quarta-feira, julho 31, 2019

‘Não vou fugir desse país’, afirma Glenn Greenwald em ato a seu favor no Rio de Janeiro


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Glenn Greenwald discursa, ao lado de Paulo Jerônimo, da ABI
Ana Luiza AlbuquerqueFolha
“Esse é meu passaporte norte-americano”, mostrou o jornalista Glenn Greenwald aos presentes que, em ato a seu favor, lotaram o auditório da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no centro do Rio de Janeiro, na noite desta terça-feira (30).  “Esse passaporte me permite ir para o aeroporto a qualquer minuto e sair do país”, continuou. “Eu não me importo com as ameaças que Bolsonaro fez contra mim. Eu não vou fugir desse país.”
O site The Intercept Brasil, do qual Glenn é fundador, tem publicado desde 9 de junho reportagens com base em diálogos vazados do ministro da Justiça Sergio Moro e de procuradores da força-tarefa da Lava Jato.
PEGAR UMA CANA – O presidente Jair Bolsonaro já afirmou que, em seu entender, Glenn cometeu um crime e que “talvez pegue uma cana aqui no Brasil”.
Em entrevista antes do ato, o jornalista se disse ameaçado por Bolsonaro. “Quando o presidente está te ameaçando por três dias consecutivos, usando seu nome como Jair Bolsonaro está fazendo contra mim, obviamente o risco é grande de eu ser preso. Nós sabemos isso todo o tempo”, afirmou.
Em sua fala durante o evento na ABI, Glenn disse que estão tentando personalizar em torno dele as reportagens publicadas pelo site, enfatizando características como o fato de ser gay e estrangeiro. Ele afirmou que não participou da produção da maioria dos textos publicados pelo Intercept e que a equipe não está recebendo o crédito que merece.
APOIO DA MÍDIA – O jornalista também agradeceu aos presentes e aos veículos de comunicação que atuaram em parceria com o site na publicação das reportagens, entre eles a Folha.
“Nunca imaginei que eu fosse falar o que vou falar agora. Muito obrigado para a Folha de S.Paulo, para a Veja, BandNews, para o Reinaldo [Azevedo].”
Ele afirmou que tem críticas à cobertura da Lava Jato realizada por esses veículos, mas que agora eles também fizeram uma “autocrítica”. “A revista Veja admitiu que ficaram cinco anos construindo essa imagem do Sergio Moro, botando ele na capa sem críticas. E quando conseguiram ler os fatos, eles perceberam muito rápido que tudo que fizeram era errado. A máscara caiu por causa do jornalismo”, disse Glenn.
AS PRISÕES – Na última terça-feira (23), quatro pessoas foram presas em operação da Polícia Federal deflagrada contra hackers suspeitos de invadir celulares de autoridades. Um dos detidos, Walter Delgatti Neto, afirmou em depoimento que repassou mensagens que obteve a Glenn, de maneira anônima, voluntária e sem cobrança financeira.
O jornalista e o Intercept têm dito que não fazem comentários sobre suas fontes. Sobre sigilo da fonte, o artigo 5º da Constituição afirma: “É assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional”.
Estiveram presentes no ato artistas como Chico Buarque, Wagner Moura, Marcelo D2 e Camila Pitanga, advogados como Pierpaolo Bottini e Carol Proner, e políticos como os deputados federais Marcelo Freixo (PSOL-RJ) e Jandira Feghali (PC do B-RJ). Além, é claro, de Glenn e de seu marido, o deputado federal David Miranda (PSOL-RJ).
MIRANDA E CHICO – Em seu discurso, Miranda disse que Bolsonaro não sabe o que é a periferia ou passar fome. “E agora ele vem ameaçar meu marido. Coitado do Bolsonaro.”
Ele contou que uma das coisas mais difíceis que tem vivido é dormir longe de Glenn por algumas noites, quando está em Brasília. “Do outro lado eles têm a barbárie. Nós temos o amor.”
Chico Buarque, por sua vez, disse que as revelações mostram o quanto se armou por baixo dos panos para eleger o atual governo, com o apoio dos grandes órgãos de comunicação que fizeram do juiz Moro um herói. “Quero prestar minha homenagem e solidariedade aos jornalistas do Intercept, especialmente a Glenn, pelas ameaças que vem sofrendo de Bolsonaro de pegar uma ‘cana’ e do ministro Moro de ser deportado”, afirmou.
MAIS ORADORES – Wagner Moura defendeu o jornalismo como pilar fundamental da democracia e disse que o momento é de solidariedade.
“Importante que sejamos solidários com todo jornalista que possa bater no peito e falar: ‘Eu sou jornalista de verdade. Meu único compromisso é com a notícia, com o fato, com a verdade, e por que não dizer, com a justiça social'”, afirmou.
A viúva de Marielle Franco, vereadora assassinada em março do ano passado em crime ainda não solucionado, Mônica Benício, também prestou solidariedade a Glenn. Ao final de sua fala, os presentes entoaram: “Por Marielle quero justiça, eu não aceito presidente da milícia”.
RODRIGO MAIA – A organização reproduziu, com auxílio de um projetor, o vídeo em que o presidente da Câmara, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), mostra apoio a Glenn. A iniciativa não foi bem recebida pelo público, que vaiou Maia ao início e ao final da gravação. “Para de dar voz para a direita!”, gritava um manifestante.
O ato aconteceu sob gritos de “Lula livre” e “Ei, Bolsonaro, vai tomar no cu”. Quando Glenn adentrou o auditório, os presentes aplaudiram efusivamente e entoaram: “Ih, fudeu, o Glenn apareceu”.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
  – É lamentável o clima de “nós e eles” que se formou no país e nada tem a ver com a democracia. Pelo contrário, esse extremismo de direita e esquerda, no ponto que está chegando, é uma ameaça concreta à democracia, que está vivendo sua pior crise desde 1964. (C.N.).  

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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