Jeremoabo Precisa de Desenvolvimento Real, Não de Mudanças Ilusórias
Jeremoabo vive um momento em que as prioridades precisam ser encaradas de frente. O debate recente sobre a alteração da data jurídica da emancipação política do município levanta uma questão central: o que realmente transforma a vida do cidadão jeremoabense? A resposta é clara e baseada na realidade prática: o que o município precisa é de desenvolvimento econômico, infraestrutura e serviços públicos de qualidade, e não de discussões burocráticas inócuas e inoportunas que não trazem nenhum benefício real para o povo.
Nesse cenário, merece aplausos a coragem e a lucidez do grande advogado Dr. Antonio Arquimedes, que expressou o sentimento de muitos ao classificar o debate como uma "causa inútil", cravando a identidade histórica da cidade: "Jeremoabo será sempre 6 de julho". Mexer no calendário oficial não muda o passado e muito menos constrói o futuro.
As Verdadeiras Demandas de Jeremoabo
O crescimento real de Jeremoabo depende de uma agenda de ações concretas que impactem o dia a dia das pessoas. O foco do poder público e das lideranças deve estar concentrado em frentes que gerem emprego, renda e dignidade:
Atração de Empresas e Empregos: Criar políticas fiscais e incentivos para atrair indústrias e comércios fortes, fixando o jovem na sua terra.
Fortalecimento do Campo: Adequar as políticas públicas à realidade local da agricultura e da pecuária, modernizando a produção e apoiando o produtor.
Água para a Zona Rural: Levar segurança hídrica para as comunidades que mais sofrem com a seca, garantindo o básico para a vida e a produção.
Infraestrutura Viária: Recuperar e manter as estradas vicinais transitáveis, essenciais para o escoamento da produção e o deslocamento das pessoas.
Educação Superior e Técnica: Trazer faculdades e cursos que capacitem a população local, abrindo portas para o mercado de trabalho.
Saúde, Educação e Segurança: Fortalecer a rede de atendimento médico, garantir escolas estruturadas e dar mais tranquilidade às famílias.
Nota de Reconhecimento: É justo destacar que avanços importantes já estão acontecendo, como a melhoria no transporte escolar que a atual gestão do prefeito já vem colocando em prática. Esse é o caminho: dar continuidade e ritmo ao que funciona.
Implementação do Turismo: Explorar o potencial cultural, histórico e natural do município como uma nova matriz geradora de receita e orgulho local.
A Lógica Econômica: Mudar a Data Não Gera Riqueza
Sob a ótica financeira e administrativa, alterar o dia em que se comemora a emancipação é um ato estritamente simbólico. A economia e a contabilidade pública não se movem por símbolos, mas por dados reais. A ciência econômica confirma que essa mudança é nula para o progresso do município por três motivos claros:
Repasses do FPM Inalterados: O Fundo de Participação dos Municípios (FPM) é calculado com base exclusiva no número de habitantes medido pelo IBGE. A idade da cidade ou o dia do seu aniversário não acrescentam um único centavo a esse repasse.
Arrecadação Local Estática: Mudar o dia no papel não altera a base de cálculo ou as alíquotas de impostos essenciais, como o IPTU e o ISS. O comércio e os serviços continuarão arrecadando exatamente o mesmo.
Custos Burocráticos Desnecessários: Longe de trazer lucro, a alteração gera despesa. Ela exige a revisão de leis municipais, a atualização de documentos oficiais e a reformulação de materiais institucionais, desperdiçando tempo e recursos da máquina pública com burocracia.
Conclusão: Olhar para o Futuro
A emancipação política que realmente importa é aquela que liberta o cidadão do desemprego, da falta de água e da falta de oportunidades. Jeremoabo tem pressa e tem potencial.
Gastar energia política e dinheiro público com debates que não alteram as variáveis macroeconômicas ou fiscais da cidade é um equívoco. O foco deve permanecer na gestão eficiente, na infraestrutura e na atração de investimentos. O jeremoabense quer ver a sua vida melhorar na prática, no chão da fábrica, na sala de aula, no hospital e na roça. Todo o resto é distração.
José Montalvão Funcionário Federal Aposentado, Graduado e Pós-Graduado em Gestão Pública, Pós-Graduado em Jornalismo. Membro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI - Registro C-002025).
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