quarta-feira, janeiro 26, 2011

Marxismo, Comunismo, Socialismo, realidade e ficção. Genialidade de Marx, mistificação do carrasco Stalin. A revolução não poderia surgir na Rússia. Se fosse na Inglaterra, teria resistido.

Helio Fernandes

GBR: “Helio, nunca pensei que você fosse marxista. Não esconde o sentimento e a preferência pela coletividade, minha admiração não diminuiu. Acredita que algum dia haverá governo marxista? Obrigado”.

Comentário de Helio Fernandes:
Você faz perguntas ótimas, embaraçosas mas bem colocadas. Por isso, espero que algum dia, dependendo de você mesmo, traduza essas três letras no nome verdadeiro.

Não sou marxista e sim grande admirador de Marx. Desde que tomei conhecimento de sua obra, imediatamente percebi sua genialidade, total e abrangente. Gênio mesmo, não só na formulação da tese (começando pelo “Manifesto”, logo seguido pelo “O Capital”, insubstituível), mas como pensador, analista, filósofo, escritor, debatedor, historiador. Homem que VIU o futuro e APRENDEU com o passado, é naturalmente polêmico, adorado e odiado, o que é o mais comum e acontece com gênios como ele.

Marxismo não é forma de governo, portanto jamais haverá “governo marxista”. A partir de 1918 e do fim dos 300 anos dos Romanoff, o Soviet Supremo, formado por 9 membros, precisou fazer ou refazer tudo, incluindo inicialmente o nome do novo país.

A ideia de Lenine e Trotsky era colocar no nome, toda a identificação da antiga Rússia. Na Constituinte de 1777/1778, nos EUA, grande discussão a respeito da definição do nome do país. Essa discussão vinha da extraordinária Convenção da Filadélfia, e os 7 fundadores reconhecidos pela Constituição, estavam a favor de uma identificação definitiva e definidora.

Ficou sendo Confederação dos Estados Unidos da América do Norte. Além da questão territorial, adotaram o político e o administrativo. Lenine e Trotsky tinham a mesma ideia. Desses 9 membros do Soviet Supremo, o pensador e maior intelectual era Trotsky. Mas o líder natural que mandava e era obedecido, Lenine, sem qualquer restrição.

Desde 1918, quando sofreu o atentado que o mataria em 1923/24 (ficou com uma bala “colada” no coração, não podia nem ser operado, todos recusavam a cirurgia, por causa da localização da bala) era tido e havido como o líder indiscutível.

Na Rússia que acabara, no novo país que surgia, a mesma controvérsia que aconteceu nos EUA. Alguns dos 9 do Soviet, chegaram a propor União das Repúblicas Marxistas Comunistas. Como esses 9 membros eram nominativos, mas apenas dois decidiam, esses dois ficaram intransigentes e resolveram de forma diferente.

Lenine e Trotsky não admitiam de forma alguma as palavras MARXISMO e COMUNISMO. Admiradores ferrenhos de Marx, vetaram a identificação, sabiam que Marx concordaria. Apenas recusaria a Rússia como país-sede da Revolução. Exigia massa de trabalhadores industrializados e esclarecidos, o que acontecia na Rússia era escravidão e escravatura pura e simples.

Lenine e Trotszy concordaram com União das Repúblicas, mas cortaram as outras palavras sugeridas, acrescentaram: SOCIALISTAS SOVIÉTICAS. Estavam cobertos de razão. Nem Comunismo nem Marxismo eram formas de governo, serviam apenas como rótulos de ocasião. Decidiram que inicialmente o governo da antiga Rússia, seria SOVIÉTICO. Depois então, definitivamente, teria que ser SOCIALISTA, que era o objetivo final, o que consideravam como a grande vitória da comunidade.

(Por questões complexas e variadas, incluindo a morte de Lenine, o banimento e expulsão de Trotsky, o medo de uma parte do mundo, e a visão GENIAL de Marx, que esperava que o Socialismo surgiria na Inglaterra por causa da Revolução Industrial de 1780, e não num país atrasadíssimo como a Rússia, o Socialismo nunca foi alcançado ou conquistado).

O Stalinismo foi o responsável principal e fundamental para o fracasso do Socialismo soviético. Primário, inculto, carrasco que acreditava na violência “como forma de realizar”, Stalin não permitiu o sucesso da idéia. Ganhou uma sobrevida e até repercussão internacional, com a Segunda Guerra Mundial.

O mundo ficou estarrecido, surpreendido mas dominado por aquele Stalin vestido com belíssimo uniforme branco, aparecendo sempre ao lado de líderes naturais como Roosevelt e Churchill. Terminada a Guerra, Stalin voltou para a selvagem politicalha de terror e incompetência.

Além disso, teve que enfrentar a “guerra fria”, com o desperdício de BILHÕES de dólares, o genial “Plano Marshall”, e a “corrida armamentista”, os EUA utilizando dólares falsos, enquanto a União Soviética estraçalhava seu orçamento.

***

PS– É muita coisa para um dia só. Em outra oportunidade, examinaremos. Stalin morreria 7 anos depois, não deixaria saudades e sim um país (e um sistema político) arruinado e destroçado.

PS2 – O mundo pode durar mais 5 mil ou 50 mil anos, e Marx ainda será História e realidade. Não importa que metade da coletividade esteja contra ele, é natural.

PS3 – Mas os outros 50 por cento continuarão a adorá-lo. Não seria diferente, como Marx desejava ardentemente que a Revolução surgisse na sua amada Alemanha.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011 | 05:07

Banco Central: quem tem mais de 100 mil dólares no exterior, precisa prestar contas

Helio Fernandes

A Circular 3.523 do BC está atormentando muita gente. Motivo: quem tiver no exterior depósitos que superem essa importância, terá que apresentar o total desses BENS, VALORES e a PROCEDÊNCIA.

A data final é 28 de fevereiro, e foi incluído um item que preocupa fortemente: “Ações e títulos de outros países precisam ser demonstrados, e sua procedência provada”.

Muitos lembram logo de Paulo Maluf e Daniel Dantas. O deputado está livre, os 242 MILHÕES DE DÓLARES que garantem que ele tem no exterior, “NÃO EXISTEM”. Pelo menos é o que ele proclama e repete com insistência.

Em relação a Daniel Dantas, o problema não deveria ter dificuldades para ser equacionado e resolvido. O empresário (?) tem importância enorme no exterior, e deve também uma fábula à Receita dos EUA, que “confiscou” todo o dinheiro. Como Dantas poderá se livrar da declaração?

Neste momento é obrigatório lembrar a frase famosa de Daniel Dantas e fazer a pergunta. A frase: “Tenho medo da Polícia e da Primeiro Instância, lá em cima em resolvo. A pergunta: “O Banco Central está lá em cima”, na avaliação de Dantas?

***

PS – Segundo levantamentos repetidos, brasileiros têm mais de 300 BILHÕES DE DÓLARES no exterior. Há muitos anos vários governos ofereceram FACILIDADES se trouxerem esse dinheiro, ninguém confia nos governos, venham de onde vierem.

PS2 – Agora surgiu problema novo com exportadores e importadores. Eles têm 210 dias para recolherem a importância ao Tesouro. Como o dólar está muito baixo, os exportadores pedem PRORROGAÇÃO DO PRAZO.

PS3 – Existe também (com as exceções naturais), o SUBFATURAMENTO na exportação, e o SUPERFATURAMENTO na importação. Esses empresários são poderosos e inatingíveis, como alcançá-los?

PS4 – Desculpa dada e aceita até agora: com a crise financeira mundial, a inadimplência é total, como recolher ao governo as importâncias que NÃO RECEBERAM? Pelo menos é o que dizem e até garantem.

Helio Fernandes/Tribuna da Imprensa

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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