Carlos Chagas
O pêndulo se desloca. Até pouco o PT mantinha o monopólio não só do poder, mas da arrogância e da presunção. À sua volta, os demais partidos da base governamental que se arrumassem com as sobras do banquete. Os companheiros não perceberam que o presidente Lula se descolava deles, tornava-se uma entidade maior do que eles. Acabaram descolados pela aproximação do processo sucessório e as exigências dos aliados para garantirem a continuidade não do petismo, mas do lulismo.
No centro dessa mutação postou-se o PMDB, sem o qual fracassaria, como ainda poderá fracassar, o projeto do Lula de permanência no controle do governo, no futuro. Ao impor a candidatura de Dilma Rousseff ao PT o presidente moveu a primeira peça destinada a esvaziar sua antiga base de sustentação. Para viabilizar a candidata que os companheiros não escolheram, obrigou-se a cortejar o maior partido nacional, que já havia aquinhoado com seis ministérios e centenas de diretorias de empresas estatais, possuidor das maiores bancadas no Congresso. Veio a decisão de obrigar o PT a não apresentar candidatos nos estados onde o governador é do PMDB. Em seguida, o episódio recente da preservação a qualquer custo do senador José Sarney na presidência do Senado. Para isso, o primeiro-companheiro não hesitou em humilhar seu próprio partido, levando-o a sustentar o ex-presidente da República às custas da determinação da bancada petista que pregava o seu licenciamento. O processo culminou com o enquadramento do líder Aloísio Mercadante, que da renúncia irrevogável passou à permanência inaceitável.
Encontra-se o PT na situação de que, se ficar, o bicho come, mas se fugir, o bicho pega. Já se fala até mesmo na aceitação de candidaturas do PMDB a governador nos estados onde o PT é governo, inversão vergonhosa do princípio anterior.
Fazer o quê? - indagam-se os petistas. Aceitar as imposições cada vez mais cruéis do chefe equivalerá a marcharem de cabeça baixa até o cadafalso. Mas insurgir-se, rebelar-se e contrariar o presidente Lula será pior, condenados ao massacre no campo de batalha.
Uma conseqüência parece certa: o PT, criador, submete-se à força inexorável da criatura. Ficará para os exegetas do futuro identificar em que momento da sua trajetória deu-se o início da ruptura do objetivo de tornar-se o partido que mudaria o Brasil. Pode ter sido quando o partido trocou os ideais pela presunção e a arrogância.
Não existe, mas se existir?
Voltaire, depois de passar a maior parte de sua longa vida negando a existência de Deus e atacando com virulência a Igreja, em seu leito de morte mandou chamar um padre para confessar-se e receber os últimos sacramentos. Não perdeu a ironia. Justificou-se diante da surpresa dos amigos afirmando: “não existe, mas se existir, é bom que eu esteja preparado…”
Com todo o respeito, o episódio se conta a propósito da sucessão presidencial do ano que vem. O presidente Lula não acredita nas possibilidades de Marina Silva, que acaba de trocar o PT pelo PV. Nos tempos em que a senadora era ministra do Meio Ambiente, sofreu com a má-vontade e a indiferença do chefe. Mas, por via das duvidas, se ela crescer como candidata e passar para o segundo turno, não custa nada elogia-la desde já…
Ainda não é horaO governador Aécio Neves não gostou nem um pouco das notinhas plantadas na imprensa a respeito de já ter-se decidido a formar na chapa de José Serra, como candidato a vice-presidente. Está sinceramente decidido a disputar a indicação presidencial, no ninho dos tucanos. Admitir a hipótese seria enfraquecer e até sepultar o projeto de seguir o exemplo do avô. Agora, se até o começo do próximo ano verificar a impossibilidade de superar o governador de São Paulo, no âmbito do PSDB, por que desconsiderar a formação de uma dupla eleitoralmente fortíssima, daquelas de botar os adversários para correr?
IncompreensívelPoucos entenderam a mais recente intervenção do ex-presidente Fernando Henrique ao defender não apenas a descriminalização do uso das drogas, mas ao considerar que devemos conviver com elas, esperando que causem o mínimo dano possível à sociedade, mas tendo-as como inevitáveis. Seria ensarilhar as armas e aceitar o inaceitável, mesmo sabendo das dificuldades para evita-lo. A Humanidade convive desde tempos imemoriais com a prostituição, mas considerá-la um mal inevitável é mais ou menos como condenar filhas, mães e irmãs à mais antiga das profissões do planeta. Vale o mesmo para os usuários de drogas. Mesmo sabendo que levará séculos para que desapareçam, assim como a prostituição, devemos acomodar-nos para a convivência?
Fonte: Tribuna da Imprensa
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