sexta-feira, julho 03, 2026

Da Filosofia Clariceana à Realidade de Jeremoabo

 

                                      Foto Divulgação 

Da Filosofia Clariceana à Realidade de Jeremoabo


José Montalvão


É exatamente nessa fronteira da inquietação que muitos moradores e defensores da história de Jeremoabo se encontram hoje. Diante das recentes discussões e tentativas de mudar a data da emancipação política do município, depois de tantos e longos anos de tradição consolidados na memória do povo, a mente busca a sabedoria de Clarice para não perder o juízo.

Mudar o marco do nascimento político de uma terra ancestral como Jeremoabo gera um ruído na identidade local. Por que mexer no que o tempo já consagrou? Qual a real razão ou motivo de querer reescrever uma página que gerou orgulho e pertencimento a tantas gerações?

Seguindo a lógica clariceana, talvez a resposta mais sábia para o cidadão comum seja, de fato, escolher não entender.

  • O entendimento humano é limitado: Tentar decifrar os nós burocráticos, as disputas políticas ou os revisionismos históricos por trás de uma proposta dessas pode ser exaustivo e, no fim, estéril.

  • O "não entender" preserva a essência: Não compreender os motivos dessa mudança é quase um ato de resistência poética. É uma forma de dizer que a verdadeira história de Jeremoabo não cabe em decretos mutáveis; ela vive no coração e na memória de quem construiu a cidade sob a antiga e tradicional data.

A Inquietação Necessária

Ainda assim, como profetizou Clarice, a calmaria do não entender esbarra na inevitável inquietação. Não precisamos compreender a fundo as entranhas do motivo pelo qual querem alterar o passado da cidade, mas precisamos — pelo menos — entender que não entendemos (e que talvez a população nem devesse ser obrigada a engolir essa mudança).

Mudar a data da emancipação de uma cidade após longos anos não é apenas alterar um número no calendário; é mexer no patrimônio imaterial de um povo. No fim das contas, se a burocracia insiste em buscar novas lógicas, resta ao povo o "dom" de manter-se firme na vastidão de sua própria identidade. Inteligente demais para aceitar explicações rasas, e manso o suficiente para saber que a história real ninguém consegue mudar.

José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI - Registro C-002025).

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