quarta-feira, agosto 23, 2006

PCC tem 391 'soldados' à disposição na cidade de SP

Por: Agência Estado

O Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa que age dentro e fora dos presídios, tem 391 'soldados' soltos pelas ruas de São Paulo aptos para serem recrutados para as missões ilícitas e terroristas da organização na cidade. O número, que cresce a cada dia, representa quase metade da tropa (809) em liberdade de todo o Estado, segundo análise do serviço de inteligência da Polícia Militar.

Dos soldados soltos na Capital, 275 deveriam estar atrás das grades por prática de crimes graves, como homicídios, latrocínios, tráfico de drogas e assaltos, mas se encontram foragidos. Os demais estão soltos por decisão judicial: ou porque já cumpriram sua pena ou porque progrediram para o regime aberto. Esse número inclui 78 homens apontados como 'pilotos' (líderes de determinada região).


A tropa está esparramada por toda a Capital, daí a facilidade de deflagrar atentados simultâneos e espalhar o terror de uma hora para outra nos quatro cantos da Cidade. Mas, a maioria se concentra na periferia das zonas Sul e Leste, como os bairros do Jabaquara, São Miguel Paulista, Itaquera e Guaianazes, de acordo com os dados do Fotocrim - banco de dados com fotos, características físicas e histórico criminal, com mais de 320 mil criminosos cadastrados.


São esses os homens que a cúpula do PCC aciona na hora de executar seus crimes. Um deles, o homicida e assaltante Alexandre Campos dos Santos, 28 anos, o Jiló, por exemplo, é apontado como um dos operacionais da facção na rua.


Ao lado de Carlos Alberto da Silva, o Balengo ou BL, e de Sherley Nogueira dos Santos, o Fininho, ele é suspeito de ter participado do seqüestro do repórter Guilherme Portanova e do auxiliar técnico Alexandre Calado, funcionários da Rede Globo, no dia 12 de agosto. Para libertar Portanova, o PCC exigiu que a Globo exibisse um vídeo em que repudia o regime disciplinar diferenciado (RDD) e reivindica o fim da "opressão carcerária". Os três suspeitos estão sendo procurados.


Mas nem todas as ofensivas do PCC têm sucesso. Sete horas antes do seqüestro dos profissionais da Globo, o assaltante Getúlio Arakaki Liubomirsch morreu em confronto com os policiais das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), durante o cumprimento da missão que tinha como objetivo a execução de dois juízes criminais de Osasco (Grande São Paulo). Arakaki e outros três comparsas ocupavam uma camionete Mitsubishi roubada especialmente para o crime. Armados com uma pistola 9 mm e um fuzil 7,62 mm, em vez de atender o sinal de parada dos policiais, decidiram enfrentá-los. Levaram a pior.


Após uma rápida perseguição, Arakaki e um dos comparsas morreram no confronto. Outros dois fugiram. No bolso da calça do criminoso, a ordem da organização: "É para matar sem dó". Os nomes e endereços dos juízes estavam registrados na correspondência apreendida por policiais da Delegacia Seccional de Osasco, que investiga a origem do manuscrito, assinado com o lema da facção: "Paz, Justiça e liberdade." A correspondência também dizia que Arakaki não podia refugar a missão, sob pena de ser condenado à morte.


Para evitar que o PCC atinja sua meta de matar juízes, diretores e agentes de presídio, a Polícia Militar está lançando mão de seus sistemas de inteligência para monitorar os homens da facção e conter a expansão do crime organizado.


O coronel Joviano Conceição de Lima, comandante do Policiamento de Choque, afirma que o Fotocrim é uma ferramenta de extrema importância para instruir as operações que são realizadas na Grande São Paulo.


"Sempre que vamos realizar uma Operação Saturação por Tropas Especiais (OST) ou Bloqueio de Área, recorremos ao Fotocrim para saber quem são os criminosos da região, seus comparsas e áreas em que atuam", afirma Lima. "Se não fosse o Fotocrim, estaríamos às escuras". O coronel foi um dos fundadores do sistema de inteligência, que começou a ser implementado pela PM em 1996.


O capitão Ulisses Puosso, oficial responsável pelo Fotocrim, afirma que o sistema inteligente melhora a eficácia da polícia sem aumentar em um só centavo os custos para o Estado. O sistema foi criado a custo zero e é atualizado pelos próprios policiais. Dados da Secretaria da Administração Penitenciária também ajudam a alimentar o banco de dados.

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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