. 

O CNJ divulgou dados para a demanda da população pelos serviços da justiça e das concessões de assistência judiciária gratuita nos tribunais. A assistência Judiciária Gratuita em relação à Despesa Total da Justiça do TJBA foi de 0%. Já na Justiça do Trabalho da Bahia, a taxa corresponde a 0,57%.

O percentual de processos de justiça gratuita arquivados definitivamente pelo TJ-BA foi de 3%. O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia teve o total de 1%.

O relatório aponta os Índices de Produtividade e a carga de trabalho dos Magistrados e dos Servidores da Área Judiciária, que são calculados pela relação entre o volume de casos baixados e o número de magistrados e servidores que atuaram durante o ano na jurisdição (localidade).

A TJ-BA tem o terceiro maior índice de produtividade do país com 2.354 pontos, atrás de São Paulo e Rio de Janeiro. O Tribunal Eleitoral da Bahia também tem o terceiro maior índice de produtividade do país com 123 pontos. O TRT5 fica em último lugar dos tribunais de médio porte com 984 pontos, abaixo da média nacional que é de 1.317 pontos.

A taxa de congestionamento também foi tema do relatório. Ela mede o percentual de processos que ficaram represados sem solução, comparativamente ao total tramitado no período de um ano. O Tribunal de Justiça da Bahia teve 68,1% de taxa total, pouco abaixo da média nacional que tem 73,9%. O TRE-BA ficou bem abaixo da média, com 29,3% dos processos congestionados. O TRT5 teve a segunda maior média nacional, sendo o maior índice das comarcas de médio porte.

O Índice de Atendimento à Demanda (IAD), por sua vez, reflete a capacidade das cortes em dar vazão ao volume de casos ingressados. O Tribunal de Justiça baiano tem 97,5%, abaixo da média nacional que é de 113,7%. O Tribunal Eleitoral da Bahia tem o terceiro maior índice do país com 145,1%, o maior das grandes regiões.

A recorribilidade (índice de recursos protocolados) externa e interna também foi analisada. O cálculo é feito pela proporção entre o número de recursos dirigidos a órgãos jurisdicionais de instância superior ou com competência revisora em relação ao órgão da decisão e o número de decisões passíveis de recursos dessa natureza de tribunais locais e nacionais.

O TJ-BA tem taxa de 6% de recursos externos e 11,8% com os recursos internos. No Tribunal Eleitoral baiano, os recursos externos correspondem a 4,8% e internos a 4%. O Tribunal Regional do Trabalho tem 49,2% de índice de recursos externos e 21,5% internos.

A produtividade dos magistrados também foi analisada, tendo o Tribunal de Justiça da Bahia como o terceiro maior índice produtivo com 2.619 pontos, no primeiro grau, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro. Já no segundo grau a Bahia fica abaixo da média nacional com 915 pontos. O TRE-BA no primeiro grau teve 109 pontos, com a seguna maior pontuação do Brasil, e no segundo grau 546 pontos, perdendo também para o Rio de Janeiro e São Paulo. O TRT5 ficou em último lugar na produtividade em primeiro grau nos tribunais de médio porte com 913 pontos e com 1.409 pontos no segundo grau, ficando abaixo da média que é de 1.505 pontos.

Os servidores do judiciário também foram analisados em sua produtividade. O Tribunal de Justiça da Bahia teve 201 pontos no primeiro grau, sendo o maior entre os tribunais de médio porte e no segundo grau obteve 128 pontos, figurando como segundo colocado entre os tribunais de médio porte. O TRE-BA no primeiro grau ficou com 25 pontos a maior produtividade dos principais tribunais brasileiros e 58 pontos no segundo grau muito além da média que foi de 28. O TRT5 foi o último colocado nos tribunais de médio porte na produtividade do primeiro grau com 121 pontos e ficou com 117 pontos no segundo grau. 

A taxa de congestionamento por tribunal, que é relacionada com o ingresso de novas demandas e mantida a produtividade atual, o TJ-BA no primeiro grau teve 69%, abaixo da média, e no segundo grau com 38% um dos menores do médio porte. O TRE-BA no primeiro grau ficou com 29% no primeiro grau, o último nos tribunais grandes, e 28% no segundo grau, o menor índice entre os grandes tribunais. O TRT5 teve o segundo maior índice no primeiro grau com 59% e o maior na segunda instância, com 63%.

O percentual de casos pendentes de execução em relação ao estoque total de processos também foi analisado pelo CNJ. O TJ-BA tem 48%, um dos maiores dos tribunais de médio porte. O TRE-BA tem 1,1%, abaixo da média nacional. O TRT5 tem a menor taxa entre os tribunais de médio porte.

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

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