terça-feira, outubro 13, 2026

Senado acelera debate sobre fim da escala 6×1 em meio à disputa entre Lula e Flávio

o

Charge do Nando Motta (Brasil 247)

Eduarda Teixeira
CNN

O Senado retoma, nesta terça-feira (13), a discussão da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que acaba com a escala 6×1. Será a quarta sessão de debate sobre o texto. A quinta e última está marcada para quarta-feira (14). A votação em primeiro turno será no mesmo dia.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), definiu cinco sessões de discussão antes da votação. Três foram realizadas na semana passada, todas com maioria de governistas e baixa presença da oposição. Cumpridas as cinco, o texto estará pronto para ser votado em primeiro turno.

DOIS TURNOS – Para a aprovação total de uma PEC no Senado são necessários dois turnos de votação, com 49 votos favoráveis em cada um deles. Além disso, o regimento da Casa prevê três sessões de discussão entre o primeiro e o segundo turno.

O governo tenta coletar assinaturas para apresentar um calendário especial e quebrar essa pausa, chamada de interstício, entre o primeiro e o segundo turno. Sem o mecanismo, não há tempo hábil para aprovar a proposta antes do segundo turno das eleições, em 25 de outubro.

Os senadores de oposição querem adiar a votação para depois do segundo turno. O líder da oposição na Casa Alta, Rogério Marinho (PL-RN), que também coordena a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, disse na semana passada que “não faz bem ao país” votar um tema desse tamanho durante o período eleitoral.

“OPORTUNISTA” – Ele classificou a discussão como “oportunista” e disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está “desesperado” para se reconectar com o eleitorado. Há um receio entre aliados de que a medida beneficie Lula e, ao mesmo tempo, um entendimento de que votar contra a proposta pode atrapalhar a campanha de Flávio no segundo turno. O candidato do PL disse na quarta-feira (7) ter uma alternativa melhor do que o fim da 6×1.

Marinho também sinalizou contrariedade ao texto e defendeu uma proposta própria, que já tramita no Senado. O projeto flexibiliza a escala de trabalho, permite que o trabalhador seja remunerado por hora trabalhada e abre brecha para redução salarial. Para o senador, não pode haver uma determinação de cima para baixo sobre a escala de trabalho. Apesar das ressalvas, aliados de Flávio afirmam que o senador deve votar a favor da proposta para evitar danos eleitorais.

O QUE DIZ A PEC –  O texto reduz a escala para cinco dias de trabalho e dois de descanso por semana, com jornada de 40 horas semanais. A proposta foi aprovada na Câmara dos Deputados, mas está parada no Senado desde maio.

Alcolumbre chegou a dizer que não votaria o texto para não “contaminar” o processo eleitoral e que esperava um contato do presidente Lula, o que não aconteceu. A tensão só diminuiu após um almoço entre os dois e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), em 27 de agosto.

Se aprovada, a proposta passa a valer 60 dias após a promulgação pelo Congresso. Nesse período, a jornada semanal cairá de 44 para 42 horas. Em 14 meses, para 40. O texto também fixa a obrigatoriedade de duas folgas por semana, sendo uma delas preferencialmente no domingo, ou distribuídas no mês calendário.

Publicado em | 4 Comentários | 

Em destaque

PGR diz que não há evidências de que Mendonça foi alvo de arapongagem por cúpula da PF

  PGR diz que não há evidências de que Mendonça foi alvo de arapongagem por cúpula da PF Por Ana Pompeu/Folhapress 14/10/2026 às 07:59 Foto:...

Mais visitadas