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Nota da Redação Deste Blog -
EDITORIAL: Saudosismo e Sede – O "Novo Normal" do Desabastecimento em Aracaju
Por José Montalvão
Diz o ditado popular que a gente só dá valor ao que tem quando perde. Hoje, o aracajuano olha para o passado e suspira: éramos felizes com a antiga gestão do abastecimento e não sabíamos. Com a chegada da empresa Iguá, a promessa de modernidade e eficiência parece ter escorrido pelo ralo, dando lugar a uma realidade seca e revoltante. A falta d'água, antes uma exceção, tornou-se o "novo normal" na capital sergipana.
Nesta segunda-feira, 22 de abril, o desespero de quem abre a torneira e só ouve o barulho do vácuo transbordou para as ruas.
1. O Grito de Socorro na BR-235
O bloqueio da BR-235, logo na entrada de Aracaju, foi o ápice de uma paciência que chegou ao limite. Pneus queimados, fumaça negra e o trânsito interrompido não foram atos de vandalismo gratuito, mas um grito de socorro de moradores que não aguentam mais a humilhação de passar dias sem o básico para a higiene e sobrevivência.
Os manifestantes não queriam apenas "queimar borracha"; queriam ser ouvidos pela Iguá Sergipe. Queriam o respeito que o contrato de concessão exige e que o pagamento das faturas deveria garantir.
2. Notas que Explicam, mas não Justificam
A Iguá emitiu uma nota oficial informando que o vazamento em uma adutora de 800 mm na Estação Elevatória de Água Tratada 3 (EEAT 3) afetou 16 localidades da capital. A previsão de conclusão é para o meio-dia desta quarta-feira, com normalização "gradual".
Para o cidadão que está com a louça acumulada, o banheiro sem condições de uso e os filhos sem banho, essa nota é papel seco. Explicar o problema técnico é obrigação, mas não justifica a recorrência. Onde está a manutenção preventiva? Por que Aracaju se tornou tão vulnerável a qualquer rompimento de tubulação? Uma empresa que assume o saneamento de uma capital precisa ter planos de contingência rápidos, e não deixar o povo à mercê da "gradualidade" de um serviço essencial.
3. A Gestão Privada sob Suspeita
A promessa da privatização ou das parcerias com empresas como a Iguá era a de que o investimento privado traria agilidade. O que vemos, por enquanto, é uma queda brusca na qualidade do atendimento. Se o sistema antigo tinha falhas, ele ao menos mantinha uma regularidade que hoje parece um sonho distante.
O "lucro" não pode vir antes do "fluxo". Se a empresa não consegue garantir a água na torneira, ela está falhando no seu propósito básico. O povo de Aracaju paga caro, e paga em dia. Receber ar no lugar de água é um estelionato social.
Conclusão: O Povo não é Invisível
A interdição da BR-235 é um aviso: o aracajuano não vai aceitar o desabastecimento como destino. A Iguá Sergipe precisa entender que lidar com saneamento é lidar com a dignidade das pessoas.
Enquanto a água não volta, a pressão popular deve continuar. A prefeitura e os órgãos de fiscalização precisam sair da inércia e cobrar multas pesadas e soluções definitivas. Ou a Iguá mostra a que veio, ou a sede de justiça do povo vai continuar parando as rodovias. Aracaju tem sede de respeito!
Blog de Dede Montalvão: Fiscalizando o descaso, dando voz ao povo e cobrando o que é de direito.
José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da ABI (C-002025)