Relembrando uma das primeiras Cavalgadas de Jeremoabo.
EDITORIAL: A Cavalgada de São Jorge e o Valor do Chão Sertanejo – Entre o Progresso e a Memória de uma Demolição
Para falarmos dos imensos benefícios que a Cavalgada de São Jorge traz para Jeremoabo, é preciso, antes de tudo, exercitar a nossa memória. Como bem citou o pensador Leandro Flores:
"Os problemas do sertão todos nós já estamos acostumados a enfrentar... O que mais dói é perceber que esses problemas ainda persistem, se renovam e se fortalecem, mesmo com a modernidade de nossos tempos atuais."
Essa dor descrita por Flores se materializa em Jeremoabo quando lembramos do crime administrativo cometido pela gestão anterior: a demolição do nosso Parque de Exposição. Um bem público, um patrimônio do povo, foi posto abaixo, privando o município de uma infraestrutura central que organiza o agronegócio e a cultura. Foi um malefício imposto a cada jeremoabense que vive da terra e da lida com o animal.
1. Da Diversão ao Vultoso Movimento Econômico
O que começou como uma simples diversão para um grupo de agricultores e trabalhadores da zona rural apaixonados pela montaria, transformou-se em uma festividade de vulto. Hoje, a Cavalgada de São Jorge é reconhecida como esporte e cultura regional do Nordeste, sendo um dos maiores motores da nossa economia.
Diferente do descaso do passado, a gestão atual entende que o cavalo e o vaqueiro são peças-chave no desenvolvimento do município.
2. O Impacto nos Setores da Nossa Economia
A realização de eventos como este movimenta uma cadeia produtiva gigantesca, que vai muito além do dia da festa:
Agronegócio e Setor Primário: Impulsiona a criação de cavalos, venda de genética, indústrias de ração e medicamentos veterinários. O setor de selaria e acessórios de couro ganha um fôlego extra, valorizando o artesão local. No Brasil, eventos desse nicho, como a vaquejada, chegam a movimentar mais de R$ 800 milhões anuais.
Serviços e Turismo: Jeremoabo atrai visitantes de cidades e estados vizinhos, aquecendo a rede hoteleira, pousadas, restaurantes e bares. É o turismo rural mostrando sua força.
Comércio Local e Informal: Da barraca de comida típica ao vendedor ambulante, todos ganham. A cavalgada gera oportunidade de renda imediata para quem mais precisa, fortalecendo o empreendedorismo da nossa terra.
3. A Necessidade de um Polo de Atração
O Parque de Exposição, que nos foi tirado, atuava justamente como essa infraestrutura central. Ele era o ambiente para leilões, feiras de agricultura familiar e concursos de marcha. A ausência desse espaço estruturado é uma cicatriz deixada pelo ex-prefeito, mas a pujança da Cavalgada de São Jorge prova que a cultura do nosso povo é resiliente.
Mesmo sem o parque que demoliram, Jeremoabo se agiganta. A união das comitivas e o apoio da atual administração garantem que o impacto econômico regional aconteça, gerando empregos e valorizando o homem do campo que, por tanto tempo, foi esquecido.
Conclusão: Resgate e Futuro
Celebrar São Jorge no lombo do cavalo é um ato de resistência cultural. É mostrar que, apesar dos erros do passado e das tentativas de "rasgar" a nossa história, Jeremoabo continua firme no trilho do progresso. A Cavalgada é cultura, é esporte, mas, acima de tudo, é a prova de que o nosso sertão sabe se renovar para o futuro sem esquecer quem o feriu no passado.
Blog de Dede Montalvão: Memória viva, fiscalização constante e a voz de quem defende o patrimônio de Jeremoabo.
José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da ABI (C-002025)