terça-feira, julho 03, 2007

O ODOR FÉTIDO DO SENADO

Por SOARES 02/07/2007 às 19:08
O fato é que esta sucessão de denúncias envolvendo a cada dia um novo senador e as grotescas manobras de acobertamento deste mar de lama, nos fazem pensar e concluir sobre a inutilidade da existência do Senado Federal.Muitas democracias do mundo adotam, com sucesso, o sistema unicameral de representação.

O ODOR FÉTIDO DO SENADO O Senado Federal não está apenas ?sangrando?, como querem muitos. Está ?fedendo?. E quem diz não sou eu, nem quem tem observado com certo interesse o dia- a- dia da farsa montada pelos senadores na tentativa de livrar a cara do seu presidente, Renan Calheiros.Quem afirma é o senador pernambucano Jarbas Vasconcelos, por sinal um dos poucos a não se calar de maneira subserviente diante da trama pró absolvição. Constituído em sua maior parte por caciques políticos ? ex-presidentes, ex -vice -presidentes, ex-governadores, ex-ministros ? o Senado , antes conhecido como a casa da da moderação, da cordialidade, e do bom senso, é hoje um reduto onde se aconchegam tanto políticos em final de carreira- caso, por exemplo, dos senadores José Sarney, ACM, Epitácio Cafeteira, Marco Maciel, - como também políticos que usam a casa como um mero trampolim para saltos mais altos ? um governo de estado, um ministério, ou, quem sabe?, até mesmo a presidência da República.O fato é que o Senado, hoje, está ficando longe daquilo que o falecido senador Darci Ribeiro definia como ?algo muito semelhante ao paraíso, com a diferença de que para se alcançar o paraíso seria preciso morrer?. O fato é que o ?paraíso senatorial? da analogia de Darci tem se transformado, nos últimos tempos , num inferno, tanto para os senadores envolvidos em sucessivos escândalos, quanto para o cidadão contribuinte. Muitos atribuem esta modificação de comportamento à TV Senado , que, ao transmitir ao vivo o trabalho- ou a falta de trabalho -dos senadores,deu mais transparência e visibilidade às suas atividades e ao seu comportamento. Pode ser coincidência, mas foi após o advento da TV que assistimos à cassação de um Senador- Luis Estevão- , a renúncia de três senadores- ACM, José Roberto arruda e Jader Barbalho ? para evitar a cassação, e , agora, assistimos ao imbróglio envolvendo o presidente Renan Calheiros e, de quebra, outro, envolvendo o senador brasiliense Joaquim Roriz. Por envolver o presidente do Congresso, um dos principais artífices e avalistas da aliança que sustenta o governo, o caso Renan Calheiros, sem dúvida, tomou proporções gigantescas.Denunciado por cobrir despesas de sua ex-amante com recursos pagos por um lobista da empreiteira Mendes Junior, a questão que deveria ter sido rapidamente resolvida, com o imediato afastamento do suspeito do cargo de presidente do Senado, para facilitar uma pronta e profunda investigação do caso, se transformou num tragicomédia com roteiro de quinta categoria , dirigida dos bastidores pelo próprio investigado.A partir de então, ao sentimento corporativo, no que de pior existe, juntou-se o espírito governista, numa tentativa canhestra de se preservar a todo custo a aliança que sustenta o governo Lula. Assim sendo, nas últimas semanas fomos obrigados a engolir uma sucessão de cenas deploráveis, a saber : um corregedor (Romeu Tuma) açodadamente ?inocentando? o indiciado, antes mesmo de examinar os documentos; um presidente ( Siba Machado ) e um relator ( Epitácio Cafeteira) escolhidos a dedo pelos apoiadores de Renan; a adoção de um rito sumaríssimo, no propósito evidente de arquivar o caso; o auto-afastamento do relator titular em consequência da não votação do seu arremedo de relatório;a renúncia do relator substituto( Wellinton Salgado ) menos de 24 horas após ter sido escolhido ; as sucessivas tentativas de procrastinar as investigações da reunião do Conselho para que nada se investigasse; as suspeitas sobre a autenticidade dos documentos apresentados pelo indiciado; o comportamento dúbio dos oposicionistas no Conselho, que , em muitos momentos, pareciam fazer o jogo de Renan; o discurso de renúncia do presidente do Conselho, Sibá Machado, numa sessão plenária presidida pelo próprio Renan.que fazia de tudo para cercear os apartes. Pois foi justamente um destes apartes que, saindo do script traçado pela maioria governista , valeu muito mais do que todo o conjunto das manifestações de insatisfação e de protesto feitas até agora com relação à atual situação do Senado..O aparte que valeu opor um discurso teve o mérito de mostrar que, conforme a fábula, o rei estava nu. ?O que não pode é ( o senado) ficar sangrando, e ,mais do que isso, fedendo?, disse, do alto de sua estatura moral e política, o senador Jarbas Vasconcelos, uma das raras figuras que ainda merecem crédito no Senado. O senador pernambucano protestou contra a farsa em andamento, se referiu à desmoralização do Senado, pediu uma solução urgente para o caso e ,de quebra, ainda se disse indignado com o fato constrangedor de Renan presidir a sessão em que o presidente do Conselho apresentava os motivos de sua renúncia ao cargo. Mas as palavras lúcidas, francas e contundentes de Jarbas parecem não terem sido suficientes para comover e chamar aos brios os senadores. Pelo contrário, a escolha do substituto do renunciante Sibá Machado recaiu sobre outro serviçal de Renan, o medíocre senador por Tocantins Leomar Quintanilha, apesar da oposição ter resolvido apresentar a candidatura do líder do PSDB, Arthur Virgílio, em que pese a sua suspeita troca de bilhetes com Renan , flagrada por fotógrafos no Senado, ter levantado dúvidas sobre as suas verdadeiras intenções. A primeira trapalhada de Quintanilha foi convidar e, em seguida, desconvidar o senador Renato Casagrande para relator. Soube-se também que o senador eleito presidente do Conselho de Ética é, ele também, alvo de processos no STF e na Procuradoria Geral da República, por formação de quadrilha, prática de fraudes em licitações, estelionato e peculato. Ou seja, o atual Presidente do Conselho de Ética e de Decoro Parlamentar tem a ficha criminal tão suja que pode ser o próximo alvo das investigações do conselho que agora preside.. O fato é que esta sucessão de denúncias envolvendo a cada dia um novo senador e as grotescas manobras de acobertamento deste mar de lama, nos fazem pensar e concluir sobre a inutilidade da existência do Senado Federal.Muitas democracias do mundo adotam, com sucesso, o sistema unicameral de representação. No atual contexto, faz sentido a tese dos que defendem uma reforma política de verdade - e não o arremedo de reforma que está acontecendo na Câmara. E que nessa desejável reforma ,ao lado da adoção do Parlamentarismo se decidisse também pela abolição definitiva do Senado.Caso acontecesse, o país não ficaria pior do que já está, nem a democracia ficaria abalada.Mas o contribuinte, com certeza, ficaria sinceramente grato pelo fim deste antro de absorção do dinheiro público e palco permanente do cinismo, da desfaçatez e do desprezo com o interesse público em que se transformou o Senado . E o odor fétido a que se referiu o senador pernambucano certamente seria muito menor. 020707
Email:: fasoares15@bol.com.br URL:: http://blogdofasoares.blogspot.com/



Comentários


PARA QUÊ SENADO? PARA QUÊ CONGRESSO?
Cesar Navarro 02/07/2007 20:29 cnavarro@pop.com.br
O povo brasileiro sustenta esse bando de ladrões de dnheiro público, que só estão lá para enriquecerem mediando negócios. Com direito a dezenas de pessoas e verbas como regalias. Para quê sustentar esse lixão? Prebiscito já!Para o povo dizer se aprova o fechamento desses antros, substituindos por uma cúpula com os melhores técnicos do país, nomeados para enfrentarem os problemas da Nação. Resolvewriam muito, e à baixo custo.

onte: CMI Brasil

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

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