sexta-feira, novembro 23, 2012

Pânico na política: Cachoeira anuncia que vai falar ‘na hora certa’

Ed Ferreira e Fernando Gallo (Estadão)
O contraventor Carlinhos Cachoeira rompeu o silêncio na tarde desta sexta-feira (23) e disse a jornalistas que vai falar “na hora certa”. “Vou colocar os pingos nos ‘is’”, afirmou momentos antes de entrar em uma casa em Anápolis, no interior de Goiás, para onde viajou para visitar o túmulo da mãe.
Livre, leve e solto



Relatório inócuo

Carlos Chagas
Depois, dizem que é má vontade. Só que assim não dá. Os comandantes do PT exigiram do relator da CPI do Cachoeira, Odair Cunha, que incluísse em seu texto agressões ao Procurador Geral da República, a jornalistas e até ao governador de Goiás, do PSDB. Cumprida à risca, a ordem só desmoraliza o autor, além de revelar-se inócua. A Justiça jamais aceitará abrir processos de sentido nitidamente político contra as pessoas referidas.

A crise do Judiciário e da magistratura

Humberto Guedes
Podemos falar de crise do Judiciário sob a ótica da magistratura, em vários ângulos. Os magistrados, aqui, são mui melhor remunerados que seriam nos países desenvolvidos, experimentando, em razão disso, distorção da realidade – poder-se-ia imaginar, muito mal comparando a Maria Antonieta, ao estranhar que os miseráveis franceses não comiam brioche, na falta de pão comum.

Suas Excelências, via de regra, ingressam na carreira mui jovens, isto impede-os de adquirir diversificado preparo intelectual, indispensável, pois o Direito é fenômeno cultural e não só um conjunto de regras de conduta, que um guardinha qualquer há de operar por mimetismo mnemônico.


Pesquisa do Conselho Nacional de Justiça mostra que os tribunais continuam acumulando processos

Roberto Monteiro Pinho
Um levantamento sobre o desempenho dos Tribunais estaduais em 2011, realizado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), revela evidências de que há um descompasso entre a produção intelectual da magistratura (em última análise, a finalização de processos como realização do ato de justiça) e o ritmo de trabalho na rotina dos tribunais, marcado por crônica morosidade com que juízes e desembargadores cumprem suas funções no dia a dia.

Os juízes e a voragem do poder

Mauro Santayana
Alguns juízes do STF – felizmente nem todos eles – estão vivendo dias de soberbo deslumbramento, com a condenação dos réus da Ação 470. Sentem-se os senhores da República. Para tal, não se ativeram apenas à letra dos códigos, à jurisprudência conhecida, ou ao saber da experiência feito.


Parlamentares independentes pedem à Procuradoria-Geral da República que Sergio Cabral e Agnelo Queiroz sejam investigados

Carlos Newton
Conforme anunciaram, os parlamentares independentes da CPI do Cachoeira (eles Onix Lorenzoni, Miro Teixeira, Pedro Simon, Randolfe Rodrigues, Pedro Taques e Rubens Bueno) entregaram ao Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, uma representação com dados e sugestões, pedindo o indiciamento de Fernando Cavendish, da empreiteira Delta, e uma investigação de suas relações e negócios com os governadores Sergio Cabral (RJ) e Agnelo Queiroz (DF), pois o relatório da CPI só indiciou Marconi Perillo (PSDB-GO).
 Os três governadores em suspeição






Promotor chama Bruno de 'facínora' e testemunhas e réus de mentirosos

 

 

Missão cumprida Dora Kramer  



Graciella Carvalho apresenta o programa "Malícia" Dilma e Barbosa na sessão solene de posse do ministro no cargo de presidente do Supremo Veículos desviam de postes no meio de estrada em Santana de Parnaíba, na Grande SP
Bar onde atiradores de moto deixaram três mortos, entre eles ativista contra as drogas A promotora de eventos Luciene Neves morta na chacina Vettel, Schumacher e Alonso posam para foto após coletiva de imprensa


proposta


Ministério Público poderá ser proibido de investigar casos de corrupção

Ministério Público poderá ser proibido de investigar casos de corrupção
Projeto que tramita no Congresso limita poderes do MP
 


Polícia Federal vive crise sem precedentes

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Presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais, Marcos Wink, acusa direção da instituição de omissão na solução dos problemas do órgão

Gabeira vê um PT aristocrático, à beira da cadeia

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'Ninguém me tira a palavra', afirma Dirceu

'Ninguém me tira a palavra', afirma Dirceu
 













Alderico acusa Tourinho Neto de favorecer Cachoeira

: Para o juiz da Monte Carlo, Alderico Rocha Santos, desembargador Tourinho Neto impôs "constrangimentos" a ele e a outros dois magistrados que atuaram no processo que tem como réu o contraventor e mais 80 pessoas 1





Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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