Em 16 de julho, Trump foi à TV americana para atacar as urnas eletrônicas nos EUA.
O que ele disse? “Os americanos foram descaradamente enganados sobre a segurança da nossa infraestrutura eleitoral, incluindo a segurança das máquinas de votação eletrônica.”
Acusou a China de ter acessado dados de eleitores. Em um discurso de 20 minutos, ele afirmou que relatórios de inteligência, suprimidos do público supostamente alertariam sobre “vulnerabilidades chocantes de nossa infraestrutura eleitoral”. Na democracia mais antiga do continente, chegou a questionar a habilidade dos EUA de terem “eleições livres e justas”. O objetivo claro era já preparar um golpe contra as eleições de meio de mandato que acontecem em novembro, quando ele pode perder o controle da Câmara e do Senado.
Mas o pronunciamento foi concatenado a uma renovada campanha golpista de Flávio e Eduardo Bolsonaro, lançada a seguir.
Cinco dias depois, Flavio reuniu-se com diplomatas em um evento em Brasília e colocou em dúvida a integridade das urnas eletrônicas, conclamando-os a enviarem observadores eleitorais. Disse que as urnas eletrônicas brasileiras têm a mesma origem das urnas da empresa Smartmatic e que um relatório da CIA mostra que a empresa estaria envolvida em um plano de fraude do governo venezuelano nas eleições de 2012. O TSE já afirmou repetidas vezes que não usa urnas da empresa ou que ela tenha acesso aos seus dados.
Com a reunião, Flávio repetiu 4 anos depois a reunião de Bolsonaro com diplomatas em 2022, que o tornou inelegível.
Então, quatro dias depois da fala do irmão, Eduardo Bolsonaro fez uma live escandalosa junto com Fernando Cerimedo – sim, o marqueteiro argentino que publicou um vídeo com um suposto “dossiê” afirmando ter havido fraude nas eleições de 2022. O dossiê foi escrito por Mauro Cid e fazia parte do plano de golpe de Estado, segundo a PF.
Cerimedo foi assessor de Milei e o apresentou a Eduardo, tendo pago uma viagem do 03 à Argentina entre o primeiro e o segundo turno de 2022, como a Pública revelou.
Na live, ambos repetiram todas as mentiras da live golpista de 2022, como a entrada de votos fraudados depois das 5 da tarde, e uma suposta diferença nos logs entre urnas novas e urnas mais antigas, e que somente o Brasil teria urnas eletrônicas. Tudo já desmentido pelo TSE.
A narrativa central criada desde o governo Trump é que, depois do fim da USAID, a extrema direita tem ganhado todas as eleições no continente. Se a esquerda ganha, é porque houve fraude.
Sobre as eleições de 2022, ambos disseram que, juntos, eles “encontraram a fraude”.
Eduardo: Olha aqui... Não é necessário fraudar 100% das urnas, correto, Cerimedo? Se você fraudar apenas uma porcentagem delas, já dá para fazer a fraude acontecer e aquela pessoa que você deseja, seja a vencedora. Correto?
Cerimedo: Correto Você necessita de 5% ou 10% das máquinas para trocar o resultado, nada mais. Lembre-se: a fraude estava nas máquinas, mas, no centro de processamento, você pode alterar o log. Então, pode disfarçar o que aconteceu. Mas eles não contavam que nós íamos...
Eduardo: ...Encontrar a fraude.