Depois de se queimar com o caso Vorcaro e tomar uma lavada da madrasta em seguida, Flávio Bolsonaro enfrenta agora o dilema de equilibrar o palanque de sua campanha no Rio entre a tentativa de evitar novos bombardeios à sua reputação e manter as alianças que sustentam o bolsonarismo em seu berço político.
Não é tarefa fácil, até porque as digitais do candidato a presidente do PL estão também onde não deviam estar na cumbuca que mistura governo, polícia e crime no Rio de Janeiro.
Nesta semana, o nome do senador Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL no Senado e articulador da campanha de Flávio, apareceu em uma investigação da PF sobre desvio de cota parlamentar. Um golpe e tanto para o candidato.
Sóstenes também era visto como opção para substituir a candidatura ao Senado de Cláudio Castro (PL-RJ), que além de envolvido até a medula no caso Master, para quem entregou o dinheiro de fundo de previdência do Rio, é acusado de favorecer a Refit, empresa de Ricardo Magro, o maior sonegador do Brasil, e suspeito de ligação com o PCC.
Ricardo Magro, aliás, foragido nos Estados Unidos, foi denunciado pelo presidente Lula a Donald Trump, antes da tal da decretação das facções criminosas como terroristas, o que até agora parece ter parido um ratinho em termos de investigação enquanto de fato demarca a invasão da nossa soberania.
Seria interessante que os investigadores americanos conhecessem melhor a história de Cláudio Castro, até outro dia um dos articuladores do palanque de Flávio no Rio. Foi mandado para escanteio, depois que se tornou “radioativo”, como dizem os políticos, mas há rastros comprometedores nas indicações que Flávio fez para as secretarias de Castro.
A pedido de Flávio Bolsonaro, Castro recriou a Secretaria do Consumidor para acomodar seu indicado, Gutemberg Fonseca, ex-árbitro de futebol, publicitário, velho amigo e articulador político do clã, que também havia ocupado cargos no governo estadual nesta e em outras gestões, sempre por indicação de Flávio. Mesmo depois de acusado de ter recebido um líder do CV, o Índio do Lixão, Gutemberg se manteve no cargo até sair para fazer campanha a deputado federal neste ano.
Mas deixou outro petardo no caminho de Flávio, o advogado Alessandro Carracena, que curiosamente deixou o cargo de secretário de esportes para se tornar subsecretário de Gutemberg. À polícia, Carracena confirmou a reunião de Gutemberg com o traficante. Depois foi preso na operação “Unha e Carne” da PF, a mesma que deteve o presidente da Assembléia Legislativa, Rodrigo Bacellar, por ter avisado ao ex-deputado TH Jóias, ligado ao CV, de uma operação da Polícia Federal, o que não deixa de ser um novo risco, dada a possibilidade de delação.
Embora sempre tenha negado a relação com Índio do Lixão, o personagem reapareceu na campanha de Gutemberg deste ano, apoiada por Flávio, quando seu coordenador de campanha, Marcos José Menezes, foi acusado de ter feito uma nomeação na secretaria chefiada por Gutemberg a pedido do traficante no segundo semestre do ano passado.