domingo, março 29, 2020

O isolamento de Bolsonaro é intencional e tem objetivo de ganhar votos para reeleição


Confira a charge de Jota A publicada na edição desta quarta do ...Deu no Estadão           /    Charge do Jota-A (O Dia/PI)
O presidente da República, Jair Bolsonaro, escolheu isolar-se dentro de seu próprio governo. Multiplicam-se os relatos de que Bolsonaro já não dá ouvidos nem mesmo a alguns de seus principais ministros, inclusive em questões de alta complexidade e que demandam o parecer de especialistas. O desencontro entre o discurso irresponsável do presidente em relação à epidemia de covid-19 e as recomendações de cautela por parte do Ministério da Saúde foi apenas o mais recente exemplo do distanciamento de Bolsonaro daqueles que trabalham para auxiliá-lo neste momento dramático.
Em sua quarentena particular, optou deliberadamente por não mais levar em conta as opiniões daqueles cuja função é fornecer-lhe os dados da realidade e apontar soluções com base neles. Tem preferido prestar atenção em conselheiros que o atiçam contra tudo e todos que são considerados obstáculos a seu projeto de poder.
O FILHO PRÓDIGO – Assim, não foi acidental a participação do vereador Carlos Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, em reuniões nas quais o presidente discutiu a epidemia de covid-19 com governadores de Estado. Sem qualquer expertise conhecida na área de epidemiologia ou na administração de crises, Carlos Bolsonaro esteve presente na condição de coordenador do chamado “gabinete do ódio”, um grupo informal que assessora o presidente sobre estratégias nas redes sociais.
Enquanto o País se une e se mobiliza para encontrar maneiras de enfrentar e superar a epidemia, o presidente e seus filhos se empenham em criar conflitos, sempre com o objetivo de auferir lucros eleitorais. Desde que tomou posse, Bolsonaro já se indispôs diversas vezes com os demais Poderes e com a imprensa.
O alvo atual são os governadores, a quem Bolsonaro criticou duramente em cadeia nacional de rádio e TV depois de se consultar com o “gabinete do ódio”, atitude que estarreceu até mesmo alguns de seus ministros e assessores.
PALANQUE DEMAGÓGICO – Com isso, Bolsonaro transformou um gravíssimo problema econômico e de saúde pública – a epidemia de covid-19 – em palanque próprio para demagogia. Ao se queixar do isolamento compulsório e dos efeitos econômicos da quarentena imposta pelos governos estaduais e municipais, minimizando a epidemia, Bolsonaro apresenta-se como porta-voz de milhões de brasileiros aflitos com sua queda de renda e com a interrupção de negócios – embora seu governo tenha tomado até agora poucas e tímidas medidas para mitigar o desastre econômico.
Sem qualquer escrúpulo, explora essa angústia com objetivos políticos, jogando a crise econômica na conta dos governadores – que apenas estão fazendo o que precisa ser feito para poupar vidas. E, no cúmulo da desfaçatez, ainda o faz de maneira cínica: em postagem no Twitter, acusou os governadores de “fazer demagogia diante de uma população assustada” em vez de “falar a verdade”. E continuou: “Aproveitar-se do medo das pessoas para fazer politicagem num momento como esse é coisa de covarde!”.
Nas redes sociais, os bolsonaristas, encabeçados por outros dois filhos do presidente, Eduardo e Flávio Bolsonaro, trataram de espalhar textos e vídeos – falsos ou fora de contexto – que embasam seus questionamentos acerca das medidas restritivas dos governadores contra a epidemia.
DIZ OLAVO DE CARVALHO – O site do ex-astrólogo Olavo de Carvalho, cujos seguidores formam o “gabinete do ódio” no Palácio do Planalto, acusou os governadores de, “na surdina”, se “aliarem à China contra Bolsonaro”. O próprio Olavo de Carvalho chegou a postar um vídeo em que diz que a epidemia de covid-19 “simplesmente não existe”, sendo “a mais vasta manipulação de opinião pública que já aconteceu na história humana”.
É esse tipo de opinião que tem orientado o presidente Bolsonaro em suas atitudes e pronunciamentos nos últimos dias. Seus recuos ou acenos ao diálogo são apenas táticos, para manter a esperança de que a institucionalidade prevalecerá, enquanto o bolsonarismo trabalha febrilmente para miná-la. Cada vez mais encerrado no “gabinete do ódio”, Bolsonaro não tem outra coisa a oferecer ao Brasil.
(Artigo enviado por José Carlos Werneck)

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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