quinta-feira, maio 29, 2025

Coronel pode virar a Lídice de 2018 ou dar a volta por cima, por Raul Monteiro*

 Foto: Reprodução

Senador Angelo Coronel (PSD)29 de maio de 2025 | 08:04

Coronel pode virar a Lídice de 2018 ou dar a volta por cima, por Raul Monteiro*

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Ainda deve permanecer vivo na memória da classe política, mas sobretudo da deputada federal Lídice da Mata (PSB), o processo pelo qual ela foi substituída por Angelo Coronel como candidata à reeleição ao Senado em 2018. Disputava o segundo mandato o governador Rui Costa (PT), cujas articulações com o PSD levaram à indicação, pelo partido, de Coronel a uma das duas vagas de senador, ao lado de Jaques Wagner (PT). Como ocorre tradicionalmente na Bahia, o governador, que era muito bem avaliado à época, puxou os dois, além do vice, João Leão (PP), hoje deputado federal na oposição ao governo, e todos se elegeram.

Não adiantou nem choro nem vela da parte de Lídice, que fez tudo para tentar permanecer na chapa e concorrer a mais um mandato, mas acabou preterida em favor de Coronel. Antes, enfrentou um período de fritura no qual não escapou da humilhação. Entre as alegações para a sua dispensa, se afirmou, pelas suas costas, claro, que já tinha ‘ganho de graça’ o mandato oito antes antes, que seu partido era nanico e ela não possuía votos, assim como que não tivera a capacidade de se rebelar contra a orientação do PSB para concorrer ao governo contra Rui em 2014 e que, portanto, era melhor que, ficando no grupo, partisse para outra.

Consciente de que o poder se expressa por meio de quem consegue impor sua vontade ou desejo e vendo a campanha se aproximar, Lídice virou deputada. É claro que começou a perceber cedo os sinais de que sua recondução não interessava ao grupo. Mas não com a mesma antecedência com que eles passaram a chegar agora a Coronel, precipitados pela necessidade de Wagner e Rui esclarecerem de uma vez por todas que o segundo não será candidato ao governo no lugar do governador Jerônimo Rodrigues exatamente porque pretende disputar o Senado na vaga que hoje é dele. Não é de agora que a cúpula petista avalia que não faz sentido apoiar a reeleição de Coronel.

A depender do interlocutor, o senador é considerado rebelde ou ingrato ou mesmo inconfiável demais, para o que são dados como exemplo o fato de ter participado ‘quase nada’ da campanha que elegeu o petista em 2022, flertar abertamente com o grupo do ex-prefeito ACM Neto (UP) e ainda votar contra pautas do governo Lula no Senado. Na demonstração de independência mais recente, por ocasião da sucessão à presidência da Assembleia, criou as condições que indiretamente elegeriam a aliada Ivana Bastos (PSD), ao lançar a candidatura do filho, Angelo, o que, para alívio dos deputados, inviabilizou o plano do líder governista Rosemberg Pinto, um petista, de chegar ao posto.

Mas Coronel dispõe hoje de mecanismos com que Lídice não contou: grande poder de articulação, em parte dado pelo cargo que ocupa mas também pela personalidade cativante, inserção plena entre os prefeitos e acesso ao infinito manancial das famosas emendas Pix, um legado do bolsonarismo à Nação que torna praticamente impossível impedir a reeleição na Câmara e no Senado, dado o montante de dinheiro que cada parlamentar consegue mobilizar para seu Estado de origem. Descartá-lo na prática, portanto, não será fácil, mesmo porque pode criar problemas à chapa governista se conseguir concorrer ao lado de Neto ou mesmo, como avalia, de forma avulsa.

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* Artigo do editor Raul Monteiro publicado na edição de hoje da Tribuna.

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