domingo, julho 01, 2007

JEREMOABO EM RISCO.

Fernando Montalvão é titular do Escritório Montalvão Advogados Associados

Quando se diz JEREMOABO EM RISCO, não quer dizer que estejamos próximo de algum cataclisma, como a mercê de um terremoto, furacão, tsunami ou de uma grande seca. Não, o risco é outro, é pior, é o risco da violência política iminente.

Embora passadas às eleições municipais de 2004, infelizmente, os palanques não foram desarmados, principalmente, para os que mamaram (bezerro desmamado) nas tetas da corrupção por 08 (oito) anos. O fato é que a busca desenfreada pela reconquista do poder vem causando grandes males a cidade e dividindo as pessoas. Antes, a disputa pelo poder era entre as famílias Sá e Nolasco. Passadas as eleições, a vida voltava ao cotidiano natural, mesmo com o dia a dia político de cada facção, as pessoas se reuniam, freqüentavam os mesmos lugares, se cumprimentavam e nutriam o respeito entre si. Hoje não, a coisa mudou. A violência é latente e as agressões são uma constante.

No último dia 23, véspera de São João, já cheguei a Jeremoabo por volta das 13 horas, em razão de meus afazeres da advocacia, retornando no dia seguinte, domingo, para Paulo Afonso, em torno de 11:00. A bem da verdade, estava levando meus filhos e netos, não para os festejos religiosos ou profanos de São João, os levei para uma visita a minha mãe, já com saúde precária. Após minha chegada, fiquei conversando com Zé Antonio, enquanto aguardava o desfile do casamento na roça. Perdemos a saliva e a voz, nada de casamento. Fui com minha família e convidados para o restaurante de Lurdinha, enquanto aguardava o casamento, nada de casamento. Somente as 18:00 mais ou menos, já no início da noite, passaram alguns cavaleiros, com Spencer na frente. Não tive ânimo para ir ao Arraiá e fui dormir cedo.

Já em Paulo Afonso, tomei conhecimento que a violência na concentração do casamento, correu frouxa, sob o comando do corruptista, o qual, segundo Spencer, em conversa que mantivemos por telefone, já aparentando sinais de embriagues, em cima do cavalo, esticava as pernas para ficar no alto e dava grito de incentivo de violência a seus liderados. Everaldo Gama e outros foram fortemente agredidos, tudo, como resultado da omissão do Comandante da Cia de Polícia Militar, que foi incapaz de planejar um policiamento ostensivo eficaz. Em frente a Prefeitura a anarquia foi generalizada.
Não é a primeira vez que Tista rodeado de seus puxa sacos agride pessoas. No ano passado, 2006, em frente da casa de Dedé (meu irmão), ele tentou pisotear de cavalo todos que estava na calçada. No momento, estavam ali minha esposa, meus filhos, meus netos de 04 e 03 anos, meus sobrinhos, parentes vindos de Salvador e de outros lugares. Não fosse a intervenção de Lú (Luís Montalvão) e Luciano, talvez tivesse acontecido coisa pior, o que tomei conhecimento no dia imediato, posto que no momento não estivesse ali. Ele, como sempre acontece, embriagado.
Jeremoabo hoje é uma cidade dividida e as pessoas não se respeitam mais, se agridem. É esse o risco de Jeremoabo. Uma liderança política, se é que mereça ser passivo da expressão, de forma, despudorada, inconformado com a derrota humilhante de 2004, a todo custo, tem a pretensão de demonstrar ante Spencer, o Prefeito Municipal, maior prestígio. Ledo engano. Decerto que os que com ele se aproveitaram da coisa pública por longos 08 anos, tenham o ardor. Da maneira com que a carruagem está sendo conduzida, dificilmente não ocorrerão mortes. É preciso rezar muito para São João para que isso não aconteça. Se a violência não for contida, no próximo ano, que será um ano eleitoral, estará fora de controle e o Jeremoabo pacato, que já era, mais uma vez, já era.
É bom lembrar que basta o Judiciário ágil e a candidatura dele já era. São 14 condenações por parte do Tribunal de Contas dos Municípios – TCM, e mais 02 condenações por parte do Tribunal de Contas do Estado – TCE, todas o mandando devolver o que ele se Apropriou Indebitamente, o dinheiro público. Está denunciado pelo Ministério Público Criminal por crime de malversação do dinheiro público. Já responde a três ações de improbidade administrativa, que tem curso na Comarca, além de outros procedimentos. Na Justiça Federal, Subseção de Paulo Afonso tramitam a Representação Criminal de nº. 2006.33.06.004165-8, já com a Polícia Federal desde 11.12.2006, e uma ação ordinária, de nº. 2006.33.06.000829-0.
É bom ficar de olho.
Lembrar-se-á, e Tista deve repensar o que vem fazendo de males para si, sua família e para o Município. Descende de duas famílias das mais tradicionais de Jeremoabo, Melo, pelo lado materno, Carvalho, pelo lado paterno, que nunca foram afeitas à violência, pelo menos, não tenho comigo nenhuma lembrança, e olhe que já estou com 56 anos de idade. Lembre-se ainda que um Juiz com caneta rápida e um Ministério Público atuante é o bastante para debelar atos de violência. Recentemente, o MM Juiz de Direito da Comarca já demonstrou como é sério e de decisão firme. Comenta-se, amiúde, que um ex-Prefeito já foi parar na cadeia.
De alta gravidade, lembro-me de dois capítulos ocasionais da vida política de Jeremoabo. O mais recente, a morte de Pin (que era meu tio, eis que irmão de minha mãe), e o mais remoto, envolvendo o pai de Tista, José Lourenço de Carvalho, Deda, um homem sério e sóbrio, que foi desafiado em sua residência por um promotor, Dr. Renato, que portava consigo duas armas a mão. Do capítulo, foi preso, injustamente, Tonho Magro, irmão de Deda e tio de Tista, um homem de bem que passou vários dias preso no Quartel do Exercito em Paulo Afonso. O Juiz da época, Dr, Raimundo Irmão, interceptou uma Rural, salvo engano, veículo destinado ao transporte do Prefeito, com armas e dois seguranças, Edgar e Expedito. . Eu estava no início de minha adolescência e tenho vagas lembranças.
De que vale a violência, senão constranger ou lesionar pessoas, ceifar vidas e resultar prisões, justas, e até injustas. É bom repensar Jeremoabo por que violência não leva a lugar algum.
Sobre a os festejos juninos em Jeremoabo, a sua descaterização, o resgate das tradições e forma de organização, tratarei posteriormente.

Paulo Afonso, 01 de julho de 2007. Fernando Montalvão.

Montalvão, Fernando. JEREMOABO EM RISCO. Montalvão Advogados Associados. Paulo Afonso - BA, 01 de julho de 2007. Disponível em: http://www.montalvao.adv.br e montalvaoaaassociados.adv.br/plexus/artigos_conxoespoliticas.asp

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. 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