sábado, julho 14, 2012

OS FICHAS SUJAS DE JEREMOABO...

As eleições municipais estão aí

Confira lista do TCM que pode deixar 965 políticos inelegíveis
Eleitor, as eleições municipais estão aí. Demonstre maturidade e responsabilidade escolhendo bem, independente de partido político, os seus representantes municipais. Mas não vote em candidato ficha suja. Vote em alguém que goze de boa reputação cultural, política ou social. Também não reeleja ninguém. Política não é profissão, é mandato transitório. A reeleição política tem transformado a vida política em cabide de emprego, e o Parlamento em escritório “particular” de negócios escusos de muitos políticos, bem como contribuído para a corrupção política brasileira.
Hoje, assistimos aos mandarins da política nacional, formados pela velha-guarda de políticos reeleitos, com ideias ultrapassadas, recalcitrantes e resistentes ao tempo e ainda com muito apetite aos cargos da República, que deveriam ser repelidos pelo voto popular.
Dê oportunidade aos novos candidatos e de preferência àqueles sem relacionamento de parentesco com os políticos em atividade, para quebrar o vínculo das nocivas oligarquias ou dinastias políticas. Os legislativos e os executivos nacionais têm que se renovar sempre, porque é saudável à democracia e à oxigenação política. Ninguém é insubstituível, somente Ele lá em cima.
Não dê asas ao cabide de emprego político. Enquanto você ou um parente ou um amigo podem estar desempregado, os oportunistas políticos, sem objetivos sérios, estão batendo às suas portas para pedir votos e conseguir emprego fácil às suas custas. Fique atento, no caia na lábia fácil de candidatos espertos que prometem rios de favores ou sinalizam com realizações que não podem fazer. Vote com consciência.
Se você não encontrar candidato que mereça o seu voto, vote em branco ou anule o seu voto. A democracia deve ser exercida sem coação, sem obrigação de votar. Mesmo que você negue o seu sufrágio, continuará com direito de exigir dos políticos e dos governos cumprimento de mandato na forma constitucional, porque você é quem paga os salários dos políticos nacionais, com as suas contribuições tributárias.
Por fim, não dê o seu voto a nenhum candidato pulador de galhos, ou seja, aquele que em plena vigência de mandato político comete o chamado “estelionato eleitoral” para se candidatar a outro pleito. Por exemplo, há muitos parlamentares que estão se candidatando às prefeituras municipais. Se forem eleitos, interromperão os seus mandatos dando um mau exemplo de seriedade política.(Portal do Nassif)




OS FICHAS SUJAS DE JEREMOABO (Com informações do TCM-BA e G1),

 JOSADILSON DO NASCIMENTO 
 JOÃO DANTAS DE JESUS
JOÃO BATISTA MELO DE CARVALHO
SPENCER JOSÉ DE SÁ ANDRADE


Clique aqui e veja a lista completa.


 

 

 

Fonte: Insoonia

 

 

Já está em vigor a lei mais rigorosa para crimes de lavagem de dinheiro. E daí?

Carlos Newton




O fim ou o começo?

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          Brazil Photo Press/Folhapress

         

         

        Cartilha orienta católico a rejeitar candidato corrupto


        Documento que já está sendo entregue a fiéis prega reflexão para voto consciente 

         

         


        O presidente da CNBB, dom Raimundo Damasceno: o voto consciente como ferramenta da democracia
        (Foto: AE)
        A Igreja Católica volta a se engajar na política e inicia um trabalho de orientação aos fiéis para as eleições municipais de outubro com foco no combate à corrupção. Organismos vinculados à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) estão disponibilizando a cartilha Eleições Municipais 2012: cidadania para a democracia.

        A proposta é ajudar na reflexão pelo voto consciente para evitar que a crise política que atingiu muitas cidades, inclusive Campinas — que teve dois prefeitos cassados, se repita no futuro.

        “Há um desejo de toda a população de que a Ficha Limpa não seja aplicada só aos políticos, aos candidatos a prefeito e vereador, mas a todos aqueles que vão ocupar um cargo. O bom prefeito, bom vereador, deve escolher colaboradores competentes, honestos, capazes de ajudá-lo no exercício de sua função”, afirmou o presidente da CNBB, d. Raimundo Damasceno, na assembleia que orientou os religiosos a divulgarem em suas dioceses a cartilha — preparada em parceria do Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB), Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP), Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara (Cefep) e pastorais.

        “Colocar na urna não só o voto pessoal, mas a consciência de que o voto tem consequências para a vida do povo, para o futuro do País”, afirmam os organizadores na apresentação da cartilha. O ex-vereador Carlos Signorelli e a ex-prefeita Izalene Tiene, do PT, que integram o Conselho Nacional do Laicato do Brasil, ajudaram a elaborar o texto.

        Todas as dioceses estão distribuindo o material, algumas gratuitamente e outras cobrando o preço simbólico de R$ 1,50. Em Campinas, o acesso ao material será durante a 5ª Semana Social Brasileira, que ocorrerá entre os próximos dias 10 e 12, no Externato São João. Segundo a coordenadora da Comissão de Leigos, Beatriz Raphael, a reflexão sobre a eleição ocorrerá durante o evento, debatendo o voto consciente.

        A cartilha lembra que, em 2010, a CNBB e outras entidades conseguiram aprovar um projeto de iniciativa popular que torna inelegíveis candidatos com passado sujo — a lei da Ficha Limpa. “É essencial conhecer e discutir com os candidatos aos cargos em disputa, seus nomes, seus passados, inclusive trazendo para as reflexões todo material que possa informar a respeito. Ficha suja não merece crédito e nem voto”, afirma Beatriz.

        A cartilha chama a atenção para o fato de que a corrupção também está presente nos municípios e que ela ocorre por meio das licitações e seus aditamentos, nas verbas recebidas por meio de transferências e projetos, nas contratações de lixo, no aluguel de equipamentos, nas empresas de segurança e no transporte coletivo.

        A atuação do poder Legislativo merece, segundo os organismos da Igreja, especial atenção. “Muitos vereadores não cumprem sua função de legislar e, quando o fazem, se limitam a apresentar projetos que concedem títulos e homenagens a pessoas de seu interesse ou dão denominações de lugares públicos que possam agradar ao eleitor”, diz o texto.

        Fundamentado na metodologia “ver-julgar-agir”, o material traz uma análise sobre a crise do Estado, da democracia, a responsabilidade de cada cidadão e os desafios para o cristão na política. A terceira parte é dedicada ao “agir atento aos sinais do Espírito” e chama a atenção para a ação coletiva, a importância do voto cidadão.

        A Igreja avalia que quem não cuida honestamente de seus negócios pessoais ou empresas não tem condições de representar o povo. “Escolha candidatos que não trocam seu voto por tijolos, bolsas de alimento, remédios, promessas ilusórias para melhorar seu bairro”, aconselha. Além disso, o material sugere que o eleitor vote em candidatos que respeitam e valorizam a família.

        Entre os critérios, a cartilha orienta a votar em quem valoriza a educação das crianças, adolescentes e jovens, o ensino religioso e a saúde. Em quem respeita a vida em todas as idades, é contra o aborto, respeita a natureza, promove o saneamento básico e a construção de moradia em lugares sem risco. Em quem apresenta projetos por transporte digno e se compromete com a segurança e paz da sociedade.

        Voto consciente

        O bispo de Amparo, d. Pedro Carlos Cipolini, está exortando os católicos de sua diocese a não votarem em corruptos e nem em quem difama ou combate a Igreja Católica.

        Em um texto que acompanha uma cartilha elaborada por organismos nacionais da igreja para orientação dos eleitores, o bispo afirma que “escolher um candidato é escolher um plano político, uma visão de homem e de cidadão, e escolher o futuro de sua cidade. Por isso, o voto deve ser responsável, expressão de um antes, durante e depois”.

        D. Pedro informou que foram adquiridas 20 mil cartilhas elaboradas pelo Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB), Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP), Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara e pastorais sociais. Nelas, foi anexada sua mensagem.

        O material é distribuído nas igrejas da diocese, nas missas do último domingo. Integram a diocese as cidades Amparo, Águas de Lindoia, Holambra, Itapira, Jaguariúna, Lindoia, Monte Alegre do Sul, Mogi Mirim, Santo Antonio de Posse e Serra Negra.

        “A aspiração do povo é ter políticos com ficha limpa, honestos, mas ainda há um jeito antigo de fazer política, como se a corrupção fizesse parte. Mas o povo quer outra coisa, porque as pessoas sofrem na carne com a corrupção. Cada dinheiro desviado dos cofres públicos deixa de ir para a saúde, a habitação, a educação”, afirmou.

        O bispo diz que a cartilha foi recomendada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para orientar os cristãos nas eleições. “A Igreja Católica não faz política partidária, mas tem o dever de participar porque está empenhada no bem comum e é formada por cidadãos e cidadãs”, disse.

        Assim, a orientação é para que o eleitor examine a vida da pessoa em quem vai votar, veja se é temente a Deus, se não é corrupto e se está comprometido em trabalhar pelo bem do povo, respeitando o processo democrático. Ou se está somente em busca de poder para si e seu partido. D. Pedro disse que o eleitor católico pode votar em um não católico que seja justo, mas que não seja inimigo da Igreja.


          A charge mostra o descrédito com a classe política



        Nota da Arquidiocese de Salvador

        sobre as eleições municipais



        Orientação sobre a participação dos católicos nas eleições


        “Antes de tudo, peço que se façam súplicas, orações, intercessões, ação de graças, por todas as pessoas, pelos reis e pelas autoridades em geral, para que possamos levar uma vida calma e tranquila, com toda a piedade e dignidade. Isto é bom e agradável a Deus, nosso Salvador.”
        (1ª Carta de Paulo a Timoteo 2,1-3)
        A autêntica ação política está profundamente enraizada na construção do bem comum da sociedade. Para nós, católicos, essa ação é consequência de nosso compromisso de levar o Evangelho ao dia a dia de nossa vida. Cabe-nos trabalhar incessantemente para buscar uma sociedade justa, fraterna e solidária. As frequentes notícias de corrupção, particularmente no mundo político, não podem tirar nossa esperança de alcançar esse fim – ao contrário, obrigam-nos a levar a luz da fé às realidades que formam o tecido social, buscando dar fim a tais fatos.
        Tendo isso em vista, e conscientes de que são necessárias grandes mudanças na vida pública, nós, membros do Conselho Presbiteral da Arquidiocese de São Salvador da Bahia, tendo como referência a Mensagem da CNBB, intitulada “Eleições municipais de 2012”, de 21 de abril de 2012, sentimo-nos movidos a apresentar aos fiéis e às pessoas de boa vontade alguns critérios que julgamos conveniente serem observados, para que cada um exerça com plena consciência e clareza o dever de votar.

        1. O valor do voto

        O voto é uma forma especial de participar diretamente das escolhas políticas. Por meio dele, cada pessoa dá sua própria contribuição à construção do bem comum; portanto, de modo algum é lícito vendê-lo ou trocá-lo por favores pessoais. Assim, recomendamos a cada eleitor que:
        Reflita, individualmente e em grupo, sobre os critérios de escolha dos que podem receber seu voto; analise as propostas e a história dos candidatos; procure informações confiáveis sobre eles; enfim, escolha com plena liberdade aquele que considerar o mais indicado para receber o seu voto. É bom lembrar que o eleitor que anula seu voto omite-se e renuncia à possibilidade de participar do processo político.
        Avalie, com cuidado, as campanhas dos candidatos, a quantidade de dinheiro gasto e as promessas feitas. Verifique se eles terão condições de cumprir o que estiverem prometendo. Atenção especial deve ser dada à propaganda enganosa, à oferta de dinheiro ou a favores que visem enganar o eleitor.
        Busque, depois das eleições, acompanhar o desempenho dos eleitos. Sua participação política não pode se resumir ao voto nas eleições.

        2. Os partidos políticos

        O eleitor deve procurar informar-se sobre o programa do partido do candidato, para saber se é coerente com os valores que a comunidade política deve tutelar em busca do verdadeiro bem comum. Dentre esses valores, destacamos a defesa da vida, desde a concepção até o seu fim natural, e a da dignidade do ser humano; a defesa da família, segundo o plano de Deus; a garantia da liberdade de educação, que comporta a boa qualidade da escola pública e a defesa da escola particular, salvaguardando o ensino religioso confessional e plural, de acordo com o princípio constitucional da liberdade religiosa, reconhecido no recente Acordo entre o Brasil e a Santa Sé.

        3. Os candidatos

        Nunca é demais ressaltar que a Igreja Católica, por força da sua missão universal, não tem partidos ou candidatos próprios; incentiva, sim, que o voto seja dado a candidatos que, por sua vida pública, competência e trajetória política gozam das condições requeridas para o exercício das funções que pleiteiam. Fazendo valer a Lei da “Ficha Limpa” que, por decisão do TSE, se aplicará a estas eleições, deve-se vigiar e cuidar para eliminar do pleito os candidatos, cuja vida pregressa, de acordo com essa lei, contamina o cenário político e ameaça a democracia.
        Os candidatos, para merecerem nosso voto, devem ser capazes de apresentar e executar propostas adequadas aos desafios sociais mais relevantes da vida de nossas cidades – por exemplo: educação, saúde, segurança, transporte, trabalho, saneamento, pobreza etc.

        O uso de espaços institucionais da Igreja

        Defendendo o direito e o dever do engajamento político dos fieis leigos, a Igreja pauta sua relação com a comunidade política pela colaboração e autonomia. Por isso, considera relevante definir critérios para o uso de seus espaços:
        Os espaços de igrejas e organizações religiosas não devem ser cedidos para iniciativas de campanhas partidárias;
        Os candidatos que, independentemente do período eleitoral, são participantes da comunidade e da ação pastoral, devem continuar recebendo o apoio e o incentivo para a realização de sua missão;
        Caso a comunidade considere necessário ouvir as propostas dos candidatos, sejam realizados debates com a presença de vários deles. Nessas ocasiões, evitem-se faixas, cartazes ou qualquer outro tipo de sinais de apoio a candidatos.
        O período das eleições, momento importante na vida da sociedade, deve ser marcado por um autêntico espírito democrático que assegure “a participação dos cidadãos nas opções políticas” e garanta “aos governados a possibilidade quer de escolher e controlar os próprios governantes, quer de substituí-los pacificamente, quando isso se torne oportuno” (Compêndio da Doutrina Social da Igreja, n. 406).
        Oriente-nos, em momentos assim, a observação que lemos na Carta aos Hebreus: “Deus vos torne aptos para todo bem, a fim de fazerdes sua vontade. Que ele realize em nós o que lhe é agradável, por Jesus Cristo, ao qual seja dada a glória pelos séculos do séculos. Amém!” (Hb 13,20-21).

        Salvador, 06 de junho de 2012.
        * Pelo Conselho Presbiteral,
        Dom Murilo Krieger, scj
        Arcebispo de São Salvador da Bahia
        Dom Gregório Paixão, osb
        Bispo Auxiliar de São Salvador da Bahia
        Dom Gilson Andrade da Silva
        Bispo Auxiliar de São Salvador da Bahia



        Nem ação do MP rompe aliança Haddad-Maluf

        O crime nem sempre compensa, Juquinha

        Edição/247

        Justiça de Goiás determinou o confisco dos bens acumulados pelo ex-chefe da Valec, a estatal que cuidava das bilionárias obras nas ferrovias; decisão inclui três mansões em Alphaville e várias fazendas; num grampo da Operação Trem Pagador, o deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP) avisou: “Vai dar m...”; será que a investigação pode chegar a peixes maiores?

         

         

         


         

         




 

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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