
Charge do Dé (Arquivo Google)
Deu em O Globo
Depois que o banqueiro Daniel Vorcaro anunciou que pediria delação premiada, outros envolvidos em diversos tipos de fraudes e crimes se animaram a seguir o exemplo. Um deles é o empresário Maurício Camisotti, preso desde setembro do ano passado por suspeita de ser um dos operadores do esquema de fraudes do INSS, que já fechou um acordo de delação premiada com a PF.
A informação foi revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pelo Globo.
FRAUDES NO INSS – Camisotti foi preso preventivamente na Operação Sem Desconto, que também mirou o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Os dois são apontados como os principais operadores do suposto esquema que desviava recursos de aposentadorias e pensões.
Os advogados que negociaram a delação de Camisotti com as autoridades são Átila Machado e Celso Vilardi, que já intermediaram outros acordos do gênero.
Vilardi atuou na colaboração de diretores da Hypermarcas (atual Hypera Pharma), acusados pela Operação Lava-Jato de pagar propinas a políticos. Já Machado participou do caso envolvendo o doleiro Dario Messer, também no âmbito da Lava-Jato. Procurada, a defesa do empresário não se manifestou.
MENDONÇA RELATOR – Para firmar o acordo, Camisotti precisou admitir envolvimento no esquema de descontos irregulares em benefícios do INSS. Caberá ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF, analisar a legalidade das tratativas e homologar ou não a delação.
As investigações apontam que sindicatos e associações cobraram de aposentados e pensionistas descontos indevidos e sem autorização no período de 2019 a 2024. De acordo com a PF, o valor do prejuízo pode chegar a mais de R$ 6 bilhões.
Camisotti é citado no inquérito como beneficiário direto das fraudes e sócio oculto de entidades ligadas às associações que promoveram os descontos indevidos. A PF sustenta que tanto ele quanto Antunes — o Careca do INSS, figura conhecida nos círculos de Brasília e com ampla rede de contatos no mundo político — tinham papel essencial no funcionamento do esquema.
CARBONO OCULTO – Já a delação do empresário Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, está nas mãos do procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sergio de Oliveira e Costa.
Ele foi um dos principais alvos da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025, sob suspeita de comandar um esquema de lavagem de dinheiro, sonegação e adulteração de combustível. Os documentos referentes ao acordo já foram entregues ao Ministério Público de São Paulo (MPSP).
Fontes relatam que Silva forneceu informações preliminares sobre o que as autoridades podem conseguir com suas revelações. Interlocutores contam, por exemplo, que ele revelou nomes de magistrados e de servidores responsáveis por fiscalizações no setor de combustíveis supostamente associados ao esquema. Também colocou à disposição celulares usados por ele, em que podem ser obtidos dados importantes sobre as fraudes e os envolvidos.
POSTOS DO PCC – A PF apura a relação entre esse esquema e postos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Cerca de mil estabelecimentos vinculados à facção movimentaram R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024.
Segundo as investigações da Carbono Oculto, Beto Louco ficava responsável por gerir as empresas Copape e Aster, pelas quais o grupo cometia as fraudes fiscais e viabilizava a lavagem de dinheiro.
As tratativas para uma eventual colaboração também incluem Mohamad Hussein Mourad, o Primo. Ambos são considerados foragidos desde agosto, quando foi desencadeada a Carbono Oculto, e foram localizados por autoridades brasileiras na Líbia. É de lá que os dois, atualmente na lista da Interpol, negociam a delação premiada com o MPSP através de seus advogados. Procurada, a defesa afirmou que não poderia comentar sobre o caso em razão do sigilo.
OUTRA TENTATIVA – Antes, entretanto, Roberto Silva chegou a procurar o Ministério Público Federal para tentar um acordo mais amplo, que pudesse lhe gerar mais benefícios. Interlocutores do investigado buscaram a PGR no ano passado sob o pretexto de citar autoridades com prerrogativa de foro junto ao STF, mas a avaliação foi a de que as informações iniciais apresentadas foram inconclusivas, sem menção a elementos que pudessem eventualmente corroborar os relatos.
Além da avaliação, pela PGR, de que os relatos eram incipientes, o que abortou as conversas ainda no início, também foi feita a ponderação de que a investigação sobre a Carbono Oculto está sob a alçada do Ministério Público estadual, em primeira instância, sem contato com as equipes em Brasília. No MPSP, no entanto, o acordo também vem dividindo opiniões.
Enquanto um grupo de promotores vislumbra a relevância de uma visão interna do esquema e a possibilidade de ressarcimento de valores bilionários sonegados, outros avaliam ser possível que os investigadores cheguem às mesmas conclusões pelas vias normais do inquérito. Internamente, a expectativa é que o parecer sobre a colaboração de Beto Louco possa sair já na próxima semana.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A matéria de O Globo mostra que outras importante delações já estão no forno e suas revelações certamente vão influir na sucessão do presidente Lula da Silva, aquele que diz ainda não ter decidido se será candidato, mas já escolheu o vice, fazendo uma tremenda Piada do Ano. (C.N.)