Publicado em 2 de julho de 2026 por Tribuna da Internet
Charge do Spacca (Canal Meio)
Roberto Nascimento
A disputa pelo espólio político do chefe do clã Bolsonaro guarda semelhança com drama do Rei Lear, porque, a exemplo do Reino da Dinamarca, também há algo de podre, mas muito podre, mesmo, nos Três Poderes de Brasília.
É a união de três famosas tragédias de Shakespeare:
“Otelo”, “Macbeth” e “Rei Lear”. Tanto assim que o jornal Estadão já passou a chamara de Lady Macbeth a madrasta Michelle Bolsonaro.
LUTA PELO PODER – Os filhos e a madrasta lutam pateticamente pelo poder. Cada um dos filhos tem seus interesses políticos e financeiros, sempre estão sugando nas estruturas do Estado, seja no Legislativo ou no Executivo.
Nenhum deles jamais trabalhou na vida, simplesmente usavam o sobrenome do chefe do clã para conquistar mandatos eletivos na Câmara dos Vereadores, Assembleia Legislativa, Câmara Federal e no Senado.
Antes, havia distanciamento, sem que existisse discórdia. A tragédia shakespeariana só começa com a eleição presidencial de Jair Bolsonaro em 2018. Depois de quatro anos, o planejamento da tentativa de golpe tumultuou inteiramente a convivência da família, e as rusgas internas passariam a ser noticiadas, enquanto a Justiça era feita, provocando a prisão do chefe do clã e seus aliados, mas sem atingir o resto da família.
UMA BRIGALHADA – Começou então, a luta dos filhos contra a madrasta, na disputa pelo espólio político que sobrou do bolsonarismo. A brigalhada foi num crescendo e chefe do clã colocou ainda lenha na fogueira ao indicar o filho mais velho como sucessor.
Agora, com a campanha eleitoral já em curso, o vídeo interpretado por Lady Macbeth, muito bem produzido, com símbolos religiosos no cenário e uso de teleprompter para facilitar a leitura, veio expor a família desunida numa guerra insana.
Lady Bolsonaro mandou recados para o candidato presidencial e os irmãos. “Tenho vida política própria e não preciso de você. Pelo contrário, tenho controle do PL Mulher, das mulheres evangélicas e você, Zero Um, vai precisar do meu apoio”, disse, desafiadoramente.
PRINCIPAL MOTIVO – O apoio dela à candidatura do senador Eduardo Girão ao governo do Ceará, contra a aliança do PL em favor da candidatura de Ciro Gomes (PSDB), não é o principal motivo do racha na família do capitão reformado. Trata-se de quem vai assumir o controle dos votos bolsonaristas no futuro, quando o cacique se aposentar de vez da vida pública.
Me parece que a madrasta, no papel de Lady Macbeth, deu um passo à frente com seu discurso religioso, à moda integralista de Plínio Salgado: “Deus, Pátria e Família”.
Mas será que seguirá firme contra o Estado Laico e lutará pela volta da Religião no seio do Estado, um retrocesso brutal e medieval. O certo é que a desunião do clã Bolsonaro favorece Lula e deve impedir que o Brasil se curve definitivamente perante os Estados Unidos.