terça-feira, abril 15, 2014

‘O Brasil de Justo Veríssimo e Umbelina’



Inspirado na sentença do Juiz de Jeremoabo quando comparou o ex-prefeito de Cel. João Sá a Odorico Paraguaçu, não poderíamos deixar Jeremoabo de fora devido as circunstância em que atualmente se encontra a cidade, ou seja, entregue as baratas.
Pensamos em Justo Veríssimo, mas esse é do sexo masculino, "combinava", mas não combinava, então me chegou a memória a artista Umbelina,  onde não poderia encontrar uma personagem, uma fotografia tão perfeita e adequada .

Portanto, como  “ só muda de opinião, quem tem opinião”, irei abandonar “anafel”, para adotar “anabelina”


Odorico
 X
Umbelina

‘O Brasil de Justo Veríssimo e Umbelina’

Manoel Afonso

CONCEITOS Falsos ou não, existem na política. Um deles, ‘o povo unido jamais será vencido’ resiste aotempo como propaga Umbelina ( assistente social do Zorra Total) ao ensaiar passinhos de dança ao som daquele refrão musicado.
UMBELINA lembra Justo Veríssimo, só que com mais filosofias vans e promessas demagógica para tentar engabelar o povo. Mas de certo modo ambos retratam os contraditórios cenários do poder, com o povo manipulado emocionalmente.
SEDUÇÃO A História mostra o sucesso da mentira junto ao povo. Os verdadeiros foram preteridos em favor dos falsos, especializados em promessas doces. Juntos, os homens perdem a razão, não pensam, são levados por emoções coletivas.
PERGUNTO: Não foi o chamado voto popular através da aclamação em praça pública que condenou Cristo e salvou Barrabás? Alí o ‘o povo estava unido’, mas tornou-se cruel perdendo o senso moral influenciado pelo discurso de Pilatos.
ENGANOS O povo alemão’ estava unido’ ao levar Hitler ao poder. Foi assim com Mao-Tse-Tung, Mussolini, Pol Pot (Camboja), Leopoldo II (Congo Belga), Stalin, Ceausesc (Romênia), Samora Michel (África) e tantos outros ditadores.
DEMOCRACIA Mesmo construída com os votos dados livremente tem em seu bojo equívocos/vícios. Hoje a sedução do ‘povo unido’ pelas imagens da mídia impressiona. Portanto, é grande a distância entre voto livre e voto consciente.
COMPARANDO: Na Roma antiga o ‘povo unido’ tinha pão e circo, onde os cristãos eram comidos pelos leões. Só que os cristãos de hoje são outros: de comida de feras eles se transformaram em donos do circo para conquistar o poder.
INDAGO: A vontade do glorioso ‘povo unido’ sempre é confiável, a melhor dentre todas aquelas alternativas de poder do quadro eleitoral? Ora! Também nossos exemplos domésticos mostram que não. Clique na sua memória e confira a extensa lista.
BRASIL Aqui a planificação racional da administração pública perde de goleada para as promessas ilógicas e inviáveis dos demagogos de plantão. Os escândalos mostram o ‘povo unido’ pelo imediatismo que não lhe cobra qualquer sacrifício pessoal.
O FUTURO Tende a copiar o passado e com a agravante de se inflar esses programas sociais de cunho eleitoral. Não haverá como dispersar o brasileiro, que ‘continuará um povo unido’, cada vez mais sedento por facilidades e bonificações.
SIM OU NÃO? A emenda parlamentar incentiva a corrupção? Teria caráter meramente clientelista? Agrediria em cheio o art. 37 da Constituição que recomenda legalidade, moralidade, impessoalidade e eficiência da administração pública?
OLHAR-1 Para o deputado/vereador é a chance de atender sua base eleitoral, onde repousam suas esperanças eleitorais. Esse ‘dando que recebe’ com o Executivo pode ser anti-partidário, mas faz o parlamentar se sentir prestigiado de vez.
OLHAR-2 Há risco das empreiteiras estarem vinculadas aos parlamentares ; os custos e benefícios das obras se tornam suspeitos. A avaliação das prioridades do gasto público passa pelo critério político, menosprezando assim o aspecto técnico.
DESEJOS Entre a questão partidária e sua sobrevivência política, o parlamentar quase sempre prioriza a segunda hipótese. Ele sabe: no fundo, o eleitor quer aquela obra ou benefício para sua comunidade, independentemente dos expedientes usados.
A JOGADA Se o Orçamento da União é de R$6 bilhões, cada parlamentar manipula R$40 milhões durante o mandato e acerta o financiamento empresarial da próxima campanha. Aí dificulta a eleição dos candidatos novatos e duros.
ARREMATE Explica-se ai as razões que levam parlamentares ‘oposicionistas’ a votarem a favor de matérias do Governo, além de evitar críticas ácidas ao Planalto. No fundo, no fundo, querem ver suas emendas liberadas e ponto final.
O PREÇO Era previsto! Atento aos espaços que se abrirão no Governo por conta das eleições, o PMDB quer aumentar sua fatia. A pseudo ameaça de rompimento é balela pura. Temer, Sarney e Renan – por exemplo, sem motivos para reclamar.
A PROPÓSITO: André não nega a boa ajuda federal recebida. Foi assim também na administração de Nelsinho. Claro: senadores e deputados influenciaram, mas no frigir dos ovos não houve discriminação contra a administração peemedebista.
DELCÍDIO Seu relatório de liberação de recursos divulgado no final do ano teve também esse condão de demonstrar: independentemente de partido, os prefeitos e vereadores foram atendidos na medida do possível pelo Planalto.
VOLTA? Sem time para compor uma chapa pura forte e sem mecanismos para bancar a campanha na ‘majoritária’, os tucanos locais admitem momentos de reflexão. Os deputados estaduais por exemplo sabem: correm sério risco.
‘A GUERRA’ Mesmo longe das eleições, o clima nas redes sociais é de intolerância. A tendência é que esses conflitos de opiniões acabem formando uma panela de pressão e o nível baixando cada vez mais. Opinar vai ficando cada vez mais difícil.
IMAGENS: Retratam a política. O ‘flagra’ de deputados evangélicos corruptos do DF orando por receberem R$50 mil do mensalão dos Democratas é bem isso. Essa mistura de religião & política é um verdadeiro samba do crioulo doido. Aleluia..
Eu amo os pobres... Vocês são gente – quase como nós!" ( Umbelina)
 Fonte: http://www.campograndenews.com.br/colunistas/manoel-afonso/o-brasil-de-justo-verissimo-e-umbelina


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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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