domingo, janeiro 30, 2011

A meta: esfolar o cidadão comum

Carlos Chagas

Num objetivo acoplam-se perfeitamente o interesse público e o interesse privado, melhor dizendo, a ação dos agentes públicos e dos agentes privados: é na voracidade de depenar o cidadão comum. Para cada lado que se olhe acontece a mesma coisa. Ainda agora, em Brasília, o governo local vai distribuir os talões de pagamento do IPTU. A média dos “reajustes” deve ser de quase 100%. Quem pagou ano passado mil e poucos reais será taxado em mais de dois mil reais. E assim por diante.

A rapinagem não será tão grande quanto a praticada pelo ex-governador José Roberto Arruda, mas de qualquer forma os prognósticos parecem trágicos. Será um exagero, porque a inflação, ano passado, não passou de 6%, mas se não estrilarmos, não se falará mais no assunto. Trata-se de falta de exercício da cidadania, para a maior parte da população.

Deveriam os brasilienses ir em frente e exigir do governo local uma explicação: quem determinará os abusivos reajustes? Uma iniciativa de amanuenses aloprados, de chefes abomináveis, ou lá de cima, mesmo, através de no mínimo, a concordância do governador com esse ato explícito de esfolamento do semelhante? Claro que ninguém vai investigar, muito menos o governo do Distrito Federal, ficando o dito pelo não dito, ou o esfolado pelo não esfolado.�

Passando do plano estadual para o federal, nem será preciso referir que enquanto as grandes empresas burlam o fisco, empenhando-se anos e até décadas a fio em batalhas judiciais sem pagar impostos e tributos, milhares de contribuintes comuns, dos que vivem de salário, são assoberbados com notificações da Receita para comprovarem despesas médicas e outras, nas declarações anteriores do Imposto de Renda. Parece o caminho para o poder público vangloriar-se do aumento de arrecadação.

Mas tem mais, lá e cá. Ainda esta semana os assinantes da famigerada NET estão sendo surpreendidos não apenas com o aumento das mensalidades, mas com a supressão de razoável número de canais antes acessados conforme os contratos. Para assisti-los, agora, será necessário pagar por fora, como no caso anterior de torneios de futebol e de filmes não tão velhos quanto os apresentados normalmente. Isso sem falar em que, quando lançados os canais a cabo, a promessa era de que não conteriam publicidade ou propaganda de qualquer espécie.

Só isso? Nem pensar. Também no último ano do presidente Lula o governo autorizou o aumento generalizado no preço dos remédios. A informação era de que tudo se limitaria a 4%. Vá o leitor reclamar na farmácia da esquina. Mesmo proibidos os reajustes, eles não pararam de acontecer nos últimos doze meses. Agora, autorizados, passam de 30%.

Reclamar para quem? No setor público, mesmo com o advento dos companheiros ao poder, primeiro municipal, depois estadual e agora federal, continuam a fluir as propinas e comissões pela realização de qualquer tipo de obras ou contratação de serviços. Só que com um detalhe: antes, cobrava-se 10%. Hoje, a regra é de 30%.�

Essa simbiose entre o público e o privado parece não ter limites. Quem não disporá de um exemplo a mais, no seu dia-a-dia, para demonstrar como somos explorados?

VERSÃO REAL OU FANTASIOSA?

Corre nos meios diplomáticos que durante a visita do presidente Hu Jintau, da China, aos Estados Unidos, houve tempo para que conversassem fora da agenda, olho no olho, assistidos apenas por intérpretes da maior confiança. Foi a hora de falarem duro. Barack Obama teria deixado claro que se os chineses colocassem os americanos na fogueira por conta da pujança econômica, de um lado, e a crise ainda latente, de outro, Washington teria condições de retaliar, até mesmo denunciando o regime chinês como ditatorial. Melhor seria que acomodassem interesses.

O visitante teria aberto o jogo, dizendo não dispor a China de outra solução a não ser seguir em frente em sua expansão, até atropelando parte do planeta. Explicou que do bilhão e trezentos milhões de chineses, apesar de todo o progresso econômico lá verificado, apenas 400 milhões estavam tendo acesso aos benefícios da modernidade. Sobravam 900 milhões ainda vivendo na pobreza, limitados no interior, sem permissão para aproximar-se do milagre a que terão acesso apenas com o tempo.

Provocar esse equilíbrio instável através de campanhas mundiais contra a China seria correr o risco de uma explosão que só o regime fechado consegue conter. Nessa hipótese, todos os interesses estrangeiros, em especial americanos, em seu território, seriam reduzidos a pó. Valeria à pena esse confronto?

Se não é verdadeira essa versão, pelo menos tem lógica…

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