Oposição recorre contra derrota de relatório da CPI do Crime no Senado
Por Redação
18/04/2026 às 19:15
Foto: Carlos Moura/Arquivo/Agência Senado
Fabiano Contarato
Senadores da oposição recorreram à Senado Federal para tentar anular a votação que rejeitou o relatório da CPI do Crime Organizado. O documento, elaborado por Alessandro Vieira, pedia o indiciamento de ministros do Supremo Tribunal Federal e do procurador-geral da República, mas foi derrotado por 6 votos a 4. A reportagem é do jornal O Globo.
O recurso foi apresentado pelos senadores Eduardo Girão, Magno Malta e Marcos do Val, que criticam mudanças na composição da CPI no dia da votação. Segundo eles, a substituição de parlamentares teria alterado artificialmente o resultado e esvaziado a força proporcional da comissão.
Na sessão decisiva, deixaram o colegiado senadores favoráveis ao relatório, como Sergio Moro, sendo substituídos por nomes alinhados ao governo. A estratégia foi vista pela oposição como determinante para a rejeição do parecer.
A decisão final sobre o recurso caberá à Mesa Diretora do Senado, presidida por Davi Alcolumbre, que já sinalizou resistência ao relatório. O documento rejeitado apontava suspeitas de interferência nas investigações e criticava decisões do STF que teriam limitado a atuação da CPI.
Politica Livre
Nota da Redação Deste Blog -
A CPI do Espetáculo vs. A Realidade do Crime
Enquanto o crime organizado avança sobre o território nacional, infiltrando-se em prefeituras, portos e na economia formal, parte do Senado parece mais interessada em usar as comissões como palanque ideológico ou escudo protetor.
O "Tiro no Pé" e a Cabeça na Areia
A crítica de que os senadores agiram como avestruzes é precisa. Ao focar o relatório em embates diretos com o STF e a PGR — figuras que já possuem seus próprios ritos de fiscalização — e ignorar o "tripé" que realmente sustenta o crime no Brasil (políticos corruptos, empresários lavadores de dinheiro e facções), a CPI perdeu sua razão de ser.
A Omissão Estratégica: Quando o relatório se torna uma peça puramente política, ele dá o pretexto perfeito para que o "centrão" e a base governista manobrem as cadeiras e derrubem o texto.
A Manobra das Cadeiras: A substituição de nomes como Sergio Moro por parlamentares alinhados ao governo no dia da votação é o jogo bruto do regimento. É legal? Sim. É moral? Questionável. Mas é a consequência direta de uma CPI que nasce mais preocupada com o "lacre" nas redes sociais do que com a investigação técnica de lavagem de dinheiro.
Prioridades Invertidas
O Brasil realmente tem urgências que não podem esperar. Enquanto senadores discutem recursos para anular votações de relatórios que já nasceram natimortos, o crime organizado profissionaliza sua logística e sua influência no Estado.
O Veredito: Enterrar a cabeça no buraco não resolve o problema; apenas deixa o resto do corpo exposto ao "tiro de canhão". Ao se omitirem de investigar quem financia e quem lava o dinheiro do crime, esses parlamentares não estão apenas sendo ineficientes; eles estão sendo cúmplices da estagnação do país.
O Senado deveria ser a casa revisora e inteligente da República, mas, nesse episódio, comportou-se como um tabuleiro de interesses onde o Brasil é sempre o jogador que perde
José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da ABI (C-002025)