quinta-feira, setembro 24, 2020

Sergipe ganha nova unidade Hotel Sesc Atalaia

 Publiciado em 01/12/2017 as 17:55


Foi inaugurada na noite de quinta-feira (30), a mais nova unidade da rede Sesc de hotelaria, o Hotel Sesc Atalaia. A solenidade de inauguração aconteceu com a presença de diversas autoridades, entre elas, o governador do estado, Jackson Barreto, o vice-presidente da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Luiz Gil Siuffo, o ex-diretor nacional do Sesc, Maron Emile Abi-Abib, o diretor nacional do Sesc, Carlos Artexes, além dos presidentes das Federações do Comércio de Alagoas, Wilton Malta, Bahia, Carlos Andrade, e Santa Catarina, Bruno Breithaupt.

Em um evento que contou com a participação de cerca de 1.500 pessoas, o Hotel Sesc Atalaia foi entregue para o público, pelo presidente do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac de Sergipe, Laércio Oliveira, que destacou importância da unidade para a rede hoteleira estadual, com a sua peculiaridade em receber os turistas comerciários de todos os estados brasileiros, por meio do programa “Turismo Social”, que subsidia viagens e hospedagem para os comerciários nos hotéis da rede Sesc.

“Sergipe ganha muito com a chegada do Hotel Sesc Atalaia. O trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo agora tem uma bela opção para visitar Sergipe. Nosso hotel conta com as instalações mais modernas possíveis, com uma grande estrutura de atendimento com conforto e a alta qualidade dos serviços prestados pelo Sesc. Aqui também vai funcionar a unidade de capacitação de profissionais preparados pelo Senac, em nossa escola de hotelaria. Assim, o Hotel Sesc também terá uma importante função educacional e social. E essa unidade traz mais beleza para nosso mais belo cartão postal. Além disso, os hóspedes que virão pelo Turismo Social também fomentarão a cadeia produtiva do Turismo de Sergipe, movimentando ainda mais nossa economia. Esse hotel vai ajudar a gerar mais emprego e renda para os sergipanos”, disse Laércio.

O governador do Estado, Jackson Barreto, disse que o empreendimento, que custou 45 milhões de reais em investimentos chega numa boa hora para o público sergipano. “Este é o grande presente de Natal de Aracaju no ano de 2017. É uma grande obra, um grande hotel de compromisso social. As linhas arquitetônicas desse prédio são extremamente modernas, belas e veio completar a beleza da Atalaia. Queremos agradecer a Laércio pela conclusão desse hotel que veio se incorporar a nossa cadeia de hotéis na praia de Atalaia. O governo do Estado está muito feliz pela contribuição que a Fecomércio e o Sesc estão dando ao nosso estado e a nossa capital com a inauguração desse belo hotel”, afirmou Jackson Barreto.

Luiz Gil Siuffo, vice-presidente da CNC valorizou a chegada do Hotel Sesc Atalaia e lembrou que Sergipe se inclui no roteiro de hotelaria do Sesc, com a construção composta por 60 apartamentos, todos com vista para o mar.

“Esse hotel está preparado para receber o turista comerciário de todo o Brasil. É a concretização de um sonho de muitos anos. Parabenizo o presidente Laércio, por ter concluído essa bela obra, esse grande hotel que vai ser mais um atrativo para o público comerciário, que terá uma grande estrutura para se hospedar em Aracaju”, comentou.

A nova unidade Hotel Sesc Atalaia entrará em funcionamento no dia 15 de dezembro, mas já está sofrendo de overbooking por parte de comerciários de todo o Brasil, que fizeram pré-reservas para se hospedarem no novo complexo hoteleiro. Laércio Oliveira informou que o hotel já começa sendo um grande sucesso para o público.

“Já começaremos a operar com nossa capacidade de atendimento esgotada. Temos mais de 150 solicitações de reserva do hotel vindas de pessoas de vários estados. Esse é um grande momento para o Sistema Fecomércio, que amplia sua capacidade de atendimento ao trabalhador do comércio de todo o Brasil”, comemorou Laércio Oliveira.
No final da cerimônia, o público presente acompanhou um show especial da cantora Amorosa, acompanhada de diversos grandes nomes do cenário musical sergipano, como Amanda Cunha, Sena, Luiz Fontineli, Chiko Queiroga e Antônio Rogério, entre outros.

http://www.sergipenoticias.com/

Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

Mais visitadas