sábado, julho 29, 2017

" Ao contrário do cenário atual que embora nebuloso ainda lhe é favorável, pois tem as duas mãos na chave do cofre"

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Cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém

Por: Luiz Brito DRT 3.913 - luizbritoradialista@gmail.com
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Conversando ontem com uma das figuras mais importantes da oposição em Jeremoabo, este fez uma observação política com a qual concordo no todo: não é atacando o prefeito AC, mesmo interino, e muito menos tentando lhe desqualificar que o farão recuar da sua ideia de se efetivar no cargo. Porque estão tratando com um político de convicções e que já enfrentou campanha sem um pau para dar num gato. Ao contrário do cenário atual que embora nebuloso ainda lhe é favorável, pois tem as duas mãos na chave do cofre. “E nessa região, manda quem pode, obedece quem tem juízo”.  Na política, com o jogo bruto não se chega a lugar algum. Todos têm o direito de condenar a tese da intenção de AC tentar se efetivar na cadeira de prefeito, mas é um erro trocar o diálogo pelo atirar de pedras contra a sua pessoa. E muito menos menosprezar a sua importância numa eleição que ainda não está perdida. Como dizia Che Guevara que, se pode ser duro sempre, mas jamais perder a ternura.
Passo longe
Passo longe da vida pessoal de casais que diz respeito somente aos envolvidos. Mas posso afirmar que, politicamente, esse caso da Licitação ganha pela esposa do Chefe de Gabinete da Prefeitura de Jeremoabo, Tarcísio Oliveira Santos, é apenas a ponta do Iceberg. E não é de se ver como nada de extraordinário, deve ter mais coisa maior a ser desvendada.
Custo benefício
“Nós não vamos a lugar nenhum gastando aproximadamente R$ 600 mil entre salários e diárias com o prefeito passageiro e seus secretários”, frase de um ex-vereador de Jeremoabo que discorda dos valores desembolsados pelos jeremoabenses para manter a mordomia do primeiro escalão do governo na prefeitura. Nós estamos na marcha da insensatez, gente, e ainda há quem bata palmas”, disparou o ex-vereador que discorda em gênero, número e grau das colocações do procurador do Município, advogado Antonio Moura, quando este em uma emissora local escanrou a boca cheia de dentes  para falar sobre  seriedade e transparência no governo. A declaração rendeu. Primeiramente porque é preciso ter humildade para saber até que ponto temos que dar um passo pra trás pra dar três pra frente, sentenciou.

Nota da redação deste Blog - Diante da matéria acima, meu comentário será transcrever uma matéria a qual sugiro que mesmo sendo longa LEIAM para entender o que se passa no desgoverno do "interino",

Corrupção e Impunidade

Corromper – Induzir a realizar ato contrário ao dever ou à ética; Impunidade – Escapar a punição; Violência – Ato em que se faz uso se força bruta. Contrário ao direito ou à justiça.


Essas palavras são tão usadas no dia-a-dia que ninguém precisa de dicionário para conceituá-las. Mas é sempre bom reforçar os seus significados. Assim é mais fácil interligá-las.
Corrupção e impunidade estão juntas quando se descobre o escândalo e os autores, mas não se pode (ou não se quer) reaver o bem corrompido e nem punir os culpados.
Impunidade é violência na certa
Pessoas que são capazes de praticar a corrupção, em qualquer sentido da palavra, são capazes de qualquer atrocidade (quando ficam impunes!). A maioria das pessoas que entra no mundo do crime não começa com um assassinato ou coisa parecida. Os maiores bandidos começam com pequenos atos. Mas num país em que reina a impunidade, esses pequenos atos nunca são barrados e acabam crescendo cada vez mais. Assim não demora para que uma criança que roubou um biscoito no supermercado, cresça e roube numa residência, e depois se junte com uns “amigos” e assalte um banco. E depois, comande o tráfico de drogas na cidade. Uma cidade, por sinal, que não dá o devido valor às suas criança. Talvez porque o governante “desvia” o dinheiro da educação para a sua conta bancária! Uma cidade que tem também, um poder judiciário e uma polícia muito fraca. Talvez porque os seus policiais fazem parte da gang que assaltou o banco!
E o que será que aconteceria se a gang de jovens invadisse a casa do prefeito? Talvez este ficaria furioso e pediria para que alguns policiais (que conhecem muito bem os criminosos, apesar de nunca os terem punido) dessem um “sumiço” nesse grupo de jovenzinhos arrogantes. De um jeito que a justiça nunca descobrisse (ou admitisse) quem estava por trás de tudo. E assim acaba um capítulo da história corrupção, impunidade e violência. Exagerada? Não. É a mais pura realidade do Brasil. Onde tudo é movido pelo orgulho e pela ambição.
Agora, vamos imaginar que essa cidade de que estamos falando fosse bem organizada. As crianças todas estivessem na escola. Uma escola bem estruturada, com professores profissionalizados, com pagamentos em dia… Órgãos governamentais cuidariam da fiscalização das crianças que não fossem à aula. O prefeito fosse um “cara” super honesto e humilde. Exigisse competência e agilidade a polícia, que por sua vez seria muito bem paga. A legislação bem organizada e a lei a palavra de ordem. Os habitantes se respeitassem. Fossem solidários uns com os outros. Ninguém teria arma ilegal em casa. A família seria a instituição mais valorizada por todos. Enfim, a cidade dos sonhos. Parece até um conto de fada! Isso seria o ideal para que todos vivessem bem, mas os próprios brasileiros desacreditam que isso possa acontecer.
Temos de dar os parabéns para o Espírito Santo pelo trabalho que tem sido feito pela Polícia Federal, promotores, procuradores… em combate ao narcotráfico, uma das maiores causas do crime no Brasil. Porém muito ainda tem que ser feito. Tanto pelo governo, quanto por nós que moramos aqui e buscamos um lugar mais pacífico.
A corrupção, a impunidade e a violência, principalmente, são fatores que caracterizam a cultura brasileira desde 1500. Ao menos é isso que pensa a maior parte da sociedade. Mas pensando bem, esses males não atingem somente o nosso estado ou o nosso país. Desconhecemos a realidade social de muitos outros países. É claro que o Brasil está entre os dez países mais corruptos do mundo, porém é bom sabermos que ele não é o único com empresas fraudulentas, políticos corruptos… A diferença mais visível é a que diz respeito à impunidade, que no nosso país é a causa do acelerado crescimento do número de criminosos. Às vezes, o problema se encontra na própria lei. A maioria dos que fiscalizam e/ou fazem as leis estão envolvidos nos esquemas de corrupção. Chegamos a um ponto onde quem é honesto é que se dá mal na vida. Recentemente 2 juízes, famosos pelo combate ao crime organizado, foram brutalmente assassinados.Por quê? Porque, a lei agora é ser do crime. Este já é maioria e tem poder suficiente para aniquilar os vestígios de caráter que ainda restam no país.
corrupçãoO problema é que o crime organizado (literalmente, quem está no comando normalmente são pessoas super inteligentes, cultas, estudadas, mas que não souberam aplicar tal sabedoria!) lesam o nome do país e a nossa dignidade quando “levantam, sacodem a poeira e dão a volta por cima”. Ou seja, concluem suas falcatruas sem nenhuma “puniçãozinha”. Bom, até o nosso Código Penal (de 07/12/1940!) favorece a isso. Além de que, as instituições democráticas são fracas, a gestão dos bens públicos é feita por debaixo do panos e fiscalizada por órgãos incompetentes…
Toda essa impunidade favorece ao esquecimento e banalização dos fatos pelos próprios lesados. Assim a indignação, força motriz, “fica para lá”. E povo não protesta, não age. Só reclama…
Esses fatos são bons para questionarmos a democracia. Será que essa forma social tão exaltada por nós é realmente democrática? Ultimamente o que se vê é o abuso de poder de uns poucos, na maioria das vezes corruptos, prejudicando a liberdade e estabilização de muitos. Muitos esses, que ao serem lesados, em vez de se indignarem, acabam passando para o outro lado, pois crêem que lá a vida é melhor e mais “fácil”.
As soluções para acabar com essas falcatruas no nosso país têm de começar com a mudança da legislação, ou melhor, com a reforma total no nosso poder judiciário. E sem medo, punir, de forma radical, os corruptos (até mesmo se forem grandes autoridades).
Os nossos bens públicos deviam ser administrados com mais clareza. O povo tem de ficar sabendo o que acontece com os seus pertences. Para isso, deveria haver mais informação. Incentivar a população a denunciar quando sabe de algum crime, sem medo.A televisão e o rádio deveriam enfatizar sobre esse assusto. Mas não de forma enjoativa, com um político falando duas horas sem parar. Talvez através de propagandas criativas, novelas, sites na internet… Uma mobilização nacional para discutir as relações Sociedade X Estado. De uma forma que convidasse o cidadão a participar. Talvez com enquetes, pesquisas, campanhas nas escolas… questionando as pessoas comuns se elas têm conhecimento de para onde vão os seus impostos, ou informando da importância da declaração do imposto de renda. Falando nisso, essa declaração deveria ser uma ação muito valorizada e bem acompanhada pela Receita Federal, pois é nela que sabemos onde está sendo aplicado o dinheiro desse país. E descobre-se também se o dinheiro desses corruptos vem somente do salário deles mesmo!
Deve-se também acabar com alguns privilégios de algumas classes sociais e transformá-los em direitos. Direitos iguais para todos! Que lema bonito… pena que, muito distante.
Outra coisa que o Brasil precisa urgentemente é de uma reforma no sistema penitenciário. Promovendo um programa ressociliador, para que os presos não saiam da cadeia piores do que entraram. Além disso, devem ser construídos mais presídios de segurança máxima. Onde os presos sejam vigiados, onde não entre celular, ou qualquer outra possibilidade de comunicação. Enquanto isso não acontecer, os presos irão continuar comandando e encomendando mortes de dentro das celas. E isso nós não podemos admitir.
Como é fácil falar sobre os problemas do Brasil. Apontar soluções como as acima, mais fácil ainda. Talvez colocá-las em prática seja o mais complicado. Diria mais, o complicado é formar cidadãos que as coloquem em prática. Que, além de melhorar as leis, a respeitem. Que, acima de tudo, façam por onde chamar o Brasil de país democrático. Isso sim, é difícil.
A humanidade chegou a um ponto em que a educação, desde a repassada às crianças, é feita de forma errada. O Brasil só melhorará quando as crianças virem honestidade nas atitudes dos pais. Virem solidariedade e confiança entre as pessoas. Uma criança formada dessa maneira não entrará, jamais, nessa onda de corrupção e violência.
Amor ao próximo. È isso que Jesus sempre pregou, contudo o que menos se vê na sociedade. Talvez esteja faltando religiosidade e crença nas pessoas. E esses valores devem ser incentivados a todo momento. Pois é o maior dever do homem para com Deus.
Por mais que isso seja duro de aceitar, é a realidade. O homem de hoje não tem amor. Se seduz fácil. É movido pela ganância. Aprendeu a sempre querer mais dinheiro. E o pior, aprendeu a passar por cima das pessoas para atingir seus ideais (se é que isso pode ser chamado de ideais!). Hoje se traem amigos, desviam (roubam!) dinheiro e até se assassina por ambição. Como que uma sociedade onde “os fins justificam os meios” vai se ver livre de corruptos? É como pensa o filósofo francês Rousseau: “ninguém nasce mau-caráter, a sociedade é que corrompe os indivíduos”. O mesmo vele para os corruptos, se eles existem é porque a própria sociedade os induz a serem assim.
Somos um povo muito contraditório. Temos ideais maravilhosos, mas o  que gostamos é de ganho fácil. Votamos em quem nos ajudou ou pensando em algum benefício (particular!). Reclama-se do narcotráfico, mas somos consumidores desenfreados de drogas.
Critica-se o governo, porém o povo reelege políticos corruptos. Por que, por exemplo, Gratz (político capixaba conhecido em matérias nacionais e internacionais que envolvem o crime organizado no Brasil) se reelegeu? Porque parece que o povo gosta de quem, de alguma forma, lhe ajudou, mesmo que ilegalmente. Hoje não se pensa mais coletivo. Então, como acabar com corruptos se sempre temos os corruptores e aqueles que ficam vendo tudo de boca fechada?
Quando o povo quiser, tanto a corrupção, quanto a impunidade e a violência diminuirão, consideravelmente. Não se pode esquecer que, quem está lá, do lado do crime, não são pessoas de outro mundo. São pessoas comuns, mas que tiveram uma má formação de caráter e deixaram o dinheiro falar mais alto.
Então qual seria a solução definitiva para esses problemas? Implantar um sistema sócio-econômico socialista em todo o mundo, do jeito sonhado por Marx e Engels? Nessa altura do campeonato, isso é utopia. A solução está na educação do povo. Primeiro, tem de se mudar o homem, para depois mudar o  mundo! (http://www.coladaweb.com/politica/corrupcao-e-impunidade)

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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