segunda-feira, junho 06, 2011

Dilma decidirá futuro de Palocci só após parecer da Procuradoria

Evaristo Sá/AFP

Evaristo Sá/AFP / Dilma e Palocci: presidente avalia que posição da Procuradoria facilitará a decisão futura sobre o ministro Dilma e Palocci: presidente avalia que posição da Procuradoria facilitará a decisão futura sobre o ministro
Crise no Planalto

Presidente aguardará posicionamento do procurador-geral da República sobre a investigação do enriquecimento do ministro para demiti-lo ou confirmá-lo no cargo

Publicado em 06/06/2011 | Agência Estado
Congresso

Oposição insistirá em CPI e na convocação

Insatisfeitos com as explicações dadas pelo ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, sobre a multiplicação de seu patrimônio em 20 vezes nos últimos quatro anos, os partidos de oposição vão insistir na convocação do ministro na Câmara e no Senado para prestar esclarecimentos. Ao mesmo tempo, a oposição tenta obter as assinaturas necessárias para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o ministro.

A avaliação da oposição e da base é que a situação de Palocci se agravou ainda mais com a denúncia publicada pela revista Veja de que o apartamento de 640 metros quadrados que o ministro aluga, em São Paulo, seria de empresa dirigida por laranjas – um deles de 23 anos, outro de 17. “Isso complicou a situação dele”, afirmou o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), que é de um partido da base de apoio da presidente Dilma Rousseff. “Cada hora, ele tem de dar uma explicação.” Presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Eunício garantiu que vai pôr em votação na próxima quarta-feira os dois requerimentos de convocação de Palocci. “Não vou ficar mal com os meus colegas porque o governo não põe gente lá na CCJ”, afirmou.

Agência Estado

Fusões podem ser a causa da fortuna do ministro

Conselhos sobre rumos do câmbio, como o ministro Antonio Palocci afirma ter feito a empresas privadas na condição de consultor, dificilmente explicariam a fortuna de mais de R$ 7 milhões amealhada por ele na iniciativa privada nos últimos quatro anos. Essa é a avaliação de um grupo de economistas ouvidos pela reportagem.

Já a assessoria na área de fusões de empresas, na qual o ministro também atuou, podem valer milhões. A praxe é que o consultor receba um porcentual da transação. Além disso, várias fusões de empresas têm de ser aprovadas pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão do governo federal responsável por garantir a livre concorrência no mercado.

Item barato

Projeções macroeconômicas, nas quais se inclui o câmbio, são o item mais barato dentre os serviços prestados pelas consultorias. Os economistas ouvidos pela reportagem admitem que, em 2008, houve muitas dúvidas sobre o comportamento da moeda norte-americana. E é nesse ano que Palocci diz ter aconselhado empresas sobre o assunto. “Mas a crise pegou todo mundo de surpresa. Não conheço ninguém que a tenha antecipado a ponto de prestar consultoria a respeito”, comentou um analista.

Até 2008, antes do início da crise, muitas empresas aplicavam numa operação na qual elas ganhavam se o dólar continuasse baixo. Elas tiveram bons ganhos até que, em setembro, o banco Lehman Brothers quebrou e o dólar disparou. “O dólar passou de R$ 1,60 para quase R$ 2,50 e ninguém sabia se podia subir ainda mais”, lembrou um economista, ao supor que dificilmente alguém apostaria certo em meio à eclosão da crise financeira internacional.

Agência Estado


Em conversa por telefone, a presidente Dilma Rousseff acertou ontem com o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, que só decidirá se o mantém ou não no cargo após o posicionamento da Pro­curadoria-Geral da República (PGR) a respeito das suspeitas de enriquecimento ilícito e de que ele fez tráfico de influência no governo federal por meio de sua empresa de consultoria, a Projeto.

A decisão da presidente de aguardar a manifestação da PGR tem dois motivos. Primeiro, se afastar Palocci de imediato, corre o risco de depois ser cobrada por uma atitude “injusta”, caso a procuradoria não veja motivos para pedir a abertura de inquérito. E, no caso de a PGR encontrar os indícios, o afastamento de Palocci seria facilitado, sob o argumento de que o governo não quer atrapalhar as investigações.

No entanto, a decisão de Dilma, que teria sido tomada após uma consulta ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, terá um efeito colateral adverso ao governo: a crise política, que já dura 22 dias, continuará até que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, emita seu parecer sobre o caso.

No último dia 20, Gurgel pediu esclarecimentos a Palocci sobre seu enriquecimento. Ao informar que tinha pedido de dados a Palocci, Gurgel, no entanto, antecipou que não via como crime a prestação de serviços de consultoria. Ele ponderou que o caso poderia ser questionado do ponto de vista ético. A oposição enviou ao procurador duas representações contra Palocci. A partir das respostas do ministro, o procurador irá decidir sobre um eventual pedido de abertura de investigação.

No Planalto, parte da equipe de Dilma trabalha com a perspectiva de que Gurgel apresentará sua decisão até a quarta-feira. Outra parte dos auxiliares da presidente diz que não é possível prever um prazo. Gurgel pode adiar o anúncio de sua posição para as próximas semanas, o que esticaria a crise política vivida pelo governo.

Auxiliares da presidente disseram ainda que ela acertou também com o ministro Palocci que os dois tentarão manter uma agenda normal nesta segunda-feira, quando o presidente da Ve­­nezuela, Hugo Chá­vez, será recebido no Palácio do Planalto e no Itamaraty (leia mais sobre a visita do venezuelano na página 14).

Avaliação de performance

Durante o fim de semana, Dilma e auxiliares diretos fizeram avaliações sobre a performance do ministro nas entrevistas ao Jor­nal Nacional e à Folha de S.Paulo. A presidente se sentiu incomodada ao ouvir do ministro que não podia divulgar a lista de clientes de sua consultoria. Além disso, neste fim de semana houve mais desgaste político com a divulgação de que Palocci aluga um apartamento de 640 metros quadrados em São Paulo de uma empresa que usa “laranjas” para esconder os verdadeiros donos do imóvel. Em nota, o ministro ressaltou que não tem responsabilidade sobre os atos do proprietário do imóvel.

Fonte: Gazeta do Povo

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