quarta-feira, julho 31, 2019

Condenado a mais 18 anos, Cabral sonha com uma delação que jamais será aceita


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Pena de Sérgio Cabral agora subiu para quase 216 anos de cadeia
Juliana Castro e João Paulo SaconiO Globo
O juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, condenou mais uma vez, nesta terça-feira, o ex-governador Sérgio Cabral. Com a nova sentença, de 18 anos de prisão por corrupção passiva, as penas dele no âmbito da Operação Lava-Jato já somam 215 anos e 11 meses (ele está preso desde novembro de 2016). O processo em questão envolve propinas pagas a Cabral para favorecimento em contratos de merenda para escolas e quentinhas distribuídas em presídios.
Além do ex-governador, foram condenados o empresário Marco Antonio De Luca (a 32 anos por corrupção, lavagem de dinheiro e pertencimento à organização criminosa) e o operador Luiz Carlos Bezerra (8 anos e 3 meses). De Luca teria sido favorecido em contratos pelo esquema de Cabral, com repasses financeiros intermediados por Bezerra.
PROPINAS – Segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), no período compreendido entre 1º de janeiro de 2007 e 9 de novembro de 2016, houve pagamentos a título de propina a Cabral no total de R$ 16,7 milhões. O dinheiro era referente ao favorecimento das empresas de De Luca (entre elas, a Masan Serviços Especializados Ltda) em contratos firmados pelo governo fluminense na gestão do emedebista.
Em maio do ano passado, Marco Antônio De Luca, que foi acusado de ter pago propina para ser favorecido no fornecimento de merenda para escolas e “quentinhas” para presídios do estado, foi reinterrogado a pedido de sua defesa e admitiu que o ex-governador pediu dinheiro a ele em duas ocasiões: 2014 e 2016. Em cada uma delas, foi solicitado R$ 1 milhão.
De acordo com o empresário, os recursos foram repassados ao ex-governador em parcelas por meio do operador Luiz Carlos Bezerra, que coopera com os procuradores da Lava-Jato e havia confirmado o pagamento de propina.
FARRA – Na sentença, Bretas destaca que, diante do caso, “não restam dúvidas de que a relação de proximidade entre os corréus (Cabral e De Luca) ultrapassou os limites dos interesses administrativos e empresariais”. O magistrado pontua também que uma prova dessa relação é a participação de De Luca no episódio conhecido como “Farra dos Guardanapos”, em 2009.
Ao condenar De Luca por integrar organização criminosa — mesmo crime pelos quais Cabral e Bezerra já foram condenados — Bretas afirmou que o empresário integrava um dos quatro núcleos de divisão de tarefas organizados por Cabral em seu esquema. Trata-se do núcleo econômico, que se relaciona também com os núcleos administrativo; financeiro operacional (do qual Bezerra fazia parte) e político (no qual atuava Cabral).
OBRAS DE ARTE – No caso específico de De Luca, Bretas registrou na sentença uma absolvição para o crime de lavagem de dinheiro através da compra de obras de arte. Na acusação, o MPF apontou que o empresário teria comprado 16 obras de arte avaliadas em R$ 115,6 mil para converter os valores recebidos em contratos com o governo do estado em ativos ilícitos. O juiz não viu nos autos provas de que isso realmente ocorreu.
De Luca foi preso da Operação Ratatouille, deflagrada em junho de 2017. Meses depois, por decisão da segunda turma do Supremo Tribunal Federal (STF), ele foi solto, mas deveria estar em casa à noite e aos fins de semana. Durante a audiência em que foi ouvido, a defesa de De Luca pediu para que ele fosse colocado em regime domiciliar, o que é levado em conta para o abatimento de pena. Bretas concordou.
VAI RECORRER – Procurada pelo GLOBO, a defesa do ex-governador Sérgio Cabral disse que vai recorrer da sentença por não concordar com a pena aplicada, mas afirmou que a postura de auxliar as autoridades será mantida.
A defesa de Marco Antônio de Luca informou que “a sentença apresenta pontos que deverão ser esclarecidos por via própria, adequando a pena ao caso concreto” e, caso isso não ocorra, deverá recorrer. O advogado de Luiz Carlos Bezerra informou que também entrará com recurso.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Cabral está cooperando, porque sonha com uma delação premiada, mas isso não irá se concretizar. A lei não admite que os chefes das quadrilhas sejam beneficiados com a delação premiada, que só pode ser feita pelos cúmplices. (C.N.)

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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