sábado, agosto 05, 2006

SANGUESSUGAS CURAM AMNÉSIA E CAUSAM HEMORRAGIA

Por: Paulo G. M. de Moura, cientista político

Quanto mais avançam as investigações da CPI das Sanguessugas, mais vai ficando clara a razão pela qual o Palácio do Planalto tanto se empenhava para impedir sua instalação. Ao juntarem-se os nós dessa nova teia de corrupção, aos poucos vai ficando claro que, por trás de mais esse assalto aos cofres públicos, há petistas graúdos. Ninguém rouba dinheiro público sem a cumplicidade de gente do poder Executivo, pela simples razão de que o dinheiro roubado está nos cofres do governo e não do parlamento. E nunca antes a Planam faturou tanto como sob o governo do senhor Luiz Inácio Lula da Silva.

O desespero dos petistas é visível. Diga-se o que se disser dessa tal de Constituinte Exclusiva que Lula inventou, mas há uma e somente uma explicação óbvia para o lance: o molusco precisava urgentemente desviar as manchetes das sanguessugas para outro assunto, no exato momento em que os nomes de um membro da executiva nacional do PT e de dois ex-ministros de Lula aparecem ligados ao eixo da corrupção.

Esse escândalo não poderia vir em pior hora para o candidato Lula. As pesquisas ainda o apresentam como líder do ranking eleitoral, mas as respostas dadas às perguntas do miolo dos questionários apontam indicadores extremamente preocupantes para o petismo no poder. O que dizem os números do Ibope?

a) Alckmin é o candidato menos rejeitado e sua rejeição caiu de 34% para 28% desde junho;

b) A desaprovação do governo Lula no quesito Segurança Pública subiu de 61% para 71% desde junho;

c) O índice de confiança do eleitor em Lula, caiu de 56% para 52% desde junho, e o índice de desconfiança subiu de 39% para 43% no mesmo período;

d) O índice de aprovação do governo (Ótimo+Bom) caiu de 44% para 40% desde junho;

e) O índice de aprovação de Lula caiu de 60% para 55%, e o índice de desaprovação subiu de 34% para 36% desde junho;

f) A voto espontâneo em Alckmin cresceu de 4% para 14% desde junho;

Se, por um lado, os números de Lula ainda são bons, por outro, revelam que quanto mais avança a campanha eleitoral, pior fica a avaliação de Lula e de seu governo. E isso que o horário eleitoral nem começou.

Na prática, se considerado apenas o ranking, os números estão estáveis, tanto no Ibope quanto no Vox Populi, que também divulgou pesquisa similar. O suposto crescimento de Heloisa Helena no Ibope, que teria ocorrido sobre eleitores de Alckmin, se de fato ocorreu, não preocupa, pois esses eleitores, num eventual segundo turno, voltam para Alckmin, cujo voto espontâneo cresceu. Esse crescimento da manifestação espontânea de voto em Alckmin revela a consolidação de decisão de voto de uma parcela expressiva dos eleitores, num patamar superior ao da votação estimulada em Heloisa Helena.

Para efeito de análise, há dois indicadores importantes no cenário político. Um deles vem dessa pesquisa e o outro da CPI das Sanguessugas.

A queda dos índices de avaliação de Lula e do governo, muito expressiva especialmente no quesito Segurança Pública, oferece aos estrategistas da oposição a possibilidade de explorar essa temática como instrumento de propaganda negativa associada ao candidato do governo, o que, se bem feito, tende a acentuar a queda do molusco nas pesquisas. No momento o poder de fogo da oposição está restrito ao noticiário e às agendas regionais dos candidatos, mas quando o horário eleitoral começar a coisa muda de figura.

O fato de que Lula tenha sentido a necessidade de gerar um factóide (proposta de Constituinte para fazer reforma política), indica que nas suas pesquisas devem estar constando que o eleitorado está fazendo conexões entre o escândalo das ambulâncias e o PT e seu governo. Aliás, institutos sérios não poderiam se furtar de fazer essa avaliação e de expô-la à opinião pública.

Por que isso é importante? Porque, esse escândalo de corrupção envolvendo dirigentes nacionais do PT e ex-ministros de Lula é mais eficiente do que a simples retórica da oposição como fator ativador da memória do eleitor, para relembrar o escândalo do mensalão e as responsabilidades do petismo com a corrupção nesse governo. E, tudo indica, as investigações das CPI serão concluídas praticamente no início do horário de propaganda eleitoral gratuita.

Sob essas circunstâncias, vai ser muito difícil que os estrategistas de Lula consigam pautar o debate eleitoral com outro assunto que não seja corrupção. E, pior para Lula, se tentar recorrer à questão da Segurança Pública para desviar o foco do debate e para tentar responsabilizar Alckmin pela rebelião do PCC em SP, seu discurso entra num terreno perigoso, pois o Ibope aponta claramente a desaprovação de seu governo nessa área de atuação, em que sua avaliação negativa atinge a marca de 71%.

Fonte:Diego Casagrande
http://www.diegocasagrande.com.br

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. 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