terça-feira, julho 03, 2007

Executivo, Legislativo e Judiciário não se importam

Por: Helio Fernandes

Com o roubo monstruoso do que chamam de dívida
O Congresso deveria legislar para o povo, se preocupar com a transparência. Deveriam (os parlamentares) fazer uma lei que obrigasse os institutos de pesquisa e o próprio IBGE (o maior de todos e o mais sério) a traduzir para o cidadão-contribuinte-eleitor os números que publicam.
Vou dar alguns exemplos, convencido de que o Congresso não legisla exigindo transparência, por falta de informação e não de omissão deliberada.
Desemprego
É um dos principais problemas, não apenas do Brasil mas do mundo. (Agora mesmo, houve eleição presidencial na França. Vários candidatos se intitularam de esquerda radical, esquerda, centro, direita e direita radical. É a farsa, a fraude e o oportunismo da ideologia. Mas todos, sem exceção, se voltam para o problema do emprego e logicamente do desemprego, que atinge multidões).
Os institutos de pesquisa (incluídos os de estatísticas), estatais ou particulares, só se interessam em avaliar questões políticas, há sempre quem pague bem. Já o IBGE faz levantamentos mais diversificados, embora não desvendados. No último, sobre desemprego, informaram: "O desemprego no Brasil atingiu 10 por cento da força de trabalho". Quem explica o que é isso? Nem os que se julgam mais esclarecidos sabem definir.
A lei deveria obrigar a traduzir esses números. Qual é a força de trabalho do Brasil? É de 90 milhões de pessoas, metade da população. (Geralmente é sempre a metade da população). O IBGE não se importaria com a divulgação dos números compreensíveis. Mas como pertence ao governo, tem que cumprir o que mandam.
Se o Congresso fizesse a lei da informação livre e não contaminada, deturpada, escondida ou manipulada, o IBGE teria que cumpri-la. Assim, saberíamos todos, imediatamente, pois seria obrigatoriamente público, que o Brasil tem hoje 9 milhões de desempregados. Força de trabalho: 90 milhões. Desempregados: 10 por cento, 9 milhões de pessoas sem terem o que fazer por culpa do próprio governo. (Não especificamente deste ou do anterior, mas também do sucessor).
Déficit primário: "4,5% do PIB". Além do Brasil ser o ÚNICO país do mundo que tem essa "farsa oficial", vem envolta num mistério tipo romance policial. Desvendando: o PIB está em 1 TRILHÃO e 800 BILHÒES de reais. O que chamam de "déficit primário", 4,5%, representando 90 BILHÕES.
O que fazem com isso? Dizem que "pagam a DÍVIDA". Não pagam nada, apenas amortizam o total. Como o total dessa "DÍVIDA" interna está em 1 TRILHÃO e 400 BILHÕES, e os juros em 12% (agora, agora, já esteve em quase 40%), pagam anualmente mais ou menos 150 BILHÕES. Como só roubaram 90 BILHÕES dos impostos para AMORTIZAÇÃO dessa "DÍVIDA", faltam 60 BILHÕES, que são jogados em cima do total.
Quer dizer: o PIB vai subindo melancolicamente, a "DÍVIDA" também sobe, só que alegremente para os banqueiros.
Eles, espertíssimos (não confundir esperteza com inteligência), até inventaram um slogan extraordinário: "Dívida não se paga, dívida se amortiza". Mas se alguém ficar devendo a qualquer banco, eles executam quase que imediatamente.
PS - Não abandonei Renan, Roriz e todos os presidentes e relatores acumpliciados no plenário e no Conselho de Ética.
PS 2 - Também não deixei de lado a imoralidade (interna) dos homens de negócios do Flamengo. Nem a ilegalidade dos que querem construir em terras que não são deles. E têm o protesto de todas as associações de moradores e até mesmo dos que não são.
João Havelange
Não compareceu à inauguração do estádio que leva o seu nome. Estava no Rio, viajou para a Guatemala 2 dias antes da festa.
Há muito tempo a empreiteira Mendes Junior vive no noticiário. Já teve problemas no exterior, envolvendo até um amigo de grande relevância e importância. Agora, essa mesma empreiteira aparece em manchetes diárias por causa de um lobista que trabalha na empresa. E fazia os pagamentos à jornalista Monica Veloso, em nome do presidente do Senado, Renan Calheiros.
A declaração da Mendes Junior de que na empresa ninguém sabia desses pagamentos é tão ridícula quanto a "defesa" de Joaquim Roriz, inacreditavelmente eleito 4 vezes governador de Brasília-capital.
Claudio Gontijo reconheceu que é lobista da empresa. Embora o lobismo seja ilegal, a Mendes Junior não desmentiu coisa alguma.
Diante da insistência do noticiário, a Mendes Junior finalmente veio a público com desmentido. Claudio Gontijo confessou que "levava os pagamentos de Renan para entregar à jornalista na própria empresa onde trabalhava". E ninguém sabia de nada?
Pelo visto, a Mendes Junior continua com o prestígio em alta. Duplamente em alta.
1 - Ganhou agora na Justiça uma ação contra a União no valor de 200 BILHÕES de reais, a maior da história.
2 - Conhecendo o meio em que trabalha, conseguiu que ninguém publicasse nada. Só o jornal "O Estado de Minas" revelou no domingo. Nenhum jornal, rádio ou televisão se interessou em publicar.
Esses 200 BILHÕES (Nossa Senhora, que República) representam, segundo a Mendes Junior, "o que a Chesf lhe deve".
A propósito: o SBT jogou fora uma entrevista que deveria ser a mais importante do ano, do mês, da semana, do dia: com Monica Veloso. A jornalista, que ainda não falara com ninguém, devia ser de grande relevância.
Entregaram o assunto a Hebe Camargo, acostumada com dondocas e bobajadas. Resultado: não teve a menor repercussão, a grande maioria nem sabe que a jornalista foi entrevistada. Amadorismo puro.
Em cima do encontro, noticiei com exclusividade: o presidente do Tribunal de Justiça conversou (nada amigável) com o governador.
Murta queria 13% para os funcionários do Judiciário, Sergio disse que "só poderia dar 2%". Sexta-feira, sessão tumultuada na Alerj.
Picciani, que cumpre vassalagem a Sergio, protelou e não colocou o projeto na ordem do dia. A Alerj está em recesso, só volta em 1º de agosto. O presidente da Alerj disse que votará o projeto numa sessão convocada especialmente. Insatisfação geral.
Perguntas que interessam a toda a população do Rio, ontem na Rádio Haroldo de Andrade. Você tem notado o aumento de favelas no seu bairro? SIM, 62%. NÃO, 38 por cento.
Outra pergunta: acredita que esse crescimento das favelas será contido? NÃO, 67 por cento. SIM, 33 por cento. Estes já perderam.
Parreira ficou furioso, irritado e até revoltado com a atuação de Robinho. Na Copa do Mundo, Robinho jogava pouco tempo, no 1º ou 2º tempo.
O fato de Michel Temer querer ser vice-prefeito de São Paulo provocou muitas gargalhadas no próprio PMDB da Câmara. Ser vice de Arlindo Chinaglia não garante ou dá esperança ao futuro de ninguém.
Arlindo Chinaglia não ganha. E mesmo se ganhasse, sua caminhada não seria longa. Temer passou recibo no desprestígio.
Incógnita, mistério, interrogação: por que João Havelange, a maior figura do esporte brasileiro, não foi à inauguração do estádio que tem o seu nome? Passou 40 dias na Europa (com base na Suíça, onde fica a Fifa, da qual é presidente de honra), chegou ao Brasil na 4ª feira.
Mas 2 dias antes do João Havelange ser inaugurado, o próprio Havelange viajou. Para onde? Para a Guatemala. Poderia ter voltado no mesmo dia. Quem explica?
O dólar ficou o dia todo praticamente inalterado. Abriu com mais 50%, fechou em mais 0,70%, em 1,91 bem baixo.
A Bovespa (segundo os amestrados) foi ajudada por causa do "bom humor americano". Esteve sempre em alta acelerada depois do almoço. Mais 1,80%, 55.371 pontos.
Ontem, às 14 horas e 30 minutos, no auditório de Furnas, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Maurício Tolmasquim (que foi secretário-executivo de Dilma Rousseff no MME e por ela nomeado para a EPE), anunciou o plano energético do governo para 2030.
Envolve investimentos de 280 bilhões de dólares e a ampliação do sistema de geração, dos atuais 97 milhões de KW para 220 milhões (de KW). As usinas de Jirau e Santo Antônio, no rio Madeira, projeto Furnas-Odebrecht, estão incluídas.
Sob o ângulo político, o fato de Tolmasquim anunciar o plano de longo prazo em Furnas representa um passo, talvez importante ou decisivo, para fortalecer a posição de José Pedro Rodrigues em Furnas.
Ainda por cima coincide com a ação que ele propôs contra a Aneel, que desejava reduzir as tarifas de transmissão da empresa.
Este repórter há anos escreve sobre Furnas. Com Luiz Carlos Santos (muito antes de José Pedro), ajudamos Furnas a se livrar da DOAÇÃO.
XXX
Ontem, em Wimbledon, quase a primeira zebra feminina. Venus Williams ia perdendo para a japonesa (sem colocação boa), reagiu, ganhou 4 games seguidos, venceu. Quando a chuva permitir, enfrentará Maria Sharapova, já nas oitavas.
XXX
Dunga, que não tem a menor experiência como treinador (e além do mais não é nenhum Beckenbauer), mostrou incompetência na convocação, na escalação e na substituição de jogadores. E anteontem reafirmou essa impressionante incompetência na entrevista obrigatória depois dos jogos. Disse sem o menor constrangimento: "A seleção cumpriu as ordens, se movimentou muito bem, ganhou o jogo facilmente".
A convicção de que a seleção não chegou a jogar, e só ganhou por causa da atuação do Robinho, é unânime. Não houve um só comentarista, qualquer que fosse o seu órgão, que não reconhecesse a péssima atuação da seleção. Sem tática, sem técnica, sem estratégia e sem comando, Dunga ainda por cima é troglodita e estapafúrdio, que palavras.
Fonte: Tribuna da Imprensa

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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