quinta-feira, julho 06, 2023

Cassação da Jovem Pan é absurda, porque a imprensa livre é um pilar da democracia

Publicado em 5 de julho de 2023 por Tribuna da Internet

Jovem Pan News on Twitter: "#JPCensurada | TSE nega que tenha censurado a Jovem Pan, porém, determinou que a JP se abstenha de novas manifestações sobre alguns temas. Causa estranheza que oPaulo Uebel
Gazeta do Povo

Em mais um episódio triste para a democracia brasileira – que está cada vez mais distante de uma democracia plena. O Ministério Público Federal entrou com uma ação civil pública, no fim do mês de junho, para cassar três concessões de rádio da Jovem Pan. A liberdade de imprensa, princípio básico em qualquer democracia, é um direito fundamental assegurado pela Constituição. Porém, para algumas autoridades, essa liberdade depende cada vez mais da opinião de quem exerce o poder.

É como se a Constituição não mais existisse e os direitos e garantias fundamentais fossem outorgados pelas autoridades desde que você concorde com elas. Ao menos, esse parece ser o recado que elas estão passando agora para os jornalistas e a população em geral.

TUDO DE NOVO… – Essa história não começou hoje, e, pelo visto, a Jovem Pan não será o último alvo. Mas princípios e valores não podem ser aplicados somente para uns em detrimento dos demais.

Muitas pessoas acham que, para solapar a democracia, é um golpe repentino e feito de uma só vez. Porém, a perda de direitos e a escalada do autoritarismo também pode ser gradual.

E nem precisamos falar da época do regime militar. Já no Brasil “redemocratizado”, no dia 11 de abril de 2019, a revista Crusoé publicou a reportagem “O amigo do amigo de meu pai”, sobre a menção a um dos ministros do Supremo Tribunal Federal e então presidente da Corte, na Operação Lava Jato. A reportagem foi censurada por outro ministro do STF, que agora também atua pela regulamentação das redes sociais – que pode resultar no aumento da censura.

CASOS ESTRANHOS – De lá para cá, outros casos que podemos chamar de, no mínimo, estranhos, continuam acontecendo. Um exemplo foi a censura do dia 2 de outubro de 2022. Em pleno primeiro turno das eleições, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral censurou uma reportagem do Antagonista sobre o fato do líder do PCC (Primeiro Comando da Capital), Marcola, ter dito que preferia Lula para presidente. O PCC é a maior organização criminosa do país.

A multa diária para o descumprimento da decisão de tirar a reportagem do ar foi de R$ 100 mil. Até hoje, não se sabe se a censura serviu para proteger a reputação do PCC ou do Partido dos Trabalhadores.

O erro da Jovem Pan, pelo visto, foi ser um espaço aberto de debate para temas controversos – algo que é, inclusive, essencial para o avanço da democracia.

EXEMPLO DA VENEZUELA – Nos países democráticos, é comum o cidadão abrir o jornal e ler notícias sobre violência. Isso é tão comum que as pessoas até costumam saber quais são as cidades mais perigosas ou os bairros onde é mais provável que sofram um assalto.

Porém, não é assim na Venezuela. Em 2010, ainda sob Hugo Chávez, os jornais venezuelanos foram censurados apenas por noticiar casos de violência. A realidade precisava ser mascarada e não podia mais ser livremente reportada.

Como não era interessante para a propaganda do governo bolivariano de Chávez a representação de um país violento sob seu comando, a Justiça venezuelana proibiu a publicação de imagens com cenas de violência nos jornais de todo o país. Claro que a justificativa foi um motivo positivo, virtuoso e “para o bem” da população.

DEFESA DA CENSURA – A promotora Gabriela Ramírez, por exemplo, defendeu a censura dizendo que ela iria “proteger” crianças e adolescentes. “É simplesmente grotesco que estas imagens sejam usadas em meio à campanha (para as eleições), que (a violência) seja usada como bandeira política”, disse ela, de acordo com o G1.

A violência crescente era um dos piores marcos do governo Chávez, que a tratava como um problema de exclusão social – e tentava  combatê-la com programas sociais, mas fracassava dia após dia.

Assim, a censura começa com uma maquiagem bonita, com uma justificativa virtuosa, mas, pouco a pouco, vai se tornando cada vez pior e escancarada.

MAIS CENSURA – Esse não foi o único caso de censura à mídia venezuelana. Houve um caso ainda pior antes. Em 2007, Chávez fechou o canal de televisão venezuelano RCTV, a Radio Caracas Televisión, uma das emissoras mais importantes da América Latina. Desde 1999, a RCTV era crítica ao governo de Chávez.

Em 2002, foi o “começo de seu fim”, como bem lembrou a Gazeta do Povo na semana passada. Naquele ano, a RCTV foi acusada de participar de uma tentativa de golpe para tirar Chávez do poder. Depois de anos combatendo a emissora, Chávez anunciou em 2006 que “a concessão vai acabar porque a Venezuela deve ser respeitada”.

Anos depois, o que sobrou da mídia venezuelana? Em janeiro de 2021, a ditadura da Venezuela tirou do ar o canal VPItv, o único a ainda transmitir atos e entrevistas da oposição, conforme noticiado pela Folha de S. Paulo. Na mesma época, o site independente Tal Cual teve sua página suspensa “indefinidamente”. Agora, o exemplo tenta se repetir no Brasil, mas os brasileiros jamais deixarão o país voltar a ser uma ditadura.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Importante artigo enviado por Mário Assis Causanilhas. A imprensa inteira precisa defender a Jovem Pan. Censura, nunca mais! Ditadura, nunca mais! (C.N.)

Em destaque

Lula mira Trump na Europa e transforma tensão com EUA em trunfo político no Brasil

Publicado em 22 de abril de 2026 por Tribuna da Internet Facebook Twitter WhatsApp Email Lula criticou Donald Trump pela guerra no Irã  Caio...

Mais visitadas