Publicado em 8 de maio de 2026 por Tribuna da Internet

“Tudo tem que ser investigado”, afirma Tereza Cristina
Luísa Marzullo
O Globo
A líder do PP no Senado, Tereza Cristina (MS), afirmou nesta quinta-feira que “tudo precisa ser investigado” ao comentar a operação da Polícia Federal que teve como alvo o presidente nacional da legenda, o senador Ciro Nogueira (PI), no âmbito da investigação sobre o Banco Master.
A declaração foi dada a jornalistas no Senado, horas após a PF cumprir mandados de busca e apreensão contra o senador na nova fase da Operação Compliance Zero, que apura suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro envolvendo o banco.
AMPLA DEFESA – “Tudo precisa ser investigado. Se existe alguma coisa, precisa ser investigada. Também tem que dar o direito de ampla defesa e não julgar antes de saber o resultado das investigações”, afirmou a senadora.
A fala segue a linha de cautela adotada ao longo do dia por integrantes do Centrão e aliados de Ciro, que evitaram fazer uma defesa política mais enfática do senador após o avanço da investigação.
Como noticiou O Globo, dirigentes partidários afirmam que a operação já era considerada provável após o vazamento de mensagens envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Ao mesmo tempo, lideranças admitem preocupação com o alcance da apuração e a possibilidade de novos desdobramentos atingirem outros nomes do meio político.
“DESTINATÁRIO CENTRAL” – Na decisão que autorizou a operação, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirma que investigadores apontam Ciro como suposto “destinatário central” de vantagens indevidas pagas por pessoas ligadas ao banco.
Entre os elementos citados pela Polícia Federal está uma emenda apresentada por Ciro em 2024 para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), proposta apelidada nos bastidores do Senado de “emenda Master”.
Segundo a PF, mensagens apreendidas indicam que o texto foi elaborado dentro do banco e encaminhado ao senador. Em uma das conversas citadas na investigação, Daniel Vorcaro comemora a apresentação da proposta afirmando: “Saiu exatamente como mandei”. A emenda ampliava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do FGC, mecanismo que garante parte dos investimentos em caso de quebra de instituições financeiras. A proposta não chegou a ser aprovada.