sexta-feira, setembro 25, 2009

Refúgio, asilo, exílio, fuga à perseguição, injustiça, palavras corretas ou deturpadas, que infernizaram a vida de homens que lutaram e pagaram um pre

No Império e na República, o Brasil tem travado luta contra seus melhores homens, perseguindo-os, privando-os da liberdade, até mesmo impedindo que vivessem no país onde nasceram. Lembrando, honrando e homenageando alguns deles, tento ligá-los às palavras do título, para que alguns se recordem do que fizeram, ou os que não conhecem os fatos, passem a admirar os personagens.
(Como ponto de partida, o episódio sem grandeza de Honduras, onde golpistas sacrificam o cidadão e a população, em nome da ambição. Pelo menos Zelaya e os que tomaram o Poder são utilizados para exaltar a liberdade, e os que se sacrificaram por ela).
O primeiro ASILADO do Brasil, além da família Imperial, foi o então Primeiro Ministro, Visconde do Ouro Preto, em 1889. Praticamente Republicano, (como o próprio Imperador Dom Pedro II) vai conversar com Rui Barbosa. Convida-o então (lógico em nome de Dom Pedro) para Ministro da Justiça.
Resposta de Rui: “Por favor agradeça ao Imperador. Não posso aceitar, estou envolvido num projeto que será executado com o Imperador, se for possível, sem ele se for necessário”. Era a República. Divagação e não informação. Se Rui tivesse aceito, talvez a República fosse a dos Propagandistas e não a dos marechais.
Nessa República, a primeira vítima é o próprio Rui. Deodoro e Floriano se apossaram do Poder, brigaram, Deodoro deu o golpe em 3 de Novembro de 1891, Floriano derrubou Deodoro 20 dias depois, tinha que fazer eleições, não fez, ficou como ditador.
Rui comandou a oposição, foi perseguido teve que se EXILAR. Primeiro em Buenos Aires, depois Lisboa, Paris, Londres. Com a posse de Prudente, voltou, foi senador em 1896.
Em 1930, o presidente Washington Luiz, derrubado, foi ASILADO nos EUA, junto com seu chanceler Otávio Mangabeira. Em 10 de Novembro de 1937, no mesmo dia da implantação do Estado Novo, Vargas ASILOU o ex-presidente da República (grande Nacionalista) Artur Bernardes e o diretor proprietário (altamente Conservador) do Estado de S. Paulo, Julio Mesquita Filho.
Em 1941 foi a vez do grande Monteiro Lobato. Perseguido e preso incomunicável por Vargas, solto vai para o EXÍLIO nos EUA. Em 1936, publicara o livro, “Escândalos do Petróleo”. (Já naquela época). Em 1941 escreve ao ditador impressionante carta-libelo ainda sobre o petróleo. Carta que devia ser desenterrada pela SITUAÇÃO e OPOSIÇÃO e distribuída aos alunos da escola primária até às universidades.
Em 1957, perseguido por Juscelino que tenta cassá-lo, proíbe sua ida à televisão, (junto com o jornalista Millor Fernandes, o único jornalista a sofrer tal represália) Carlos Lacerda se ASILA na embaixada de Cuba. Absolvido, retoma o mandato, inferniza o governo, ou melhor, os governos.
Quase 20 anos depois, vem o golpe de 1964, PRISÕES, CASSAÇÕES, EXÍLIOS, ASILOS em massa. Arraes, governador, preso logo no dia 1º de Abril é mandado para Fernando de Noronha, é ASILADO, só volta em 1979.
Jango, Brizola, Marcio Moreira Alves e muitos deixam o país da forma que era possível, são ASILADOS OU EXILADOS. Os guerrilheiros são quase todos mortos, os que escapam vão para o exterior.
Terroristas da ditadura resolvem copiar o que se faz na Argentina, tentam jogar 50 resistentes VIVOS, no mar, do alto do avião. Publicam uma lista com 50 nomes, sou o número 37. Apesar da censura implacável, escrevo artigo protestando contra a minha colocação como 37 na lista dos que devem ser jogados VIVOS dos aviões. Provo que só posso ser no máximo, no máximo, o número 5, ou o número 1 dos que estão no Brasil. Sou preso, mais uma vez, do que adianta?
* * *
PS- Afirmo, reafirmo, confirmo: haja o que houver não saio do Brasil, fico aqui do primeiro ao último dia da ditadura. Rendo homenagem aos EXILADOS, foram obrigados a sair ASILADOS. Aqui ou lá fora, são os heróicos resistentes.
PS2- Depois de tantos exemplos que vêm desde o Império e atravessam a República, inventam a palavra HOSPEDADO para exibir um aventureiro que não é HÓSPEDE de ninguém. Essa palavra desonrosa, nada a ver com ASILADO ou EXILADO.
Fonte: Tribuna da Imprensa

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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