segunda-feira, abril 29, 2019

Para os militares refletirem: a situação da Petrobras precisa ser debatida com clareza


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Com menos impostos, Petrobras poderia impulsionar a economia
Carlos Newton
Os economistas que defendem a hegemonia do Mercado, com a privatização de todas as estatais aqui na filial Brazil, defendem uma tese meramente teórica, jamais aplicada em país algum, nem mesmo na matriz USA. Pelo contrário, os norte-americanos, que saíram da grande depressão de 1929 graças às teorias do Lord John Maynard Keynes, sabem que o Estado é o grande regulador da economia. Aliás, nenhum país no mundo se industrializou ou enriqueceu tendo como base um Estado fraco. Se alguém souber de algum exemplo, favor informar ao economista Delfim Netto, que é o autor da teoria.
Infelizmente, hoje o Brasil está nas mãos do Deus Mercado, com a economia comandada pelas teorias dos chamados “Chicago boys”, economistas chilenos da ditadura de Pinochet, aos quais Paulo Guedes se associou à época.
UM ASSUNTO-TABU – O presidente da Petrobras anuncia a venda de 8 das 13 refinarias da Petrobras, e o governo parece aceitar, o ministro de Minas e Energia, almirante Bento Albuquerque, faz olhar de paisagem. Os dirigentes do Clube Militar, do Clube Naval e do Clube da Aeronáutica, que se dizem nacionalistas, não comentam. Ou seja, não há um debate a respeito, nada, nada. 
Para preencher essa lacuna, a Tribuna da Internet está debatendo solitariamente o tema, que aparenta ser também “sigiloso” e hoje publica mais um artigo a respeito.
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IMPOSTOS ALTÍSSIMOS ELEVAM OS PREÇOS DOS COMBUSTÍVEIS
Flávio José Bortolotto
Não há dúvida de que é preciso alertar o governo Bolsonaro/Mourão e, em especial, nossas Forças Armadas , sobre o mau negócio da venda de oito refinarias da Petrobras. Como se sabe, a Petrobrás SA é uma empresa mista, controlada pelo governo federal via 51% das ações ordinárias que dão direito ao voto. Do total do capital da Petrobrás SA, em ações ordinárias e preferências, cerca de 1/3 são do governo federal, 1/3 do capital nacional como Bradespar, Fundos de Pensões, Bancos, investidores em geral etc. e 1/3 de capital internacional via ações na Bolsa de Valores de Nova York.
O governo federal controlador quer lucro, mas também usa a Petrobrás SA para fomentar a indústria nacional buscando construir no Brasil, mesmo a um custo pouco maior, plataformas, navios, rebocadores, equipamentos submarinos, outros equipamentos, bombas, cabos etc., tudo o que forma a Indústria Nacional do Petróleo e que em 2010 representava 11% do PIB.
SOMENTE LUCRO – Já para os demais acionistas – nacionais e principalmente os internacionais, o objetivo é somente lucro, objetivo legítimo, mas que não leva em conta a ajuda da Petrobrás SA na Industrialização do Brasil. Lembremos que só a industrialização cria grande classe média, coluna mestra de qualquer economia sólida.
Uma Petrobrás SA integrada, que atua na prospecção, produção de óleo/gás, transporte, refino, petroquímica etc., pode no conjunto até ser menos lucrativa em certas épocas do que uma petroleira pura, mas é muito mais estável e ajuda muito mais a economia nacional.
É isso que o governo e especialmente as Forças Armadas, apoiadoras e administradoras até há pouco tempo da Petrobrás SA, devem ter em mente.
ALTOS IMPOSTOS – Quanto à reclamação dos altos preços dos combustíveis da Petrobrás SA, esses não são culpa da empresa, que vende gasolina nas refinarias por R$ 1,15/litro mas há tributação de cerca de 50% (não está errado, não, os impostos chegam a 50%), e isso num preço médio de R$ 4,30 /litro dá a bela quantia de R$ 2,15/litro, sendo que ainda temos a distribuição, a revenda, os transportes, e algumas perdas.
Enganam-se os que pensam que as multinacionais petroleiras vão vender aqui no Brasil na proporção do preço dos EUA, onde a carga tributária nos combustíveis não chega a 8%.
Nosso governo federal, controlador da Petrobrás AS, deve ter lucro, mas precisa dar a maior estabilidade possível à empresa através da integração, de forma a ajudar o possível nossa indústria nacional através da Petrobras, mas sem os exageros de governos anteriores.

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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