segunda-feira, setembro 23, 2013

SOBERANIA E ESTADO DE DIREITO.


SOBERANIA NACIONAL.
No decorrer da semana a Presidente Dilma anunciou o adiamento sine die da viagem que faria aos Estados Unidos da América do Norte a convite do Presidente Obama e que se mantida seria ela único Chefe de Estado no ano de 2013 a ser recepcionada na Casa Branca com direito a jantar de gala. Um tratamento especial, sem dúvida, quando o convidado   é consultado sobre a comida a ser servida e a música a ser tocada)
Edward Snowden, ex-agente terceirizado da Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA) ao repassar informações ao jornalista Glenn Greenwald, do jornal britânico The Guardian, sobre as bisbilhotices do Governo dos Estados Unidos sobre seus cidadãos, deu conta que invasões de privacidade alcançaram a Presidente Dilma e o Gabinete da Presidência e a Petrobrás, cujo ato soou como uma agressão à soberania nacional a exigir uma pronta e enérgica resposta na proporção da importância que tem hoje o Brasil. 
O Senador Pedro Simon, num dos raros momentos a se ombrear a Presidente Dilma ao tratar da espionagem americana sobre pessoas e Órgão do Estado nacional em sua coluna assinada no Jornal do Brasil, dimensionou a agressão ao dizer:
“O assunto é tão grave que requer extremo cuidado no tratamento e investigações aprofundadas. Porém, caso comprovada uma associação com o sistema de espionagem praticado, no Brasil, pelos Estados Unidos, as empresas estrangeiras que exploram o serviço de telecomunicações sob o regime de concessão pública no país, devem ser solicitadas a se retirarem do território nacional. Estamos diante de um caso claro de agressão à soberania, às liberdades individuais e privacidade dos cidadãos, numa atitude de desrespeito diante de tratados internacionais em escala poucas vezes vista na história.”
Na reunião do G 20 Dilma e Obama mantiveram reunião e o Presidente norteamericano ficou de prestar esclarecimentos sobre a ocorrência em curto prazo solicitado por Dilma. Jamais Obama pediria desculpas a Presidente Dilma e jamais poderia a Presidente honrar o convite do Presidente norteamericano sem que isso revelasse pequenez. Respeitadas as proporções, nas Américas, os dois países são dois gigantes. Um no norte e o outro no sul.
Quando a Presidente Dilma adiou a viagem convite isso repercutiu positivamente internamente e externamente.  A imprensa dos países mais importantes do mundo deu destaque ao adiamento da viagem da Presidente Dilma, positivamente.  
Sobre os atos de espionagem do Estado Norte Americano a Presidente emitiu nota e dela destaca-se: “As práticas ilegais de interceptação das comunicações e dados de cidadãos, empresas e membros do governo brasileiro constituem fato grave, atentatório à soberania nacional e aos direitos individuais, e incompatível com a convivência democrática entre países amigos.”.
No linguajar nordestino dir-se-á: “Valeu o boi”.
ESTADO DE DIREITO.
Na última quarta-feira, 18, o Min. Celso de Mello proferiu seu voto de desempate no recebimento do recurso Embargos Infringentes no caso da AP 470 e para desgosto de muitos nada aconteceu. Não houve o temido quebra-quebra, os condenados na ação penal continuaram condenados e a República continuou República.

No seu voto o Ministro expressou: “Se é certo que a Suprema Corte constitui por excelência um espaço de proteção e defesa das liberdades fundamentais (…) não pode expor-se a pressões externas como as resultantes do clamor popular e pressões das multidões sob pena de completa subversão do regime constitucional de direitos e garantias individuais”.

O recurso Embargos Infringentes oportuniza a quem foi condenado a prisão por voto de maioria, no caso, com obtenção de um mínimo de 04 votos favorável a si, poderia pedir a revisão do julgado ou da pena, dentro da normalidade processual e do princípio da ampla defesa e os recursos a ela inerentes, previsão do art. 5º., LV, da CF.

De nada adiantaram as pressões externas e internas contra o Ministro Celso de Mello que apenas ratificou o seu pensamento sobre a matéria anteriormente já externado. A instauração da AP 470 sem provas já foi uma temeridade a golpear as instituições e se fosse ainda como pretendiam,  negar aos réus os recursos inerentes ao direito da ampla defesa, estaríamos diante de uma ditadura, desta feita, da Corte Maior.

O jurisconsulto pátrio Ives Gandra Martins, muito respeitado no mundo acadêmico, conhecido pelo seu pensamento conservador e ligado a Igreja Católica (ele mantém um programa na Rede Vida no início da noite dos domingos),  em entrevista dada ao jornal Folha de São Paulo, edição de hoje, 22.09, ele criticou o acolhimento pelo STF da “teoria do domínio do fato” para justificar a instauração da AP 470, do mensalão, dizendo:

“O ex-ministro José Dirceu foi condenado sem provas. A teoria do domínio do fato foi adotada de forma inédita pelo STF (Supremo Tribunal Federal) para condená-lo.
Sua adoção traz uma insegurança jurídica "monumental": a partir de agora, mesmo um inocente pode ser condenado com base apenas em presunções e indícios.
................................................................
Por quê?
Com ela, eu passo a trabalhar com indícios e presunções. Eu não busco a verdade material. Você tem pessoas que trabalham com você. Uma delas comete um crime e o atribui a você. E você não sabe de nada. Não há nenhuma prova senão o depoimento dela - e basta um só depoimento. Como você é a chefe dela, pela teoria do domínio do fato, está condenada, você deveria saber. Todos os executivos brasileiros correm agora esse risco. É uma insegurança jurídica monumental. Como um velho advogado, com 56 anos de advocacia, isso me preocupa. A teoria que sempre prevaleceu no Supremo foi a do "in dubio pro reo" (a dúvida favorece o réu).”

Combater a corrupção que é um mal que se infiltrou nas instituições não autoriza a quem quer que seja a suprimir direitos e garantias fundamentais do cidadão. 

Paulo Afonso, 22 de setembro de 2013.

Fernando Montalvão. montalvao@montalvao.adv.br
Escrit. Montalvao Advogados Associados.




Juiz baiano é condenado por trancar comarca para promotora não trabalhar

Juiz baiano é condenado por trancar comarca para promotora não trabalhar
O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) condenou o juiz Antonio Henrique da Silva, da Comarca de Conceição do Almeida, no Recôncavo baiano, a "pena de censura" por má conduta. O magistrado foi acusado de trancar a comarca com cadeados e impedir o trabalho da promotora de Justiça e de advogados. Saiba mais sobre essa condenação na coluna Justiça.




por Cláudia Cardozo
Juiz baiano é condenado por trancar comarca para promotora não trabalhar
Juiz Antonio Henrique da Silva ainda intimidava pessoas com arma de fogo
O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) condenou o juiz Antonio Henrique da Silva, da Comarca de Conceição do Almeida, no Recôncavo baiano, a "pena de censura" por má conduta. A decisão é do dia 17 de julho, mas somente foi publicada no Diário da Justiça Eletrônico (DJE) desta segunda-feira (23). O Pleno do TJ-BA julgou, por unanimidade, a procedência da acusação. De acordo com o processo administrativo disciplinar instaurado pela Corregedoria, o magistrado colocou cadeado nas dependências dos cartórios do fórum da comarca de Conceição do Almeida para impedir o acesso da promotora de Justiça lotada na localidade. O juiz também foi acusado de tratar de maneira grosseira e humilhante a promotora de Justiça, os serventuários e membros da sociedade, além de manusear arma de fogo na frente de diversas pessoas para intimidá-las. Para reforça a intimidação, o juiz Antonio Henrique da Silva afirmava ter sido policial militar. O juiz, após um desentendimento com uma advogada, ainda teria ameaçado prendê-la.

De acordo com o acórdão, foi garantido ao magistrado todas as oportunidades de defesa, inclusive de qualificação e interrogatório, assistido por advogados. As acusações impostas a Antonio Henrique foram comprovadas através de depoimentos e fotos. De acordo com o processo, o juiz chamava, a todo instante, os servidores da comarca de “incompetentes”. Antonio Henrique, de acordo com acusação, violou os artigos 35 da Lei de Orgânica da Magistratura, do artigo 178, da Lei de Organização Judiciária da Bahia, e do Código de Ética da Magistratura. A relatora do acórdão, desembargadora Ivete Caldas, votou pela aposentadoria compulsória. O voto de Caldas, corregedora geral do TJ-BA, foi acompanhado pelo desembargador Antonio Pessoa Cardoso. O relator do caso, desembargador Abelardo Virgínio de Carvalho votou pela pena de advertência.


O juiz felizardo

por Samuel Celestino
Não dá para compreender como um juiz pinta, borda e ainda exibe o revólver. Tranca armários com cadeados, se desentende com a população de Conceição de Almeida, com a promotora do município, e é processado pela corregedoria do TJ-Ba. A corregedora, Ivete Caldas vota favorável  à aposentadoria de quem não tem, supostamente, condições de exercer a magistratura, assim como o desembargador Pessoa, de qualificação inquestionável e, no fim, o juiz ganha apenas uma mera suspensão. Deve estar festejando alguma coisa. Quem sabe, como cow-boy, fazendo piruetas com o revólver no dedo. Claro que a última assertiva é uma fantasia de quem brinca como menino. Assim o TJ-Ba não conserta. 


.

Dilma abre Assembleia-Geral da ONU com discurso sobre espionagem

por Tânia Monteiro | Agência Estado
Dilma abre Assembleia-Geral da ONU com discurso sobre espionagem

Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

Mais visitadas