sexta-feira, junho 08, 2012

Uma herança - JOÃO PEREIRA COUTINHO

.Uma herança - JOÃO PEREIRA COUTINHO

FOLHA DE SP -

A biblioteca era um banheiro nos fundos da habitação, onde tive longos colóquios com Luiza Tomé


Passei uma parte da adolescência com a revista "Playboy". Culpa de um familiar, que a consumia primeiro e a deixava na mesa de cabeceira depois.

Dito e feito: aos sábados, almoçava na casa dele como um menino aprumado. E, quando os comensais ainda estavam na sobremesa, eu mostrava certo enfartamento, levantava-me sem fazer ondas e ia repousar na biblioteca.

A biblioteca era um pequeno banheiro nos fundos da habitação, onde tive longos colóquios com Maitê Proença, Vera Fischer e Luiza Tomé.

Ainda hoje, a caminho da meia-idade, penso nas fotos de Luiza Tomé e sinto o tipo de estremecimento que Stendhal detectou em certos turistas girando pelos monumentos de Itália. Nunca desmaiei, é certo, mas, já que falamos no assunto: onde anda você, Luiza? Não escreve, não telefona, não diz nada.

A "Playboy" era educação estética. Mas era também formação cultural. Parece piada: folhear a "Playboy" pelos contos e ensaios.

Não era. A primeira vez que ouvi falar de Graham Greene, foi na "Playboy". O mesmo para Nabokov, Amis (pai) e Amis (filho). Se os li na edição brasileira ou na edição americana, é difícil dizer. Consumia ambas. Nunca discriminei.

Mas, para ficarmos no Brasil, o melhor de tudo eram as entrevistas.

Recordo, com gratidão sincera, uma conversa notável com Roberto Campos, na qual o economista elaborava uma das defesas mais inteligentes do capitalismo que li em qualquer língua.

Uma das observações mais sagazes de Campos era, ironia das ironias, uma evocação de Marx: a ideia de que, sem produzir em abundância, não há riqueza para redistribuir. É tudo "die alte Scheisse" ("a mesma merda").

Muitos intelectuais de esquerda, na impossibilidade de lerem Marx, deveriam ler essa entrevista.

Ou outras. O que acontecia com os escritores, acontecia com certos políticos: um tal de "Lula" foi-me apresentado pela "Playboy".

As considerações econômicas do sindicalista eram de um primitivismo embaraçoso, confesso. Mas, depois, Lula mostrava um tal desprezo por Caetano Veloso e Gilberto Gil (juro, juro), que simpatizei logo com o personagem.

Sem falar de Nelson Rodrigues. Já conhecia as crônicas do mestre, é verdade. Mas desconhecia que aos sete anos Nelson escrevera sua primeira história de adultério. Palavras do próprio. Onde estará essa história? Ruy Castro que nos esclareça.

Os sábados eram assim: repartidos entre as curvas do corpo e as contracurvas do espírito. E eu, na estupidez própria dos 12 ou 13 anos, pensava honestamente que um cidadão tinha direito aos seus segredos. Eu desaparecia uma tarde inteira com as revistas debaixo do braço. E ninguém notava.

Esse familiar notou. Semanas atrás, depois de uma doença demasiado longa e dolorosa para merecer comentário, o homem apagou-se. Fizeram-se as cerimônias fúnebres, disseram-se as palavras de circunstância.

E eu, em frente ao caixão, enquanto meditava em todos os sábados do passado, recebi do filho dele a informação de que existia uma caixa na casa deles que me era destinada.

A caixa chegou hoje, com o conteúdo inevitável: as revistas. Ou o que sobrou delas: dezenas de números da "Playboy", até dezembro de 1999. Não sei por que motivo elas deixaram de ser consumidas na virada do milênio.

Sei apenas que eu as deixei de consumir anos antes, quando o desafio passou a ser encontrar Luizas Tomés fora do banheiro, não dentro dele.

Com a imaginação literária que o momento exige, ainda procurei um bilhete no meio da herança: uma explicação, um "sempre-soube-de-tudo", um aceno irônico do outro lado da eternidade. Em homenagem aos almoços interrompidos, talvez um "bom apetite".

Nada encontrei.

Faz sentido: os segredos de duas vidas não devem terminar quando termina uma delas.

Pelo contrário, devem continuar com a vida que fica. Por momentos, ainda pensei expor a coleção na melhor estante da sala.

Mas isso seria uma traição ao espírito da coisa. Melhor guardar tudo na mesa do quarto. Com sorte, haverá filhos ou sobrinhos que saberão o que fazer com elas




Convenções partidárias para escolha dos candidatos




Da ONU para o Brasil: extingam as PM's!!!




  DANDO COM OS BURROS N'ÁGUA

Diante da fraqueza de Haddad, PSB e PCdoB seguem humilhando o PT e fazendo exigências para apoiar o candidato de Lula.

Carlos Newton


SÃO JOÃO, NO NORDESTE, VAI TER FARTURA DE ÁGUA E COMIDA PRA TURISTA




www.vitrinedigital.tv.br
NOTÍCIAS DE JEREMOABO

O mensalao e as eleições

Carlos Chagas




STF explode tentativa de protelar julgamento do mensalão

Pedro do Coutto



Chamem o Pagot! O homem está doido para falar e nem precisa de bolo na mão.

Paulo Barão


 

Seis vereadores perdem cargo por infidelidade partidária no estado

O Tribunal Regional Eleitoral na Bahia (TRE-BA) decretou a perda do cargo de seis vereadores de municípios baianos por desfiliação sem justa causa. Perderam o cargo o vereador de Ilhéus, Valmir Freitas do Nascimento (ex-PP), de Itanagra, Luciano Rangel Batista de Oliveira (ex-DEM, atual PR); de Maetinga, Abenídio Lopes de Almeida (ex-DEM, atual PDT); de Belmonte, Hindenburgo Ramos da Paixão (ex- PMN, atual PP) e Carlos Simões Cruz Neto (ex-PSL, atual PTB); e de Ibicaraí José Elias de Souza Barros (ex-PRTB, atual PSDC). As ações foram ajuizadas pela Procuradoria Regional Eleitoral na Bahia (PRE-BA) e julgadas pelo TRE-BA no final de maio. De acordo com a Resolução do Tribunal Superior Eleitoral nº 22.610/0, os únicos critérios para desfiliação partidária por justa causa são a incorporação, fusão ou a criação de novo partido, a mudança (ou desvio) do ideário político em relação ao programa partidário ou grave discriminação pessoal. Com a perda do cargo eletivo dos vereadores, as Câmaras Legislativas dos municípios de Itanagra, Maetinga, Belmonte e de Ibicaraí terão de empossar os respectivos suplentes dos partidos que os vereadores se desfiliaram.

 

Eleições deste ano terão ‘SMS Eleitoral’ na Bahia

Eleições deste ano terão ‘SMS Eleitoral’ na Bahia





Anarriê! Olha a Folha ZN pra você!


O PT e o novo programa do partido: insensatez ou desfaçatez

Sandra Starling


Resposta do Procurador Manoel Pastana ao Advogado Fábio Tofic Sigmantob

 

A infidelidade conjugal pode motivar a vingança diabólica de matar e esquartejar?

Milton Corrêa da Costa


Dirceu e Gurgel na berlinda do mensalão

Dirceu e Gurgel na berlinda do mensalão

A definição da data do julgamento do mensalão, que começará em 1º de agosto, marca também o acirramento da disputa entre o Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, e o ex-ministro José Dirceu

Aposentado não precisa devolver grana recebida em decisão provisória

O Supremo Tribunal Federal favorece o segurado que tem benefício concedido por decisão provisória e depois perde a ação





Mensalão: entenda o caso que será julgado pelo STF


38 réus, 147 volumes, 173 apensos, 69 mil páginas. Os números do processo do mensalão, que começará a ser julgado em agosto pelo STF
Com a decisão da Suprema Corte, que marcou para 1º de agosto o início do julgamento, relembre o que aconteceu, quem são os réus e do que eles são acusados
Continue Lendo...

Márcia Denser: inesquecível Marilyn Monroe

No Fórum, Maritânia Dallagnol: o que estará em jogo nas convenções eleitorais

Blog de Demóstenes vira espaço de cinema

 

 

A imprensa briga, os bandidos engravatados soltam foguetes

Nenhum jornalista que não se esforce em procurar os aspectos positivos e negativos do fato que observa e apura está exercendo honestamente a sua profissão




Dr. Rosinha
Dr. Rosinha

Editoriais e colunas

“São manobras explícitas da ‘grande mídia’, condenando por antecedência os envolvidos no chamado mensalão”







  Os inelegíveis

Os inelegíveis

TCE divulga lista com nome de 218 gestores inelegíveis para as eleições, ex-secretário Carlos Brasileiro aparece entre os citados
comentários

Economia

Leão abre consulta para restituição bilionária

Leão abre consulta para restituição bilionária

Receita Federal abre site para consultas do Imposto de Renda; lote é de R$ 2,5 bilhões; 1,8 milhão de contribuintes têm direito a receber; veja lista dos beneficiados





Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

Mais visitadas