terça-feira, setembro 29, 2026

A aposta errada na “fragilidade” de Flávio colocou Lula diante de uma eleição muito mais difícil


Charge do Gilmal (Sobral em Revista)

Dora Kramer
Folha

Pleito batendo à porta, a campanha da reeleição ainda está no modo “onde foi que erramos?”, sem conseguir chegar ao ponto de virada. Houve um equívoco de origem que Luiz Inácio da Silva e o PT não cometeram sozinhos.

A quase totalidade do mundo político e adjacências compartilhava a visão de que Flávio Bolsonaro (PL) seria presa fácil, escolhido pelo pai para manter o nome da família na roda. Era essa a impressão que davam os telhados de vidro e a falta de lastro do moço.

EMPATE – Pois eis que a má avaliação do governo se juntou à identificação bolsonarista, encontrou abrigo na soberba petista e produziu o cenário de empate que flerta com aquela vitória considerada improvável.

Mesmo quando o transcorrer da campanha sinalizava desmentido à interpretação inicial, continuou dominante a indiferença aos fatos. O despertar veio tardio e improvisado, na forma de medidas tão populistas quanto irresponsáveis para tentar reduzir o presumido prejuízo.

Reação pautada pela suposição de que o eleitorado —ou a parcela mais necessitada— está sempre à venda. Não se levou em conta a fadiga do país com Lula e com um partido que chegou aos quase 18 anos no poder sem um plano para tirar o Brasil do atraso.

OUTRO TIPO DE DIÁLOGO – Seria de se esperar que gente com expertise de cinco governos e inúmeras campanhas eleitorais nos 46 anos de vida do PT percebesse que a luta era dura, que a população queria outro tipo de diálogo, que era preciso falar do futuro como gente grande.

No entanto, prevaleceu o projeto de culto à personalidade de Lula, a submissão ao líder, a suposição de que ele seria uma fonte inesgotável dos votos necessários à sobrevivência da esquerda. Não se ouviu o bom conselho da autocrítica que facilita o discernimento entre desejo e realidade.

O corre-corre de última hora até pode atingir o objetivo de obter os votos que tirarão a diferença na urna, mas não apagará o fato de que Lula e o PT não levarão o país a um bom lugar nos próximos quatro anos se não se dispuserem a mudar.

Em destaque

Quando a religião entra na disputa eleitoral é um sinal de que está tudo errado

Publicado em 30 de setembro de 2026 por Tribuna da Internet Facebook Twitter WhatsApp Email Reta final entra numa zona mais delicada Pedro d...

Mais visitadas