quarta-feira, setembro 30, 2026

COERÊNCIA, MEMÓRIA E LIBERDADE: A Imprensa Como Olho da Nação Diante das Contradições do Judiciário


COERÊNCIA, MEMÓRIA E LIBERDADE: A Imprensa Como Olho da Nação Diante das Contradições do Judiciário


Por José Montalvão


Em sua obra monumental, o mestre Rui Barbosa deixou gravada uma das lições mais profundas sobre o papel do jornalismo no Estado Democrático de Direito:

"A imprensa é a vista da nação. Por ela a nação acompanha o que se passa perto e longe, enxerga o que lhe ocultam, percebe o erro onde se pretende ocultá-lo e descobre a verdade onde a tentam soterrar."

A reflexão do jurista baiano ganha contornos de urgência absoluta quando acompanhamos as análises precisas do jornalista e comentarista político Reinaldo Azevedo. Ao resgatar a memória recente das instituições e confrontar discursos com atitudes práticas, o jornalismo cumpre o seu papel mais sagrado: expor as contradições do poder e defender a sociedade contra o arbítrio e a incoerência das canetadas judiciais.

A Contradição Resgatada pelo Jornalismo: O Caso André Mendonça

O imbróglio iniciado pela censura à postagem do humorista e comunicador Antônio Tabet expôs as feridas abertas no Supremo Tribunal Federal. Tabet limitou-se a publicar uma mensagem de amor e devoção a Nossa Senhora Aparecida, sem citações nominais diretas ou fakenews, mas viu sua publicação — e até postagens da própria Igreja Católica e de devotos — ser varrida do ar por uma decisão liminar do ministro André Mendonça. A censura caiu após intervenção do ministro Flávio Dino, que restaurou a legalidade.

Contudo, como demonstrou Reinaldo Azevedo em seu programa, a gravidade do ato reside na falta de coerência conceitual:

  • O Discurso do Passado: Em pronunciamentos e votos anteriores, o ministro André Mendonça notabilizou-se por defender de forma intransigente a ampla, irrestrita e irrestrita liberdade de expressão, argumentando que o Judiciário não deveria atuar como censor prévio do debate público;

  • A Prática do Presente: Ao conceder uma liminar censória de forma açodada, o magistrado pareceu esquecer as próprias lições que pregava, agindo em flagrante oposição às teses que outrora defendia para proteger aliados políticos.

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│          A IMPRENSA EXPINDO AS CONTRADIÇÕES NO PODER        │
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│ ⚖️ ANDRÉ MENDONÇA: Do discurso pela liberdade de expressão  │
│    à canetada que censurou até contas da Igreja Católica.   │
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│ 🏛️ NUNES MARQUES: Reclama hoje de interferência do STF, mas │
│    interferiu em decisões do TSE quando era apenas ministro.│
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│ 📰 O PAPEL DA IMPRENSA: Resgatar os fatos, combater o esqui-│
│    cimento e defender a liberdade constitucional do cidadão.│
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Dois Pesos e Duas Medidas: A Memória Institucional de Nunes Marques

A análise jornalística foi além ao abordar a queixa formal do atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, perante o presidente do STF, Edson Fachin, sobre supostas "interferências indevidas" de ministros do Supremo nas competências da Justiça Eleitoral.

O resgate histórico promovido por Reinaldo Azevedo revelou que o mesmo ministro que hoje se indigna com a sobreposição de poderes já havia interferido diretamente, no passado, em ao menos duas ações contra julgamentos do TSE quando ocupava apenas o cargo de ministro do STF.

Essa dupla moral institucional — que varia conforme a conveniência do momento ou o grupo político envolvido — é a prova viva de que, sem uma imprensa livre, atenta e com memória afiada, a população ficaria refém de narrativas oficiais fabricadas para encobrir privilégios e conveniências.

Sem Imprensa Livre Não Há Democracia

A censura que atingiu postagens religiosas sob o falso manto da proteção eleitoral é o sintoma de uma doença maior: o autoritarismo de gabinete. Quando magistrados rasgam a coerência e utilizam a caneta para silenciar vozes, humoristas, jornais e fiéis, o cidadão comum perde a sua capacidade de defesa.

É por isso que a imprensa é indispensável. Não para agradar a governantes ou ministros, mas para garantir que o povo enxergue o que tentam esconder. Sem liberdade de expressão e sem um jornalismo vigilante, a democracia vira casca vazia e a Justiça transforma-se em mero instrumento de força.

Conclusão: O Compromisso Inabalável com a Verdade

A denúncia das incoerências no STF e no TSE não é um ataque às instituições, mas um ato de amor à República. Restabelecer a verdade, cobrar a coerência dos julgadores e defender o direito de cada cidadão de professar sua fé e sua opinião sem medo de censura é a missão que nos move.

Rui Barbosa estava coberto de razão: a imprensa é a vista da nação. E enquanto houver jornalismo sério e independente neste país, os excessos do poder não passarão no silêncio!

José Montalvão

Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI - Registro C-002025).

Blog de Dede Montalvão: Defendendo a liberdade de expressão, cobrando coerência do Judiciário e mantendo a imprensa a serviço da verdade e do povo!

 

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