sexta-feira, novembro 27, 2020

Moraes reage e prorroga inquérito sobre interferência de Bolsonaro na Polícia Federal


Temer indica tucano Alexandre de Moraes para vaga de Teori no STF | Brasil  | EL PAÍS Brasil

Implacável, Moraes pede parecer e dá seguimento ao inquérito

Marcelo Rocha
Folha

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), prorrogou por 60 dias o inquérito que apura se houve interferência do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no comando da Polícia Federal. A decisão, tomada nesta sexta-feira (27), ocorre um dias após Bolsonaro pedir ao ministro que os autos fossem enviados à PF para elaboração de relatório final.

Moraes, no entanto, entendeu que há diligências ainda a serem cumpridas no caso. No mês passado, ele consultou a polícia sobre o estágio das investigações.

DEPOIMENTO DE BOLSONARO – No mesmo despacho, o ministro pediu ao procurador-geral da República, Augusto Aras, que se manifeste sobre a necessidade do depoimento do presidente.

Na véspera, quinta-feira (26), Bolsonaro comunicou ao STF, em ofício assinado pelo advogado-geral da União, José Levi do Amaral Júnior, que não vai depor no inquérito e pediu arquivamento da investigação.

A palavra final sobre a realização do interrogatório, no entanto, cabe a Moraes. Na condição de investigado, o presidente pode faltar ao compromisso caso o ministro determine que a PF marque o depoimento.

A PEDIDO DE BOLSONARO – O inquérito foi aberto no STF em abril pelo procurador-geral Aras, a pedido de Bolsonaro, para apurar as acusações do ex-ministro da Justiça Sergio Moro de que o presidente da República tentou interferir na autonomia da PF para proteger familiares e aliados.

Moraes assumiu a relatoria do caso após a aposentadoria do ministro Celso de Mello no mês de setembro. Em um dos últimos atos no tribunal, Celso determinou que Bolsonaro prestasse depoimento presencial e autorizou a defesa de Moro a acompanhar o interrogatório.

O depoimento de Bolsonaro, segundo os investigadores encarregados do caso, é apontado como uma das providências finais da apuração.

DISSE BOLSONARO – O presidente afirmou ainda ao STF que a divulgação do vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril “demonstrou completamente infundadas quaisquer das ilações que deram ensejo ao presente inquérito”.

Anexada ao inquérito, a gravação foi apontada por Moro como uma das provas de que Bolsonaro tentou interferir na polícia.

Tão logo assumiu a relatoria do caso, no final do mês passado, Moraes pediu à PF informações sobre as diligências em andamento.

CRÍTICAS A MORAES – Bolsonaro já fez críticas públicas a Moraes quando o ministro anulou, em decisão individual, a posse de Alexandre Ramagem para o comando da PF após a saída de Moro do governo e de seu indicado, Maurício Valeixo, da chefia da corporação.

Moraes também é relator de outros dois inquéritos sensíveis ao bolsonarismo. Um diz respeito à apuração de atos antidemocráticos realizados por aliados do presidente, e outro investiga a existência de uma rede de disseminação de ataques e ameaças a ministros do STF na internet —esse caso também atinge correligionários do chefe do Executivo.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A cada dia aumenta minha admiração pelo ministro Alexandre de Moraes. Até agora, tem confirmado no Supremo seu notório saber, sua reputação ilibada e sua autonomia. Bolsonaro precisa desesperadamente arquivar esse inquérito, porém Moraes parece pretender levar a investigação até o final. É o assunto político mais importante e logo voltaremos a ele. (C.N.)

Em destaque

PF indicia suplente de Davi Alcolumbre após investigação sobre fraudes milionárias no Dnit

Publicado em 22 de maio de 2026 por Tribuna da Internet Facebook Twitter WhatsApp Email Breno foi flagrado deixando agência de banco Patrik ...

Mais visitadas