quinta-feira, abril 23, 2026

ANTES DA ATA, JÁ EXISTIA HISTÓRIA: 49 ANOS DE VERDADE QUE JEREMOABO TESTEMUNHA


ANTES DA ATA, JÁ EXISTIA HISTÓRIA: 49 ANOS DE VERDADE QUE JEREMOABO TESTEMUNHA

Por José Montalvão

Há histórias que não dependem de papel para existir. Elas vivem na memória do povo, na palavra dos mais velhos e na consciência coletiva de uma cidade. Em Jeremoabo, a origem da Loja Maçônica Filhos de São João nº 89 é uma dessas histórias — firme, conhecida e impossível de apagar.

Às vésperas de completar 49 anos de sua efetiva formalização, cresce também a necessidade de reafirmar aquilo que a população sempre soube: antes da ata, antes da sede, antes dos registros oficiais, já havia trabalho, reunião e construção.

Relatos consistentes apontam que, ainda nos primeiros momentos, as atividades aconteciam nas dependências da delegacia de polícia de Jeremoabo, com a participação do tenente Santana, onde os primeiros passos da instituição foram dados.

E no centro dessa construção histórica, um nome permanece vivo na memória coletiva: José Dantas Martins Montalvão, reconhecido por muitos como o fundador e primeiro Venerável.

Mesmo que documentos tenham se perdido ao longo do tempo, a verdade histórica resiste através de testemunhas vivas. Nomes como Antônio Manoel, Zenaide — filha de Hugo, o segundo Venerável — e Otávio Nolasco, além de inúmeros jeremoabenses que presenciaram a inauguração, reforçam um fato que ultrapassa qualquer ausência documental.

Não se trata de vaidade, nem de busca tardia por reconhecimento. Trata-se de justiça histórica.


Cordel do Resgate da Verdade em Jeremoabo

Em Jeremoabo ecoa
Uma história a clamar,
Não nasceu de papel velho,
Mas do povo a recordar.
É memória dos mais velhos
Que ninguém pode apagar.

Na Filhos de São João,
Oitenta e nove a brilhar,
Tem um nome que resiste
E não deixa se calar:
José Dantas Montalvão
Foi quem fez a luz raiar.

Antes mesmo da sede pronta,
Antes mesmo de assinar,
Já se via a maçonaria
Em Jeremoabo atuar.
Na delegacia da cidade
Começou a caminhar.

Com apoio e presença firme
Do tenente Santana ali,
Entre paredes da lei
A semente veio a florir.
Era o início de uma história
Que ninguém pode impedir.

Foi o primeiro Venerável,
Homem firme, de valor,
Levantou aquela casa
Com respeito e com ardor,
Plantou base e deu caminho
Pra seguir com muito honor.

Hoje são quarenta e nove
Anos vivos de existência,
Não se mede só em datas,
Mas em luta e consciência.
É história consolidada
Na memória e na vivência.

Mas se falta o livro antigo,
Se a ata veio a sumir,
Não se apaga a história viva
Que o povo pode sentir.
Pois verdade não se perde
Mesmo que tentem cobrir.

Tem testemunha de sobra
Pra verdade sustentar:
Antônio Manoel conhece,
Nunca foi de se calar,
Zenaide, filha de Hugo,
Também pode confirmar.

Hugo foi o segundo
Venerável a assumir,
E sua filha carrega
O que ouviu e viu florir.
É memória que resiste,
Não se deixa consumir.

Otávio Nolasco sabe,
Viu de perto acontecer,
E milhares de jeremoabenses
Podem hoje dizer:
Que a festa da inauguração
Foi bonita de se ver.

Foi um tempo de alegria,
De orgulho e união,
Quando a loja foi aberta
Com respeito e tradição.
Tá gravado na lembrança
E no peito da população.

E não é por vaidade
Que se busca afirmar,
Pois a história é firme e viva,
Ninguém pode apagar.
Nessa altura desta vida
Só se quer é descansar.

O tempo dos títulos passou,
Já não há o que provar,
Só se quer paz e sossego
E a verdade no lugar.
Quem viveu sabe bem disso,
Não precisa se exaltar.

Se perderam documentos,
Que se tenha a hombridade,
De assumir com consciência
E respeito à verdade.
Pois quem foge da história
Fere a própria dignidade.

Jeremoabo não esquece
Quem lutou pra construir,
E a justiça da memória
Sempre há de ressurgir.
Quem plantou merece o nome
Pra jamais se diluir.


Conclusão

Resgatar a verdade não é um ato de vaidade — é um compromisso com a história. Jeremoabo não pode permitir que o tempo, o descuido ou a omissão apaguem aqueles que ajudaram a construir suas instituições.

Quando os documentos falham, a memória coletiva fala mais alto. E, neste caso, ela é clara, firme e incontestável.

A história já foi escrita — não apenas em atas, mas no coração do povo. 

José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da ABI (C-002025)

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