Publicado em 19 de abril de 2026 por Tribuna da Internet

Messias teria hoje 43 votos favoráveis – dois a mais que o exigido
Rafael Moraes Moura
O Globo
Apesar da intensa campanha de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) contra a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) ao longo dos últimos meses, aliados do presidente do Senado já reconhecem reservadamente que o ministro-chefe da Advocacia-Geral da União conta, hoje, com votos favoráveis para ser aprovado pelo plenário.
De acordo com o mapa feito pelo time do próprio Alcolumbre, Messias teria hoje 43 votos favoráveis – apenas dois a mais que o exigido pela Constituição Federal. Se por um lado esse número denota um avanço, já que na semana passada o presidente do Senado ainda dizia que o ministro de Lula tinha menos de 30 votos, por outro expõe as dificuldades que ainda persistem no caminho do chefe da AGU.
DECLARAÇÕES – O mapeamento tem sido feito e atualizado diariamente tanto do lado de Alcolumbre quanto no de Messias, com base em declarações públicas dos parlamentares, posicionamentos oficiais das bancadas e sinalizações reservadas dos senadores – ainda que a votação, secreta, abra margem para traição de todos os lados.
No entorno do presidente do Senado, a expectativa é a de que Messias seja aprovado num patamar similar ao do procurador-geral da República, Paulo Gonet, reconduzido ao cargo em novembro passado com 45 votos “sim”, o placar mais apertado desde a redemocratização para um chefe do Ministério Público Federal (MPF). Diferentemente de Messias, Gonet contou com o apoio de Alcolumbre.
Já entre aliados do advogado-geral da União a previsão é a de uma votação um pouco mais folgada, entre 48 e 50 favoráveis. Essa “guerra de números” faz parte do jogo de convencimento que ocorre antes das votações, com os apoiadores em geral inflando o resultado favorável e os opositores subestimando o adversário.
MAIOR REJEIÇÃO – Da atual composição do STF, os ministros que mais enfrentaram rejeição no Senado, por motivos distintos, foram Flávio Dino e André Mendonça, ambos aprovados com 47 votos.
Dino despertou a rejeição da tropa de choque bolsonarista que torce o nariz ao perfil beligerante do ex-ministro da Justiça do governo Lula – e viu na sua indicação uma oportunidade de dar um recado de reprovação à administração petista. Já Mendonça, que tem ajudado a campanha de Messias, foi rifado pelo governo Bolsonaro e enfrentou uma dura campanha de lideranças do Centrão que preferiam ver no Supremo o inerte Augusto Aras.
“O governo Lula tem força no Senado para ajudar Messias, e Davi está tirando o pé”, disse reservadamente ao blog uma fonte que acompanha de perto as movimentações da Casa.
JOGO VIROU – Ao invés de fazer uma votação-relâmpago em dezembro, Alcolumbre decidiu marcar a sabatina de Messias para abril, o que permitiu ao indicado de Lula ganhar um total de quatro meses para procurar os 81 senadores que vão selar o seu destino. Até aqui, ele já conversou com mais de 70, incluindo o pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, com quem se reuniu em dezembro do ano passado em um escritório de advocacia em Brasília.
Além disso, Messias tem a seu lado o Palácio do Planalto, com Lula fazendo pressão nos bastidores pela sua aprovação, e até mesmo opositores entraram em campo para ajudá-lo – como o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro.
Também ajuda Messias o fato de que, dos 10 ministros do Supremo, pelo menos quatro estão se movimentando nos bastidores pela sua aprovação: Gilmar Mendes, Cristiano Zanin Martins, Kassio Nunes Marques e André Mendonça. Os dois últimos foram indicados por Bolsonaro e têm bom trânsito entre parlamentares da oposição.
APOIO – Messias é membro da Igreja Batista, enquanto Mendonça é pastor da Igreja Presbiteriana. Nos mapeamentos de votos tanto de aliados de Alcolumbre quanto de Messias, a expectativa é a de que o chefe da AGU tenha o apoio de parte dos parlamentares evangélicos, com “traições” até nas legendas que fazem oposição ao governo Lula e se manifestaram contra a indicação, como o PL. “No PL, o Messias consegue uns cinco votos, pelo menos”, estima um apoiador.
A última vez que um indicado pelo presidente da República ao Supremo foi rejeitado pelo Senado Federal foi em 1894, no governo Floriano Peixoto. Messias conta com seus aliados no governo Lula, no STF e no Senado para manter esse precedente intacto.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Se o Supremo já tem Dias Toffoli, Alexandre de Moraes, Nunes Marques e outras preciosidades, por que não acolher Jorge Messias, que não é melhor nem pior do que eles? Mas há controvérsias, e nesta segunda-feira, dia 20, a Tribuna da Internet vai mostrar, com absoluta exclusividade, que Messias foi beneficiado por uma gravíssima fraude em concurso público, praticada por Guido Mantega e Dias Toffoli. Não deixe de ler a Tribuna amanhã, com uma verdadeira bomba contra Messias. Você vai se surpreender. Os senadores, também. (C.N.)