sábado, setembro 03, 2011

OS DANOS DA CENSURA PRÉVIA

OS DANOS DA CENSURA PRÉVIA

EDITORIAL ZERO HORA 03/09/2011

A censura prévia foi revogada na Constituição brasileira promulgada em 1988, em nome do amplo direito de expressão. Mesmo assim, eventualmente, veículos de comunicação têm sido amordaçados por decisões da Justiça, a partir de demandas de interessados em suprimir informações e camuflar envolvimento em atos ilícitos. Felizmente, tais procedimentos são exceção nos atos do Judiciário, mas não deveriam nem mesmo se repetir, como ocorre agora, quando os veículos do Grupo RBS estão impedidos de divulgar o nome e a imagem de um vereador denunciado em reportagem da série A Farra das Diárias. A divulgação das imagens, em agosto do ano passado, expôs mais um exemplo de uso de dinheiro público para viagens de turismo de políticos, muitos dos quais acompanhados de familiares.

A série cumpriu um preceito básico do jornalismo, que é o interesse público. Interessa, sim, à sociedade ser informada sobre todos os atos de seus pretensos representantes, quando tais atitudes têm – ou deveriam ter – relação com suas atividades públicas. No caso citado, os vereadores simulavam participação em eventos, com diárias pagas pelos municípios, para desfrutar do ócio remunerado. Trata-se claramente de um escárnio repudiado pelos cidadãos que os sustentam.

Os únicos interessados em evitar a divulgação de tais fatos são os próprios envolvidos. Todos têm o direito à defesa, mesmo que os flagrantes sejam incontestáveis, desde que isso não represente prejuízo à liberdade de informação. A censura que impede a divulgação do nome de um dos implicados não atinge apenas veículos de comunicação. Fere a essência do direito que todos têm de tomar conhecimento dos atos de ocupantes de cargos públicos.

O Grupo RBS, que irá recorrer da decisão, se submete às leis válidas para os cidadãos e para todas as áreas de atividade e cumpre rígidas normas internas de conduta, sempre no sentido de preservar o interesse coletivo assegurado pela Constituição. Neste sentido, espera que a própria Justiça tenha a sabedoria de revisar a censura imposta a toda a sociedade.

Postado por Jorge Bengochea


MOVIMENTO CONTRA A CORRUPÇÃO E PELA DEMOCRACIA

- Altamir Tojal

A primeira passeata, em 31/7, reuniu 200 pessoas. Neste domingo, 28/8, foram 400 do Leblon a Ipanema, protestando com alegria e confiança contra a impunidade e pelo aperfeiçoamento da governança pública e da democracia.

Iniciativas como esta, do Movimento 31 de Julho, estão vencendo uma grande inércia política.

Há uma multidão de pessoas complacentes com a corrupção, gente que acha que a “faxina contra a pobreza” justifica o roubo, a impunidade e a fraude política. Ignoram ou fingem ignorar que a corrupção produz miséria e conspira contra a democracia.

Há os que acreditam na propaganda do governo e os que não acreditam em nada, não lêem, não discutem, não gostam de política e sempre se lamentam depois que votam.

Há também os que não protestam porque têm medo de perder empregos, contratos, bolsas e por aí vai. Alguns obtiveram isso com esforço próprio e por direito, mas temem retaliações dos que estão no poder.

E há os que se calam porque estão se beneficiando dos abusos e da corrupção.

Sem pressão da sociedade, a corrupção vai continuar, mesmo com o sai e entra de ministros e altos funcionários.

A bandidagem no governo está sendo revelada porque ainda há imprensa crítica no país e porque há uma luta de vida e morte pelo poder dentro do governo. E porque as pessoas estão indo para a rua protestar.

Até agora, nada mudou de concreto no modelo que tornou epidêmica a corrupção no Brasil. Os ministros e altos funcionários são varridos dos cargos, mas continuam no poder rindo da gente e desfrutando do produto de seus atos criminosos.

Por muito menos, os bandidos pobres vão para a cadeia. Bandido do poder também tem de ser julgado e preso, tanto os corrompidos como os corruptores, independentemente da sigla partidária e do tamanho da conta bancária.

Os corruptos desmoralizam a política e a democracia para continuarem no poder. Nós queremos mais democracia para tirá-los do poder.

O país precisa de mudanças profundas no sistema político. Tem de aperfeiçoar o sistema eleitoral e a governança pública. E para isso, o único caminho é a pressão popular.

O movimento contra a corrupção não é um movimento contra a política e os políticos. São os corruptos que querem o povo alienado e com raiva da política. Quando o povo perde a confiança na política, os corruptos e os totalitários ficam à vontade no poder, se reproduzem e se perpetuam.

Este é um movimento contra a corrupção, mas um movimento social não faz sentido se for somente contra. É preciso ser afirmativo também.

A corrupção passou a ser uma epidemia no Brasil porque o sistema eleitoral e o modelo de governança pública foram desvirtuados pelo aparelhamento de ministérios, repartições e estatais, pelo toma-lá-dá-cá. Privatizaram o governo para interesses pessoais e de seus partidos.

Para corrigir isso, é preciso mais política e mais democracia. A gente não tem resposta pronta para aperfeiçoar o sistema político. Mas a gente sabe que a resposta está na democracia.

O movimento é, portanto, contra a corrupção, mas é também pela democracia, pela liberdade de pensamento, pela liberdade de expressão e de manifestação. Por um sistema eleitoral melhor, por um sistema melhor de governança pública.

A essência do movimento são as pessoas na rua. É a alegria de protestar, de chatear os ladrões e vigaristas.

Há uma multiplicidade de iniciativas contra a corrupção. Veja que tem uma perto de você. Participe agora para não se lamentar depois!

Este movimento tem de perseverar para crescer. O crescimento vem com a persistência. As pessoas estão descrentes na política. Isso precisa mudar para que os corruptos deixem de mandar no país. Para que deixem de nos fazer de bobos. A persistência em manifestações pacíficas vai conquistar as pessoas que hoje estão descrentes na política e no país.

A primeira manifestação no Rio, no dia 31 de julho, teve 200 pessoas. Neste domingo, dia 28/11, foram 400 do Leblon a Ipanema, sem contar os que seguiram um ou dois quarteirões e os que aplaudiram e colaram os adesivos do movimento em suas roupas.

A próxima manifestação no Rio será no dia 20, na Cinelândia. Vamos lá!

Um novo ato contra a corrupção está marcado para o dia 20/9, na Cinelândia. O Movimento 31 de Julho participará desta manifestação, que tem apoio organizações como a OAB e a ABI e está sendo noticiado na mídia.

O apoio de organizações e da mídia é necessário, mas não é mais importante que a mobilização popular espontânea e que a comunicação boca-a-boca, o telefonema para o amigo, o email, o facebook, o twitter e o blog. Vamos, portanto, perseverar e crescer na rua e no boca-a-boca.

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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