terça-feira, abril 22, 2014

Pesquisei muito como descobrir as causas de tanta corrupção na administração municipal de Jeremoabo, até encontrar a origem através da matéria abaixo.




A fonte de vida da bactéria da corrupção em Jeremoabo é a IMPUNIDADE...

Corrupção é mal que não tem cura

A corrupção vem de berço, consolida-se na personalidade da criança até os 8 anos e, uma vez manifestada, não tem cura. O polêmico diagnóstico é do médico e psicoterapeuta do Hospital das Clínicas de São Paulo João Augusto Figueiró, para quem não existe corrupto arrependido. 'Ele pode até se arrepender, mas se tiver condições de trapacear novamente, nãovai pensar duas vezes', diz. Figueiró afirma que o corrupto não tem qualquer doença, mas um desvio de comportamento que só o permite crescer na vida trapaceando. E mais: não sente qualquer remorso. Figueiró só vê uma saída para o problema: educação. A seguir, a entrevista que ele concedeu ao repórter Alan Gripp e publicada no jornal 'O Globo' de domingo passado, 20 de agosto.
 Como nasce um corrupto?
 Considerando que o núcleo da constituição ética e moral de im indivíduo se estabelece nos primeiros oito anos de vida, ele (o corrupto) nasce ainda criança. Não quer dizer que isso seja imutável, mas com certeza esse período é decisivo. É importante dizer que o corrupto não apresenta uma doença ou um transtorno. Trata-se de um comportamento corrupto. Sob ponto de vista da psicologia, ele não é uma pessoa normal. Mas não está classificado dentro das doenças mentais, isso seria um atenuante para ele.
O que o leva a desenvolver o comportamento corrupto?
 O comportamento transgressor tem uma contribuição mais importante dos fatores ambientais, familiares e culturais do que propriamente de fatores genéticos ou hereditários. Mas é evidente que o comportamento trapaceiro pode ser observado em todas as espécies animais e é inclusive um fator de seleção natural. Um animal que não trapaceia com os seus predadores tem probabilidade alta de extinção. O ser humano, pelo seu potencial de malignidade, também. Se ele não internalizar valores éticos, morais e legais para a sua cultura o mais cedo possível, tem probabilidade muito alta de ter um comportamento corrupto.
 A corrupção tem cura?
 A priori, o comportamento corrupto é incurável. O indivíduo que tem essa personalidade transgressora no pior sentido vai manifestá-la sempre que tiver oportunidade. Por isso, a única forma de contê-la é utilizar controles externos. No caso do político, por exemplo, o mais eficaz é privá-lo do direito de se candidatar. Nos Estados Unidos, os candidatos a vagas na Polícia são avaliados para se descobrir se ele manifesta esse comportamento, mesmo sendo difícil discriminar quem pode ser corrompido ou não. Porque o corrupto é, por natureza, um trapaceiro.
 Então não há chance de existir um corrupto arrependido?
 De um modo geral, eu diria que não. O corrupto se arrepende quando é flagrado ou punido, ou privado de algum tipo de benefício. Mas se ele tiver condições de trapacear novamente, não vai pensar duas vezes.
 Qual o perfil do corrupto?
 Geralmente são sedutores, bem-falantes, arrogantes, menos sensíveis ao sofrimento dos demais, egocêntricos, egoístas, histriônicos, teatrais, instáveis e oscilam do amor ao ódio de acordo com as circunstâncias que os gratifiquem ou frustrem. São trapaceiros nas pequenas e grandes coisas de sua vida, com baixa tolerância à frustração, gostam do atalho e utilizam a esperteza para satisfazer seus desejos.
 Um corrupto então jamais toleraria um trabalho normal...
 Ele fracassa em se conformar com as normas sociais; não aceitaria nunca ter um trabalho comum e ter que esperar virar o mês para receber um salário. Ele repetidamente pratica atos considerados como ilegais, tem propensão para enganar e mente compulsivamente. Sente prazer em ludibriar o outro. Enfim, utiliza quase sempre a chamada Lei de Gérson.
 O corrupto tem noção de que está praticando um ato ilícito ou já considera tudo normal?
Tem noção, sim. Mas apresenta uma indiferença ou racionaliza, apresentando sempre uma explicação para validar o seu ato: 'Eu ajo assim porque todo mundo faz ou o meu partido faz assim porque todos fazem'. Isso é para que ele se isente perante si mesmo.
 Todos possuímos este transtorno em algum grau?
 A experiência empírica mostra que não. Mostra que existem cidadãos que funcionam dentro de molduras éticas e morais preconizadas pela sociedade em que vivem. Mas estes indivíduos foram educados neste sentido, identificaram-se com comportamento éticos na família, na escola, na comunidade, na sociedade e na cultura, introjetaram estes valores e aprenderam a valorizá-los acima da auto-satisfação a qualquer preço.
 Uma pessoa que acha normal roubar um talher no restaurante sofreria do mesmo transtorno em grau menor?
Essa pessoa não deixa de ter comportamento transgressor, permissivo. Tem a característica de ser egocentrada. Há uma piada que diz que ela avança em termos de corrupção até onde vai a garantia do seu anonimato. Se aquele comportamento não for revelado, o indivíduo é capaz de fazer coisas maiores e maiores.
 A incidência deste comportamento é maior entre políticos e policiais?
 Aparentemente sim. A pessoa com esse comportamento tende a procurar essas profissões. O indivíduo que tende a se corromper tem a capacidade diminuída de conseguir seus benefícios com esforço, rotina. Ele busca atalhos e isso o leva a ocupações nos quais esse comportamento possa se manifestar livremente. A política e a polícia são instituições que dão autoridade, nas quais uma pessoa pode se sobrepor a outra. O abuso da autoridade é facilitado e ela tem acesso direto ao dinheiro com pouco controle. O indivíduo corrupto que for trabalhar num banco será flagrado. Não sobreviveria num trabalho normal.
 Qual o caminho para evitar novas gerações de corruptos?
 Educação. Mas num sentido muito mais amplo possível, que inclui o minuto a minuto em contato com a sociedade à volta. E nesse aspecto o Brasil é um mau exemplo. Temos uma cultura excessivamente permissiva e transgressora.

Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

Mais visitadas