sábado, dezembro 17, 2011

Charge do Sponholz

.

ESTADO DE DIREITO X ESTADO POLICIAL

Nos últimos anos houve uma considerável intensificação das ações policiais, principalmente da Polícia Federal com o objetivo de desarticular esquemas de corrupção, fraudes, lavagem de dinheiro e etc., os denominados “crimes do colarinho branco”, expressão utilizada para conceituar aqueles crimes cometidos por políticos, empresários, juízes, enfim, pessoas que, em regra, pertencem a classe média-alta.

Apesar da extrema necessidade de combater os referidos crimes, a pólicia vem extrapolando os limites legais de sua atuação, o que acaba por contribuir com a impunidade que assola o País.

A Carta Política de 1988 consagra em seu art. 5ª os direitos e as garantias fundamentais do cidadão, independentemente de sua raça, credo, cor ou classe social, ou seja, a lei é uma só e vale para todos, ou pelo menos “deveria” valer.

Muito embora no artigo 5º esteja assegurado o direito a inviolabilidade do domicílio, o sigilo das telecomunicações, correspondências, a liberdade, a intimidade e a vida privada, a realidade nos mostra que para a Polícia Federal tais direitos não passam de estória e “conversa fiada”, pois acreditam que estão acima da constituição, e assim, na maioria das vezes, ao arrepio da lei, interceptam ligações sem autorização judicial, invadem domicílio sem mandado judicial, implantam provas, deixam vazar informações sigilosas para imprensa e montam um verdadeiro espetáculo, parecendo desenho animado de super-heróis.

A conseqüência de todas essas encenações é uma só: a anulação total da operação, ou seja, se a polícia não respeita os limites impostos pela constituição, a investigação já se inicia viciada e todas as demais provas, por derivação, serão contaminadas pela ilegalidade, portanto, passíveis de anulação, o que favorece a impunidade.

Não raro o Superior Tribunal de Justiça e principalmente o Supremo Tribunal Federal vem decretando a anulação das operações da Polícia Federal, e esta, sabendo da ilegalidade dos seus procedimentos, e como forma de pressionar o Poder Judiciário, convida a imprensa para transmitir todo o espetáculo circense, manipulando a opinião pública, criando um clamor público, induzindo os juízes a julgar de acordo com a vontade popular, como se estivéssemos na idade média, onde o povo sentenciava em praça pública.

Os juízes, seja ele de uma comarca ou tribunal deve fazer valer a Constituição, não se deixando influenciar pelo clamor público, pois vivemos sob o império da lei, devendo prevalecer à vontade desta em detrimento da opinião pública. A lei representa a vontade popular, já que fora criada por representantes legitimados constitucionalmente, destarte, ao aplicar a lei o magistrado exterioriza a vontade do povo.

No dia 14.12.2011, o site www.conjur.com.br, publicou matéria em que o Ministro Gilmar Mendes criticava a forma de atuação da Polícia Federal: “Numa democracia, o direito se acha nas leis, não nas ruas. Um juiz não ecoa o brado dos que reivindicam ou o alarido dos que reagem. A tarefa de um magistrado é aplicar os códigos segundo a vontade que o povo consolidou nas instituições, não segundo as maiorias de ocasião ou as minorias influentes. Clamor Público não é critério de justiça”.

Um Estado Democrático de Direito não comporta atitudes fascistas, autoritárias e arbitrárias, sob pena de voltarmos à época da ditadura, onde as liberdades e garantias fundamentais foram suprimidas, com prisões, torturas e mortes, as quais até hoje não foram esclarecidas.

Não estou aqui defendendo a impunidade, somente sou a favor da obediência aos direitos mínimos dos cidadãos, pois as conseqüências de atos e suspeitas infundadas podem ser desastrosas e irreparáveis, pois da maneira que a polícia vem procedendo, faz com que haja um pré-julgamento ainda na fase de investigação, maculando para sempre a vida da pessoa investigada, pouco importando se futuramente a mesma será inocentada, o que violenta de morte o princípio da dignidade da pessoa humana.

Igor Montalvão

Adv. do Escritório Montalvão Advogados Associados.

Pós-Graduando em Direito do Estado

igormontalvao@montalvao.adv.br

Os dez concursos mais cobiçados de 2012

Agora é estudar. Concursos previstos para o ano que vem prometem empregos no serviço público com salários que superam os R$ 19 mil

O SOS Concurseiro/Congresso em Foco prepara para você uma seleção dos melhores certames previstos para o ano que vem. Carreiras do Executivo Federal oferecem remunerações de até R$ 19,7 mil e muitas vagas no próximo ano

Continue Lendo...


TJ mantém afastamento de conselheiro do TCE



O problema não é o livro de Amaury Ribeiro Jr., mas a estratégia petista de divulgá-lo, para encobrir a corrupção atual.

Martim Berto Fuchs

1. Não é o livro sobre as “privatizações” do FHC que me desagrada e sim a estratégia petista de plantar o mesmo texto em tudo que é artigo de todos os principais blogs. A isto chama-se tropa de choque, ou, para quem conhece a história, os camisas pardas da internet.

2. O lançamento se deu em dezembro e os pedidos de CPI, prontos, estavam apenas no aguardo. Com comentários que nem sequer se deram ao trabalho de modificar, sempre copiados, infestaram a internet, dando a entender que era a “revolta” da população. Essa estratégia funciona com ingênuos.

3. Desde que iniciaram a coleta de assinaturas, estão afirmando que a CPI está confirmada. Uma mentira muitas vezes repetida torna-se uma “verdade”. Técnica também copiada de seu ex-homônimo alemão.

4.
O PT está há 9 anos no Poder. Os assuntos trazidos à baila no livro são todos conhecidos e anteriores. Por que só agora, justamente quando deverá ser julgado o mensalão, cujo chefe escapou por seguir a orientação do seu Ministro da Justiça na época, “não sei de nada”, mas o restante da quadrilha está toda para ser julgada, é que foi lançado um livro sobre o assunto, concomitantemente com o pedido de instalação de CPI?

5. Os mesmos que alardeiam o livro sobre as “privatizações” do FHC, calam sobre o livro “O Chefe” – Ivo Patarra. Por quê ? Que defesa do patrimônio público é esta ?

6. Não satisfeitos, e para jogar uma cortina de fumaça sobre os “méritos” do ungido do chefe do mensalão para a eleição da capital paulista, e desviar novamente a atenção sobre os malfeitos do seu partido nos últimos 9 anos, tentam arrumar uma bandeira para empunhar contra seus oponentes, qual seja, mais uma CPI, desta vez sobre assunto passado lá pelos idos de 1970, Operação Bandeirante.

7. Não existem coincidências no jogo bruto e sujo da política brasileira, pois os dois lados lutam tão somente pela chave do cofre. Depois do referendo, que somos obrigados a participar e que chamam de eleição, vão ao Piantella bebemorar as nossas custas. Charutos cubanos e vinho estrangeiro.

8. O que penso das “privatizações” do FHC já expus várias vezes, mas não custa relembrar. Não houve privatização, houve uma “venda” para amigos.

9. E para coibir o mau funcionamento das empresas “vendidas” a particulares, foram criadas as Agências reguladoras. Estatais. Os políticos e seus partidos travam uma briga de foice e martelo no escuro para ocupá-las. Por que essas agências não funcionam? Ora, se não funcionam, o governo de plantão deve tomar alguma atitude. Por que o poder ocupado pelo mesmo grupo há 9 anos nada faz ? Estão esperando o quê? Perder o poder para daí ter o que criticar ?

Venho repetindo. Não precisamos de intermediários, partidos políticos, escolhendo “a dedo” aqueles que nos serão impostos como candidatos. Sem eles no comando, teremos candidatos bem melhores aos cargos eletivos. Se esta prerrogativa for tirada dos partidos, tenha certeza, o Brasil começará a ter futuro.

A crise do Poder Judiciário e a importância do Conselho Nacional de Justiça

Fernando Montalvão

O Poder Judiciário sempre foi uma caixa preta, fechada em torno de si mesma, a amparar antigos vícios e privilégios não mais suportados pela sociedade moderna que exige transparência. Mário Albiani, ex-presidente do Tribunal de Justiça da Bahia dizia que o Judiciário vivia em uma redoma, embora o sentido atribuído à palavra tenha sido para exigir uma participação maior do juiz na comunidade.

A ministra corregedora do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Dra. Eliana Calmon, fez uma afirmativa que sacudiu a nação quando disse que no Poder Judiciário havia bandidos de toga que corresponderiam a 1% da magistratura. A maioria dos Conselhos do CNJ, capitaneado pelo min. Cezar Peluzo, presidente do Supremo e do CNJ, rebateu a afirmativa e emitiu nota de repúdio à ministra, nota que não contou com a adesão dos representantes do Ministério Público e da OAB no CNJ.

O Conselho Nacional da Justiça surgiu como pressão da sociedade para que se tivesse algum controle administrativo-financeiro-disciplinar sobre o Judiciário. O CNJ é instituição recente e nasceu com a emenda 45, que tomou o nome de Reforma do Poder Judiciário, mas que efetivamente ainda não aconteceu. Com o surgimento do CNJ a Associação dos Magistrados Brasileiros e outras congêneres se ouriçaram.

O CNJ veio como resposta à letargia das Corregedorias Internas das Cortes, especialmente das Estaduais, e o corporativismo reinante. Logo depois da instalação do CNJ, as Cortes de Justiça, como a dizer que o CNJ não era necessário, passaram a ter uma atuação disciplinar maior em relação aos magistrados. Mas as Cortes Estaduais de Justiça de São Paulo, Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro são fechadas e agem com toda resistência.

Por falar em Tribunais, enquanto o STF, a quem compete o resguardo da Constituição, tem 11 Ministros, o STJ a quem compete interpretar a legislação infraconstitucional é composto de 33 ministros. Já os Tribunais de Justiça de São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais apresentam mais de uma centena de desembargadores cada. O Tribunal da Bahia é composto de 35 desembargadores e pretende chegar a 53, número que se acredita ideal. Particularmente, acho um exagero, e quantificação não significa qualificação.

O desembargador Antonio Pessoa, um dos grandes magistrados baianos, afirmou em artigo no jornal A Tarde que o magistrado no Brasil folga demais, já que por lei há uma previsão de 99 dias/ano de descanso. Se transformar a previsão em horas a coisa fica mais acintosa.

A grande massa dos magistrados brasileiros é de homens íntegros e merecem credibilidade. Mas há juízes com desvio de conduta, que deve ser considerado não somente quando o magistrado age sob tráfico de influência ou mediante paga, devendo ser entendido como desvio de conduta o juiz despreparado, quando então é sempre arbitrário, ou o desidioso. Tem juiz que passa uma eternidade sem proferir sequer uma sentença de mérito.

Embora o juiz tenha a obrigação de residir na sede da Comarca, nem sempre isso significa dizer que ele esteja sempre ali. Para atender a exigência, o juiz loca um imóvel e viaja quando quer. Raro é encontrar magistrado trabalhando na comarca das 2ª e 6ª feiras. O normal é seu expediente começar ma terça à tarde e se prolongar até a manhã de 5ª.

A Justiça Federal se revelava como incólume à corrupção e a desvios de conduta, o que não se tem revelado com certeza depois da atuação do CNJ.

Segundo o Consultor Jurídico, edição de 07.12.2011, o STJ afastou desembargador Francisco de Assis Betti do Tribunal Regional Federal da 1ª Região e o Ministério Público acusa Betti, a desembargadora Elisângela Maria Catão Alves, também do TRF-1, e outras cinco pessoas de montarem um esquema de liberações de mercadorias apreendidas pela Receita Federal e de venda de decisões para a liberação indevida do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) a prefeituras mineiras em débito com o INSS. À época da denúncia (2008), Betti e Alves eram juízes federais. Outros magistrados são acusados de favorecer donos de bingos com decisões.

Noutros Tribunais Federais a dinâmica vem sendo a mesma e juízes (de primeira instância e dos tribunais) vão sendo afastados, e não são poucas as denúncias. A maioria das queixas no CNJ é por retardo na prestação jurisdicional pelo juiz. Se for realizado levantamento dos processos licitatórios das Cortes para construções faraônicas, a coisa ficará mais séria. As denúncias envolvendo o Poder Executivo Nacional residem nos processos licitatórios, com foi o caso do Tribunal Regional do Trabalho, em São Paulo.

AMANHÃ: Justiça da Bahia, um caso à parte

Nos jornais: Dilma diz que “não é hora” de dar reajuste aos servidores

Ator Sérgio Britto será enterrado amanhã

Ator Sérgio Britto será enterrado amanhã

Um dos maiores nomes do teatro brasileiro morreu em decorrência de problemas cardiorrespiratórios; velório ocorre neste momento no Rio

comentários

Um olhar sobre o mundo

Manu Brabo/AP

ESPECIAL: Um ano de Primavera Árabe

Morte de Kadafi lança desconfiança sobre a nova Líbia

Circunstâncias da caça ao ditador ameaçam manchar legitimidade do conselho de transição

/ Crédito: Paparazzo Confira fotos inéditas da bailarina Carol Vieira



Biblioteca virtual dá acesso a livros e documentos sobre a BA

Pesquisa é gratuita, sem necessidade de cadastro prévio. Há ainda livros para download


Vamos torcer pelo Santos, e vale tudo para vencer, até gol feito com a mão, em impedimento.

Carlos Newton

Jader surpreende ao antecipar diplomação no Senado

Sergio Lima - 23.nov.11/Folhapress
Barrado em 2010 pela Lei da Ficha Limpa, Jader Barbalho tomará posse no Senado por decisão do STF)
Barrado em 2010 pela Lei da Ficha Limpa, Jader Barbalho tomará posse no Senado por decisão do STF

As 20 causas do aumento da violência e da morte, por homicídio, de mais de 1 milhão de pessoas nos últimos 30 anos no país

Milton Corrêa da Costa

Marcelo Mirisola adverte: literatura faz mal pra saúde

Stolen Blues Boys Band: roda mais um ministro

No Fórum, Lizete Sebben: o plebiscito no Pará

Carnavalesco Joãosinho Trinta morre aos 78 anos

Carnavalesco Joãosinho Trinta morre aos 78 anos
Foto: Divulgação
Um dos mais famosos carnavalescos da história do Rio de Janeiro morreu, na manhã deste sábado (17), após passar quase duas semanas internado na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do UDI Hospital, em São Luís (MA). João Clemente Jorge Trinta, o Joãosinho Trinta, venceu vários carnavais por diversas escolas de samba do Rio de Janeiro e ficou eternizado pela frase: “Quem gosta de miséria é intelectual, pobre gosta de luxo”. Natural do Maranhão, ele estava recentemente morando na capital do estado e era contratado da Secretaria Estadual de Cultura para realizar um cortejo que marcaria os 400 anos de fundação de São Luís.
.

Sai o calendário oficial de benefícios do INSS em 2012

Previdência divulgou ontem as datas dos pagamentos de 2012. Quem ganha só o mínimo recebe antes

MPREGO
PT homologa candidatura
de Pelegrino amanhã

Dilma Rousseff assume que é conivente com a corrupção. Na versão dela, até Fernandinho Beira-Mar poderia fazer parte do ministério.

Carlos Newton


Charge do Alpino (Yahoo Brasil)


Privataria Tucana': falta de apoio do PT pode inviabilizar CPI

Petistas como o presidente da Câmara, Marco Maia, e a própria presidente Dilma Rousseff demonstram pouco interesse no tema




Ministros evitam polemizar

Brasil

Garagem é para uso de quem é condôminio

Garagem é para uso de quem é condôminio

Lei veta venda ou aluguel de vaga a quem é de fora de prédio; proposta segue para sanção da presidente Dilma Rousseff

comentários

Sobrinho quer vender parte de ilha da Família Sarney por R$ 20 mi

- Eduardo Kattah, de O Estado de S.Paulo -

Gustavo Macieira pretende negociar 12,5% dos 16 mi de metros quadrados da propriedade no Maranhão

Em 2020, até 25% dos carros novos da Ford serão híbridos ou elétricos’

Segundo o diretor John Viera, preços dos modelos cairão significativamente com novas tecnologias


Sérgio Augusto

Crimes sem castigo

Sérgio Augusto

Dora Kramer

Elogio à impunidade

Dora Kramer


Sabático

O adversário de Deus

Christopher Hitchens defendia ciência e razão

Chad Rachman/AP


Alagoinhas é a campeã no número de políticos infiéis

por David Mendes

Alagoinhas é a campeã no número de políticos infiéis
Sete dos 13 que ocupam cargos eletivos correm o risco de perder o mandato
O município de Alagoinhas, no Recôncavo baiano, é o campeão no número de políticos que ocupam cargos eletivos e respondem a processos na Justiça Eleitoral por infidelidade partidária. Dos 13 membros que compõem os poderes Executivo e Legislativo municipal, sete correm o risco de perder o mandato por terem mudado de partido sem justificativa. Entre eles estão o prefeito Paulo Cesar Simões (ex-PSDB), que abandonou as asas tucanas e foi abrigar-se no PDT, partido do presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, Marcelo Nilo, e ainda o seu vice, Marco Antunes Cardoso, que pediu desligamento do PTN em setembro último e está sem partido. Dos 11 vereadores da Câmara, cinco poderão ceder a cadeira aos seus suplentes. Entre os edis infiéis estão José Edésio, que saiu do PSDB e foi para o PDT, mesmo partido do alcaide; José de Oliveira, ex-PTN, agora no PPS; Miguel Silva, que deixou der ser petista e passou a ser pedetista; Raimunda de Souza, que desfilou-se do PRB e foi para a sigla de Paulo César; e Jorge dos Santos, que debandou do PP e aterrissou no PSB. Uma resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) diz que o político que pede desfiliação sem declarar “motivo justo” pode perder seu cargo eletivo e, quando a legenda não formular o pedido, o MPE ou quem tenha interesse jurídico pode fazer o requerimento. O próprio procurador no estado, Sidney Madruga, já havia acionado o gestor por entender que ele descumpriu a lei, com vistas somente às eleições de 2012. O autor da denúncia contra os vereadores foi o suplente de Edésio, Jorge Barreto Campos (PSDB).



Lei de proteção a domínios '.br' é aprovada por unanimidade

por Juliana Almirante

Lei de proteção a domínios '.br' é aprovada por unanimidade
O Projeto de Lei que visa estabelecer normas para registros de domínios na internet nas categorias sob o .br, de autoria do deputado federal Claudio Cajado (DEM-BA), foi aprovado nesta quarta-feira (14), por unanimidade na Câmara dos Deputados. A proposta pretende proteger não só os detentores de marcas comerciais, mas também pessoas jurídicas de direito público e celebridades cujos nomes ou pseudônimos são de amplo conhecimento público. O objetivo da nova legislação, segundo o autor, é coibir um grande número de oportunistas que se valeriam de um antigo princípio da internet que, permitia que o "primeiro que chegar seja o primeiro a ser servido". O democrata justifica que muitos registram domínios com nomes de pessoas e marcas já há muito conhecidas, sem a devida autorização e com intuito de lucrar posteriormente com a comercialização destes domínios. As novas determinações do projeto passam a valer como lei a partir da publicação no Diário Oficial.



Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

Mais visitadas