Evandro Matos
O anúncio da construção da ponte Salvador-Itaparica causou um grande rebuliço na Bahia. Isso porque, uma vez concretizado, o projeto, ainda em gestação, teria grande repercussão tanto no meio político quanto no econômico. Nesta terça-feira, dia 12, o Diário Oficial do Estado irá publicar um decreto sobre a obra, embora seja apenas uma “manifestação de interesse”, conforme fez questão de explicar o secretário de Planejamento do Estado, Walter Pinheiro. Contudo, o secretário de Infraestrutura, João Leão, que apresentou o anteprojeto da obra, mostra-se mais entusiasmado com a ideia. Além do turismo, na concepção de Leão, a ponte teria também uma forte vantagem econômica, que serviria como linha auxiliar para o escoamento da produção de grãos oriunda da região oeste do Estado.
De acordo com os planos do secretário estadual de Infraestrutura, o projeto aproveitaria estudos que já vêm sendo feitos pelas empresas OAS e Odebrecht, que deveriam assumir a condução do empreendimento. Setores do governo, contudo, preferem tratar o assunto com cautela, porque tudo se encontra na fase de estudos, dependendo ainda de muita burocracia para que o projeto se torne realidade.
O próprio prefeito de Vera Cruz, Antônio Magno (PT), principal município do entorno da Ilha de Itaparica, considera a obra primordial, mas entende que é importante uma articulação entre o governo estadual e os municípios que seriam beneficiados para ela ser bem-sucedida. “É importante a discussão para depois não termos surpresa”, argumentou.
O final do ano de 2009 mostrou o quanto é necessário uma melhora no acesso à Ilha de Itaparica e localidades turísticas da Costa do Dendê e Baixo Sul, como Morro de São Paulo. A formação de filas quilométricas no ferryboat, que não consegue atender à demanda nos períodos de pico, é o principal entrave para acesso à região. Com forte apelo turístico, somente um projeto como a construção da ponte Salvador-Itaparica poderia resolver tal impasse.
A conclusão desse empreendimento viria não só em atender a demanda da Ilha como possibilitaria também valorizar outros projetos já concluídos, como a estrada Itacaré-Camamu, que melhorou sistematicamente o tráfego dessa região, mas ainda sofre com os entraves da travessia pelo sistema ferryboat. “Não adianta investir em estrada para encurtar a distância e o ferry continuar sem estrutura para atender a demanda”, avalia Valdeilson Miguel dos Santos, diretor da Associação dos Taxistas de Salvador.
De Acordo com Valdeilson Miguel, o Governo do Estado investiu milhões de reais com a estrada que liga Camamu a Itacaré, facilitando a vida dos viajantes que se deslocam para o sul do Estado. Porém, segundo ele, quem vai para aquelas bandas tem que atravessar a Bahia de Todos os Santos pelo ferry, e aí é que tudo atrasa. “O que se viu este final de ano foi o encurtamento da viagem por causa da nova estrada e o aumento do tempo na travessia do ferry, que chegou até a sete horas de espera”, comentou Valdeilson.
Polêmicas à parte, o anteprojeto para a construção da ponte ligando Salvador à Ilha de Itaparica será publicado amanhã, no Diário Oficial do Estado.
Prefeito traça benefícios
O prefeito João Henrique é um dos maiores entusiastas da construção da ponte ligando Salvador a Itaparica. Será, em sua opinião, uma obra fundamental para o desenvolvimento não apenas da capital mas de boa parte do Estado, ao mesmo tempo em que brecará o impacto do crescimento desordenado da cidade e seu inchaço com o recebimento mensal de pelo menos cinco mil veículos novos. O prefeito acredita que a ponte será uma importante peça de combinação com o novo Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU), já aprovado, sancionado e em fase de implantação. Apesar do otimismo, no entanto, João Henrique, assim como toda a população, terá de aguardar as múltiplas etapas do projeto da ponte até o início efetivo de sua construção.
Amanhã, o governo do Estado dará o que se considera o primeiro passo – na verdade, o processo ainda engatinha – para que a ligação Salvador-Itaparica se torna uma realidade. Será lançado, na ocasião, o Procedimento de Manifestação de Interesse, uma etapa que antecede, e muito, o lançamento do edital de licitação. Pelos cálculos do secretário do Planejamento, Walter Pinheiro, só a partir de 2011 é que se terá um quadro mais exato sobre todas as fases da ponte. Afinal, afirma, trata-se de uma obra extremamente complexa, com 14 quilômetros de extensão. Além disso, o projeto tem uma estrutura magnânima já que vai exigir avaliações técnicas sobre o impacto da obra na Ilha de Itaparica, no Baixo Sul e no Recôncavo. Entretanto, técnicos especializados na área acreditam que a complexidade da obra, além dos altos custos, pode adiar por mais de uma década o início da sua construção.
Fonte: Tribuna da Bahia
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