Publicado em 27 de maio de 2023 por Tribuna da Internet

Joe Biden ainda não enxerga a possibilidade de um acordo
Diego Gimenes
Veja
Os Estados Unidos podem dar um calote no pagamento de suas dívidas pela primeira vez na história. O prazo dado pela Secretaria do Tesouro americano para evitar esse desastre é o próximo dia 1° de junho, a próxima quinta-feira.
As negociações entre democratas e republicanos ainda não foram concluídas e os congressistas correm contra o tempo para afastar a possibilidade de calote que traria efeitos gravíssimos para o mundo inteiro.
SEM ACORDO – Os democratas e republicanos saíram de mais uma reunião sem acordo para a elevação do teto da dívida dos Estados Unidos. Da forma como está, o país pode deixar de honrar alguns de seus pagamentos já a partir do início do próximo mês de junho.
A agência de classificação de risco Fitch colocou o rating AAA dos Estados Unidos em observação negativa na quinta-feira, dia 25. As razões para o atraso nas negociações sobre o teto da dívida americana são diversas. A contrapartida dos republicanos é um corte nas despesas do governo, porque efeitos de um possível calote seriam catastróficos para o mundo inteiro.
FALTA PRESSÃO – Alguns analistas avaliam que a razão por trás do atraso nas negociações é a falta de pressão do mercado financeiro. Apesar de alguns índices acionários terem negociado em baixa nesta semana, alguns estão em suas máximas de nove meses, como é o caso do S&P 500.
“Não há pressão de mercado (ainda), com o S&P 500 na máxima dos últimos nove meses e falta a narrativa de algum ‘culpado’. Os políticos desescalaram a narrativa de culpar o outro lado da mesa numa tentativa de melhorar a negociação na semana passada. Pouca pressão imediata, política e de mercado, tem sido uma das hipóteses para explicar a falta de resolução do impasse”, analisa Alex Lima, estrategista-chefe da Guide Investimentos.
DEMOCRATAS UNIDOS – Todos os deputados democratas da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos assinaram uma petição para votar a elevação do teto da dívida “limpo”, isto é, sem condicionar o aumento a cortes nos gastos públicos.
O anúncio foi realizado pelo parlamentar democrata Brendan Boyle, por meio de sua conta no Twitter. A petição reuniu 213 assinaturas e, segundo Boyle, é o terceiro maior número para qualquer requisição do gênero nos EUA desde 1997.
Caso o partido democrata mantenha este apoio, seriam necessários apenas mais cinco votos de deputados republicanos para levar o projeto de lei ao plenário para votação.