
Flávio anunciou a é pré-candidatura de Michelle
Deu no O Globo
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, nesta quinta-feira, que a mulher de seu pai, Michelle Bolsonaro (PL), é pré-candidata ao Senado pelo Distrito Federal. A declaração foi dada ao programa Pânico, da rádio Jovem Pan. Na mesma entrevista, o parlamentar que é pré-candidato à Presidência, disse que seu irmão Renan Bolsonaro, que é vereador em Balneário Camboriú.
— Vai todo mundo ser pré-candidato a alguma coisa, então o Carlos (Bolsonaro) é pré-candidato a senador lá em Santa Catarina, o Renan (Bolsonaro) é pré-candidato a deputado federal também em Santa Catarina (…). A Michelle (Bolsonaro), ao que tudo indica, também é pré-candidata a senadora no Distrito Federal, então acho que vai ficar mais ou menos cada um me ajudando dentro da sua — disse o senador.
FORA DO JOGO – De acordo com Flávio, o único familiar que não vai disputar a eleição será deu irmão Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos. O pai do senador, o ex-presidente Jair Bolsonaro, está inelegível e preso após ser condenado no Supremo Tribunal Federal pela trama golpista.
Pesquisa Genial/Quaest divulgada na última quarta-feira apontou uma redução na vantagem de intenções de voto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o senador, em um indicativo de mais uma corrida polarizada ao Palácio do Planalto neste ano. O levantamento, o primeiro divulgado pela Quaest desde a tentativa da oposição de aglutinar uma espécie de “terceira via” no PSD, mostra que o espaço ainda é estreito para alternativas a Lula e Bolsonaro.
Os governadores do Paraná, Ratinho Junior (PSD), e de Goiás, Ronaldo Caiado, recém-filiado à mesma sigla, pioraram seus desempenhos contra o petista e o senador do PL, em comparação à pesquisa de janeiro; os representantes do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), e de Minas, Romeu Zema (Novo), ficaram estagnados.
VANTAGEM – Segundo a pesquisa, em um eventual segundo turno na disputa presidencial, Lula aparece agora com 43% das intenções de voto, contra 38% de Flávio, uma diferença de cinco pontos. Em dezembro, a vantagem do petista era de dez pontos: 46% a 36%.
Ratinho, tido como favorito do presidente do PSD, Gilberto Kassab, para a empreitada nacional, oscilou um ponto para baixo em um hipotético duelo contra Lula, e hoje aparece com 35%. Já o atual presidente marca 43%, oito pontos à frente. Os desempenhos de Caiado e Eduardo Leite, que correm por fora para serem lançados pelo PSD à Presidência, foram similares na pesquisa de fevereiro ao que haviam registrado na rodada anterior, antes de serem apresentados por Kassab como pré-candidatos do seu partido.
ADESÃO BOLSONARISTA – Os dados da Quaest apontam que Flávio, entre janeiro e fevereiro, se firmou como a preferência do eleitorado mais à direita. No primeiro turno, em um cenário contra Lula e Ratinho Junior, o senador do PL passou, em um mês, de 82% para 92% das intenções de voto de eleitores classificados como “bolsonaristas”. Embora a margem de erro nesses segmentos seja mais larga do que a da pesquisa, também há indicação positiva para Flávio entre os eleitores da “direita não bolsonarista”, grupo no qual ele passou de 59% para 65% de apoio.
A variação no desempenho do senador ocorreu após um mês em que ele praticamente não esteve no Brasil: Flávio viajou a Israel no último dia 20 e segue em turnê pelo exterior, divulgando reuniões com líderes da direita na Europa.
O senador cresceu ainda entre os eleitores chamados “independentes”, que não estão posicionados nem à direita, nem à esquerda. No segundo turno contra Lula, 26% desses eleitores dizem hoje votar em Flávio, contra 31% que apoiam o petista. A distância, que hoje é de apenas cinco pontos, era de 14 em dezembro.
QUEDA – Ratinho, por sua vez, viu minguar seu apoio entre os bolsonaristas nesse período: passou de 7% para 1%, no cenário em que enfrenta Lula e Flávio. Mesmo na simulação de segundo turno contra o petista, o governador do Paraná viu seu desempenho cair de 70% para 60% das intenções de voto, em fevereiro, entre os eleitores mais fiéis ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
O mesmo fenômeno ocorreu, em maior ou menor escala, com os governadores de direita: nos embates diretos com Lula, quando Flávio não está na disputa, os eleitores bolsonaristas reduziram o apoio a outros nomes de oposição e passaram a dizer que não votariam em ninguém, de acordo com a pesquisa deste mês.
Desde dezembro, vem crescendo na direita a percepção de que Bolsonaro “acertou” na escolha de Flávio como candidato à Presidência, segundo a pesquisa. Entre os eleitores da “direita não bolsonarista”, 71% agora consideram acertado o movimento do ex-presidente, ante 55% que concordavam com a escolha no ano passado. Já a concordância entre os “bolsonaristas” é de 89%. A Quaest, porém, mostra que o percentual dos que dizem não votar em um candidato apoiado por Bolsonaro segue estável e alto: 49%. A maioria (57%) também afirma que Lula “não merece” mais um mandato.